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quinta-feira, 19 de junho de 2014

"Persuasão" - A música como forma de aproximação nas obras de Jane Austen - parte 2


"...Na música, habituara-se a sentir-se só no mundo..."

     Quando leio essa frase, é claro que não levo "ao pé da letra"; de forma alguma a música lhe traria solidão, intendo que Anne, uma moça de personalidade muito introspectiva e observadora, tinha na música sua companhia. Sendo assim, enquanto tocava, "conversava" com o piano e consigo mesma; poderia escolher o repertório que mais lhe agradava e convinha de acordo com seus sentimentos e pensamentos do momento e não precisaria de mais ninguém. Isso tornou-se um hábito em sua vida onde a única confidente era Lady Russell. 
     Muitos conhecidos, mas amigos escassos!

   Na obra "Persuasão", há várias passagens onde a música aparece como tema: desde a companhia para a solidão, para alegrar quem está triste, animar os serões, para um compromisso de gala ou para um encontro.    
    Na casa dos Musgrove,  Louise e Henrietta tocavam harpa (instrumento também muito popular na época, embora não tanto quanto o piano), mas em uma época onde não haviam gravações, era muito raro uma casa onde não houvesse pelo menos um músico, independente do instrumento escolhido. 
     Sem música não havia vida social naquela época.
    É bem interessante perceber tal detalhe: a música era primordial na vida das pessoas!


A música como união na casa dos Musgrove
   Assim, dirigiram-se à Casa Grande, onde se sentaram durante meia hora na antiquada sala quadrada com um tapete pequeno e o chão brilhante, a que as filhas da casa estavam, pouco a pouco, a dar um ar de confusão com um piano, uma harpa, floreiras e mesinhas colocadas por todo o lado.(pág. 20)


Anne, era melhor musicista que as meninas Musgrove
     ...Ela tocava bastante melhor do que qualquer das meninas Musgrove; mas, não tendo voz, não sabendo tocar harpa e não possuindo uns pais babados que a escutassem, deliciados, raramente lhe pediam que tocasse e quando o faziam, ela sabia que era só por delicadeza ou para permitir que as outras descansassem. (pág. 23)

A música, companheira de Anne
...Ela sabia que, quando tocava, dava prazer apenas a si própria; mas esta não era uma sensação nova: com exceção de um breve período da sua vida, desde os 14 anos, desde que perdera a sua querida mãe, ela não conhecia a felicidade de ser escutada ou encorajada por uma apreciação justa ou um verdadeiro bom gosto. (pág.23)


Anne como pianista, vista com indiferença
...a afetuosa parcialidade do Sr. e da Sra. Musgrove em relação à execução das filhas e a sua total indiferença pela de qualquer outra pessoa causavam-lhe muito mais satisfação por causa delas do que tristeza por si própria. (pág. 23)

A música era convidada de honra nas reuniões em Upercross

...Por vezes, vinham juntar-se outras pessoas ao grupo reunido na Casa Grande. A vizinhança não era numerosa, mas os Musgrove eram visitados por toda a gente e davam mais jantares e tinham mais visitas, convidadas ou ocasionais, do que qualquer outra família. Eles eram muito mais conhecidos e estimados. As meninas adoravam dançar, e os serões terminavam, ocasionalmente, com um pequeno baile improvisado. Havia uma família de primos a pouca distância de Uppercross, em circunstâncias menos abastadas, que estavam dependentes dos Musgrove para todas as suas diversões; eles podiam aparecer em qualquer altura, ajudar a tocar qualquer coisa ou dançar em qualquer lado...(pág.23/24)

A prontidão de Anne em tocar para agradar, chama a atenção

...Anne, que preferia o trabalho de músico a uma ocupação mais ativa, tocava músicas populares durante horas seguidas; uma amabilidade que, mais do que qualquer outra coisa, chamou a atenção do Sr. e da Sra. Musgrove para o seu talento musical e provocava frequentemente um elogio:
- Muito bem, Anne! Muito bem! Meu Deus! Como esses seus dedinhos voam!(pág.24)

As Srtas. Musgrove e Anne: A harpa ou o piano?

- Eu já vos conto a razão - acrescentou ela. – Vim avisar-vos de que o papá e a mamãe estão muito abatidos esta noite, especialmente a mamãe; ela não deixa de pensar no pobre Richard! E concordamos que seria melhor ter a harpa, pois parece distraí-la mais do que o piano.(pág.25)

A música não poderia ter faltado na apresentação do Cap. Wentworth
...O cunhado e a irmã regressaram encantados com o seu novo conhecimento e a visita em geral. Tinha havido música, canções, conversa, riso, tudo extremamente agradável; o comandante Wentworth tinha modos encantadores, sem qualquer timidez nem reservas; pareciam ser todos velhos conhecidos, e ele viria caçar com Charles na manhã seguinte.(pág. 29)

A música, mais uma vez, como companhia para Anne
...Quando lhe foi proposto, Anne ofereceu os seus préstimos, como de costume e embora os seus olhos se enchessem por vezes de lágrimas enquanto estava ao piano, ficou muito satisfeita por estar ocupada e não desejou mais nada em troca a não ser passar despercebida.

...Foi uma festa alegre, e ninguém pareceu estar mais bem-disposto que o comandante Wentworth. Ela achou que ele tinha todos os motivos para se sentir satisfeito, nomeadamente a atenção e a deferência gerais e, principalmente, a atenção de todas as jovens.(pág.35)

Anne preferia mais tocar do que dançar

...Uma vez ela sentiu que ele estava olhando para ela observando o seu rosto transformado, tentando, talvez, ver nele os vestígios do rosto que outrora o encantara; e uma vez ela soube que ele devia ter falado nela...ele perguntara ao seu par se a Srta. Elliot nunca dançava. A resposta foi:
Oh! não, nunca, há muito que ela deixou de dançar. Ela prefere tocar. Nunca se cansa de tocar. (pág.36)


O lugar de Anne era ao piano
- Uma vez, ele falou-lhe. Ela tinha deixado o piano quando o baile terminou, e ele sentara-se a dedilhar uma ária de que desejava dar uma ideia à Sra. Musgrove. Sem pensar, ela voltou a essa parte da sala; ele viu-a e levantando-se imediatamente, disse com uma delicadeza estudada:
- Perdão, minha senhora, este é o seu lugar. E, embora ela se tivesse afastado logo com uma negativa firme, ele não voltou a sentar-se. Anne não queria que ele voltasse a olhá-la ou a falar-lhe assim. A sua delicadeza fria e a sua atitude cerimoniosa eram piores que a indiferença total.(pág. 36)
Essa passagem linda e tão "ponto chave"
na indiferença de Wentworth para com Anne,
não aparece  na versão de de 2007.

Cap. Wentworth gostava muito de música

...Era um concerto a favor de uma pessoa protegida de Lady Dalrymple. Claro que eles tinham de ir. Esperava-se que fosse um bom concerto, e o comandante Wentworth gostava muito de música. E imaginava que ficaria satisfeita se conseguisse conversar durante alguns minutos com ele; sentia-se com coragem para lhe dirigir a palavra, se a oportunidade surgisse. (pág. 88)

Que emoções poderia um momento musical trazer?

...Os outros regressaram, a sala voltou a encher-se, os lugares foram reclamados e ocupados, e ia seguir-se outra hora de prazer ou de castigo, outra hora de música para deliciar ou provocar bocejos, conforme prevalecesse o gosto real ou afetado de cada um. Para Anne, ela continha principalmente a perspectiva de uma hora de agitação. Não podia sair tranquilamente da sala sem voltar a ver o comandante Wentworth, sem trocar com ele um olhar amigável. (pág. 93)



     Vejamos pelo seguinte lado. Como seria toda essa trama sem o fundo que a Arte Musical nos dá? Desde os momentos de indiferença de Wentworth, dos Musgrove pelo fato de Anne mais tocar do que dançar, da companhia para sua solidão até o desfecho que envolve o tal encontro (desencontro) no Concerto? Sem graça total, não é? E você o que acha?

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cap. Wentworth e o reencontro em Bath - (Reencontros - parte 6)

     Anne Elliot não gostava de Bath (e Jane Austen também não) e estando ali junto à família, mais especificamente com Mr. Elliot (o primo), a irmã Elizabeth e a Sra. Clay (essas duas últimas, companhias agradabilíssimas, que por certo não se importavam a mínima em estar com Anne), a cidade ficava ainda mais "pitoresca" (pra completar todas as ironias da frase). O que poderia ser mais surpreendente do que encontrar o Cap. Wentworth, além de que sob quaisquer circunstâncias, encontrá-lo sempre seria uma surpresa?
     Wentworth foi a Bath para encontrar Anne e tentar de uma vez por todas decidir o romance entre eles, mas ela jamais poderia imaginar que ele estivesse ali e muito menos suspeitava de seus planos para com ela. Esse encontro foi mesmo inesperado, pois Wentworth também não esperava encontrar Anne naquele momento. Quantos desencontros!!! Ou seria: quantos encontros!!!

      Essa cena do "guarda-chuva"...é muuuito linda!


    (...)"Chovia muito pouco, e Anne era sincera ao dizer que preferia ir a pé com o Sr. Elliot. Mas a chuva também era pouca para a Sra. Clay; ela nem a sentiria, e as suas botas eram tão grossas, muito mais grossas que as de Anne - e, em suma, a sua amabilidade tornava-a tão ansiosa por ir a pé com o Sr. Elliot como Anne, e a questão foi discutida entre elas com uma generosidade tão delicada e tão firme que os outros se viram obrigados a decidir por elas.(...) Foi, assim, decidido que a Sra. Clay faria parte do grupo que iria na carruagem; e tinham chegado a este ponto quando Anne, que estava sentada junto da janela, viu, decidida e distintamente, o comandante Wentworth descer a rua.
     O seu sobressalto foi perceptível apenas para si própria; mas sentiu de imediato que era a maior, a mais irresponsável e mais absurda tola do mundo! Durante alguns minutos, não viu nada à sua frente. Estava tudo confuso. Sentia-se perdida;(...)Voltou para trás, porém, no momento seguinte, quando o próprio comandante Wentworth entrou, no meio de um grupo de senhoras e cavalheiros, evidentemente seus conhecidos, a quem ele se devia ter juntado um pouco abaixo da Milsom Street. Ao vê-la, ele ficou mais obviamente enleado e confuso do que ela alguma vez reparara; ficou muito corado. Pela primeira vez desde que se tinham voltado a encontrar, ela sentiu que era ela quem evidenciava menos emoção. Tivera a vantagem de ter tido alguns momentos para se preparar. Todos os poderosos, ofuscantes e desconcertantes efeitos da enorme surpresa já se tinham desvanecido. Mesmo assim, porém, sentiu-se dominada pela emoção! Era um misto de agitação, dor, prazer, algo entre a alegria e a tristeza.
     Ele falou-lhe, depois afastou-se. Os seus modos denotavam embaraço. Ela não podia chamar-lhe frieza ou afeto, nem qualquer outra coisa a não ser embaraço. Depois de um pequeno intervalo, porém, ele dirigiu-se a ela e voltou a falar-lhe. Trocaram perguntas sobre assuntos habituais;(...)Devido ao fato de estarem juntos tantas vezes, eles tinham aprendido a falar um com o outro com indiferença e calma aparentes; mas agora ele não conseguia fazê-lo.(...) mas o comandante Wentworth estava embaraçado, pouco à vontade e incapaz de fingir o contrário.(...)
     A carruagem de Lady Dalrymple, cuja demora impacientava Elizabeth, aproximou-se;(...) Wentworth ficou a observá-las, depois virou-se outra vez para Anne e, pela sua atitude, mais do que por palavras, ofereceu lhe os seus préstimos.
- Muito obrigada - foi a resposta dela -, mas eu não vou com elas. A carruagem não pode levar tanta gente. Vou a pé. Prefiro andar.
- Mas está a chover.
- Oh! Muito pouco. Nada que me incomode. Após uma breve pausa, ele disse: - Embora só tenha chegado ontem, já me equipei devidamente para Bath, como vê - (apontando para um guarda-chuva novo). Gostaria que fizesse uso dele, se está decidida a ir a pé, embora eu pense que seria mais prudente deixar-me arranjar-lhe uma carruagem.
Ela agradeceu-lhe muito, mas recusou tudo, reafirmando a sua convicção de que a chuva passaria dentro em pouco, e acrescentou:
- Só estou à espera do Sr. Elliot. Estou certa de que ele deverá estar a chegar. Mal acabara de
dizer estas palavras quando o Sr. Elliot entrou."(...)
(Jane Austen - “Persuasão” – cap. VII) (http://portugues.Free-eBooks.net )

     É pra ver como são as coisas...agora que Wentworth estava mesmo decidido a ter Anne de volta,  esse reencontro nada promissor não abalou seus propósitos. Nem o primo galã, com todo o interesse por Anne, nem o fato de ela ter dispensado sua ajuda com o guarda-chuva fez com que ele se ofendesse ou desistisse. Acho que não foi só Anne que amadureceu nesses oito anos de espera...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Capitão Wentworth...o reencontro depois de tanto tempo - (Reencontros - parte 1)

   Quem não se emocionou com o esperado reencontro de "Persuasão" (Jane Austen)? O momento em que Anne Elliot revê o Cap. Wentworth depois de esperançosos e (desesperançosos) oito anos. 
  Se pudesse, ela teria evitado! Anne era consciente que depois de oito longos anos muita coisa havia mudado e apesar de ela ainda amar Wentworth, sabia que ele não havia lhe perdoado pelo rompimento do noivado e pela fraqueza de caráter; foi realmente uma situação inquietante e delicada para ela, pois apesar do medo e receio, Anne desejava demais revê-lo! 
        "Os seus olhos encontraram-se com os do comandante Wentworth; uma saudação, uma cortesia.
      Ela ouviu-lhe a voz - ele falava com Mary; disse as palavras corretas; disse algo às Meninas
Musgrove, o suficiente para indicar que estavam de boas relações; a sala parecia cheia - cheia de
pessoas e vozes mas tudo terminou passados poucos minutos.
      Charles apareceu à janela, estava tudo pronto, o visitante tinha feito uma saudação e saído; as
meninas Musgrove também se foram embora, tendo decidido subitamente ir com os caçadores até ao extremo da aldeia, a sala ficou vazia, e Anne tentou terminar o pequeno-almoço o melhor que pôde.
    -Já passou! Já passou! - repetiu para si própria, numa gratidão nervosa. - O pior já passou. Mary estava a falar, mas ela não conseguia prestar atenção. Ela vira-o. Tinham-se encontrado. Tinham voltado a estar na mesma sala!" 
(Jane Austen - "Persuasão" - cap. 7 - trad. portuguesa)

  Semelhantemente, as cenas dos filmes das adaptações feitas deste livro são muito bonitas!
    A de 1971, mostra apenas uma saudação silenciosa entre os dois. Anne parece nervosa, mas pouco demonstra:
   
    A de 2007, mostra uma Anne bastante emocionada. Gostei da cena dessa versão  pela tomada com o Cap. Wentworth bem de perto, afinal, a surpresa e a comoção no reencontro também ocorreu com ele. Dá pra ver que há certa tensão por parte dele também. 
    
     A de 1995, é para mim a que mais revela a inquietação de Anne em revê-lo. Seu olhar é muito convincente! Mostra sua surpresa e comoção. A cena de suas mãos segurando a cadeira é sem dúvida bem realista; a emoção foi mesmo intensa. Ela estava abalada, enquanto  Cap. Wentworth parece manter o controle, bem de acordo com o livro que conta que na verdade Wentworth não havia perdoado Anne e agora só pensava em ser feliz e se casar com outro alguém, então, apesar da emoção (no fundo ele não tinha encontrado alguém como Anne), tentou manter o controle emocional (os homens sempre conseguem isso melhor).
     Quando podemos demonstrar o amor por alguém que não vemos há muito tempo é tão fácil...um grande abraço, um beijo... mas tentar disfarçar um sentimento há tanto tempo contido (perante todos) não é nada fácil... Anne era sem dúvida muito resignada. 

http://portugues.free-ebooks.net/tos.html

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Os livros e o "eReader"

     Há algum tempo soube sobre os "eReaders". São quase do tamanho de um tablet, pouco maiores que um celular (podendo variar um pouco de um modelo para outro). Quando vi  o Kindle na Amazon, achei o preço um tanto salgado, com frete, etc. e também havia o fato de que os livros em português eram escassos. Achei que com certeza não era o momento e havia uma grande chance de logo ser lançado no Brasil.
     Essa semana, procurando por um atlas escolar pra minha filhinha na Livraria Cultura, me surpreendi com três LINDOS modelos do Kobo Touch eReader. 
     O preço também me deixou surpresa: vão de R$249,00 a R$499,00 (se não engano) e podem ser divididos em até 10 vezes sem juros!!! É muito?! Tem mais: as obras de Jane Austen (em português) estão disponíveis:
E "Emma" bilingue:
      Ficou difícil resistir (ainda estou tentando...).
     Ler em qualquer lugar, com o tamanho de letra escolhido, praticidade e comodidade, sem ter que ficar torcendo o livro, marcando páginas, vários livros em um só lugar (armazenam 1000 livros e alguns modelos tem opção pra cartão de memória e podem armazenar 30.000)... Mas...livros...livros...eles me encantam! Bibliotecas me encantam, os novos, os antigos, as capas...o cheiro... Só fã de carteirinha de livrarias. E aí? Dura decisão! Amo ler, mas amo livros. Vamos ver até quando vou resistir...
Foto:
publicdomainpictures.net

sábado, 13 de outubro de 2012

A infância em "Orgulho e preconceito" e "Persuasão"

"Especial semana da criança"
     Enquanto Jane aprendia um bordado com a Sra. Bennet, Elizabeth tentava distrair as irmãs menores, na varanda de Longbourn...
     Jane sempre linda, meiga e comportada, tímida até para uma foto no quintal...
    Mary, depois que começou a ler e a aprender piano, se tornou uma "mocinha" culta e irrepreensível...
     Já Lizzie, crescia em seu caráter firme e confiante, sempre alegre e decidida. 
   De certo que as meninas Bennet tiveram uma infância feliz, pois não podemos negar que o Sr. e a Sra Bennet foram bons pais e deram muito amor às filhas!
   Caroline Bingley já desfrutava de riqueza e ostentação desde cedo e sem dúvida,  já sabia de sua posição na sociedade.
     Igualmente a  Mr. Darcy, que acabara de ganhar a irmãzinha Georgiana; um tanto tímido, firme e convicto de sua condição, afinal, nasceu em Pemberley!

     Anne Elliot precisava de uma amiga. Mesmo com duas irmãs, a mãe lhe fazia muita falta. Havia espaço para brincar e conforto, mas uma criança precisa muito mais do que isso.

     E você? Compara a sua infância com algum desses personagens?

Postagens complementares:


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domingo, 26 de agosto de 2012

Os espelhos e as reflexões em "Persuasão"

 As heroínas, coadjuvantes e antagonistas de "Persuasão" e seus "encontros com o espelho":
     
     Anne Elliot com toda certeza  tinha consciência de seu amor por Wentworth, mas racional e submissa, entendeu que não seria um bom casamento (na época), tentava outras aproximações, mas a sombra do Capitão estava em seu coração, quase fazendo com que ela perdesse o fôlego toda vez que o via; estava certa que ele não a perdoaria, mas se isso acontecesse, faria toda a diferença.


     Elizabeth Elliot tinha em seu espelho o reflexo irreal, tanto de seus predicados, quanto da admiração masculina por ela. Ao seu ver, Anne era bem inferior se comparada à ela. Mas teve que aceitar:

      Louisa Musgrove estava certa de sua conquista. Era determinada e tinha em mente que conseguia o que queria, bastava querer e "se jogar". Talvez tenha compreendido que as atitudes pensadas são mais acertadas.

   Henriquetta Musgrove também tentou conquistar Cap. Wentworth; posição e dinheiro eram critérios de um bom casamento, mas uma reflexão é sempre bem-vinda.

     Quem leu, refletiu sobre muitas coisas. E você? Refletiu sobre algo importante nesta obra? Esperar e perdoar valeu a pena? Compartilhe sua opinião deixando um comentário.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Anne Elliot, a chuva e Captain Wentworth pensando nela.

     Depois que fiz a postagem sobre O guarda-chuva nas obras de Jane Austen, pensei como seria bonito colocar a linda cena de Persuasão (1995) onde estão todos numa confeitaria em um tempo chuvoso e Cap. Wentworth oferece um guarda-chuva à Anne Elliot num gesto pra lá de singelo: uma mistura de acanhamento com romance, de vergonha com cuidado, sei lá... resolvi colocar no vídeo (de 50 segundos) um trecho de uma música que me veio em mente logo em seguida: "Pensando nela"; uma  versão de sucesso na época da jovem guarda com os "Golden Boys" (regravada recentemente pelo grupo "Roupa Nova") e que meu pai ouvia frequentemente.    
   Sempre achei essa música super romântica e pensava no pobre coitado que tinha oferecido um guarda-chuva (ou uma carona) ao seu amor e teve sua ajuda negada... Acho que casou com essa cena:

terça-feira, 15 de maio de 2012

"A personalidade de Anne Elliot"

"Jane Austen e a personalidade de suas heroínas (parte 3)"

       Anne teve seu temperamento classificado como "SJ", ”Protetores”.
        (Expliquei melhor sobre esse tipo de análise aqui).
    Esse tipo de temperamento agrupa indivíduos muito honestos e confiáveis. São éticos e gostam de ajudar aos outros, seja família ou comunidade. Tem talento para liderar, pois são organizados e apreciam regras.
     Sua personalidade (mais abrangente que somente o temperamento) é do tipo ISTJ, chamada como “Examinador”, “Cumpridor do dever” ou “Inspetor”.
   Um ISTJ possui seu comportamento, ações e reações baseadas na seguinte pirâmide:
     A hierarquia de um ISTJ é a seguinte:
Dominante: Introvertido
Auxiliar: Racional (Thinking))
Terciário: Sensitivo
Inferior: Julgador
     Levando em consideração que cada personalidade tem uma ordem única de cognições mais relevantes. (Se quiser saber mais detalhes sobre essa hierarquia, veja aqui).
    São extremamente confiáveis e de respeito. Aceitam prontamente a responsabilidade do que precisa ser feito. Suas emoções não são muito demonstradas, mas são intensas; um ISTJ pode parecer seguro e calmo até em períodos de crise. São sensatos, perseverantes, levando em consideração até mesmo os pormenores de um problema, bem como as regras a serem seguidas. Generosos, não medem esforços para ajudar ao próximo. São cautelosos e gostam que as coisas sejam baseadas em fatos. Reservados, precisam de esforço para analisar outras possibilidades e alternativas que poderiam ser levadas em conta. Um ISTJ é tradicional e familiar, esforçado com o bem estar de sua casa e de sua família. 
    O ISTJ também se preocupa profundamente com as pessoas próximas a ele, embora geralmente não se sinta confortável em expressar seu amor. É mais fácil expressar seu afeto através de ações do que por palavras. 
     Dá muita importância ou relevância na ideia de alguém que eles respeitam.
    A responsabilidade é o seu maior foco e faz isso com regras que coloca sobre si mesmo. 
   Tem forte senso do dever. É guiado pelo julgamento e pensamento objetivo, seu emocional está fortemente controlado. Sempre o dever antes do laser, mas quase nunca dá crédito aos seus esforços, tendo isso como um cumprimento do dever.
     Estão em verde, características da personalidade ISTJ, que são muito claras em Anne Elliot, segundo "Persuasão":

Traços positivos:
Responsável
Obediente
• Decisivo
• Vigilante da sociedade
• Prático

• Dá muita importância na opinião de quem confiam
Honra compromissos

• A promessa é um juramento solene
• Eficiente
• Cauteloso
• Tradicional
• Grande concentração
Forte senso do certo e do errado
Dedicado
Não gosta de ser o centro das atenções
Bom em ouvir
Excelente na gestão com o dinheiro
• Aceita bem as críticas

Traços negativos:
• Corre risco de se fechar demais em si mesmo
• Muito sério

• Se sacrifica 
• Metódico
• Rígido e relutante com outros que não são como ele
• Dificuldades em aceitar outros pontos de vista
• Cético com novas idéias
Dificuldades em antecipar implicações futuras de seu comportamento
Pode ser incapaz de julgar corretamente o que é melhor
• Não é generoso com elogios
Não fica em sintonia com seus sentimentos, agindo pela razão
• Leva as coisas muito a sério
Pode ser facilmente enganado ou manipulado

É um tanto solitário
Dificuldade em dizer não quando sobrecarregados

     Se Anne Elliot pudesse ter escolhido uma profissão como uma mulher de nosso século, provavelmente teria optado por ser:
• Contadora
• Administradora de empresas
• Médica
• Dentista
• Diretora Financeira
• Cientista
• Professora de matemática
• Advogada
• Procuradora
• Juíza
• Bibliotecária
• Especialista em informática
• Executiva

     Anne "provavelmente gostava" de usar roupas em padronagens  lisas  e  suas   cores   preferidas   estariam entre: Rosa, amarelo, marrom e cinza:

   






    Os perfumes cítricos/florais suaves, são os que mais combinam com a personalidade de Anne Elliot. Os atuais que provavelmente estariam em seu toucador:
Eau de Sisley 1
Eau de Shalimar Guerlain
Naturally Chic – Givenchy
Café Green 


     Famosos com a personalidade de Anne Elliot (ISTJ)
George Washington - presidente americano
George HW Bush - presidente americano
Tomé - Apóstolo de Jesus
Henry Ford - Empresário
Condoleeza Rice - Secretária de Estado dos EUA
Kirk Douglas - Ator
Rainha Elizabeth II - Rainha de Inglaterra

fontes: