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domingo, 15 de junho de 2014

"Orgulho e preconceito" - A música como forma de aproximação nas obras de Jane Austen -parte 1


     "Orgulho e preconceito" é sem dúvida, a obra mais famosa de Jane Austen e por esse motivo não era de se espantar que tivesse tido mais músicas compostas para suas adaptações em filmes e séries. A trilha sonora da adaptação de 2005 é maravilhosa, e a da série de 1995 também não fica atrás! 
  Além da trilha, que é de suma importância no decorrer de uma cena, a música "real", digo, a tocada e vivida nos tempos de Jane Austen (e de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy) era de fato muito importante.
     Na cena acima, da adaptação de O&P de 2005, Lizzie afirma para Darcy que a dança é melhor do que a poesia em uma aproximação. 
      A música sempre nos foi (e é) importante! Quem não se lembra de algo quando escuta uma música? Ela mexe fortemente com nossas emoções! E "naqueles tempos", em que as pessoas tinham que ser apresentadas antes de dizer se quer "olá", era utilizada fortemente como forma de aproximação, principalmente entre os jovens. Lembra da cena em que Elizabeth Bennet aproveita sua vez na dança com Mr. Darcy para poder lhe dizer "umas"? 


     Há no livro, inúmeras situações de aproximação, conflito e impasse em que a música é a principal testemunha:


Charlotte Lucas para Lizzie
— Breve vai chegar a sua vez de ser provocada — disse Miss Lucas. — Eu vou abrir o piano, Eliza, e você sabe o que a espera.
— Você é uma amiga estranha; sempre querendo que eu toque e cante diante de todo mundo. Se a minha vaidade tivesse tendência musical, você seria preciosa, mas como este não é o caso eu preferia não me exibir diante de pessoas que estão habituadas a ouvir os melhores concertistas.
E como Miss Lucas insistisse, ela acrescentou:
— Muito bem. Se não há outro jeito...
E, olhando gravemente para Mr. Darcy, continuou:
— Há um velho provérbio que todos aqui naturalmente conhecem: "Guarde o seu sopro para esfriar o seu caldo". Eu conservarei o meu para cantar.(pág.28)


Lizzie e Mary
     A sua atuação como cantora foi agradável, embora de nenhum modo excepcional. Depois de uma ou duas canções, e antes que pudesse responder aos pedidos de várias pessoas que queriam ouvi-la novamente, Elizabeth teve de ceder o lugar à sua irmã Mary, que esperava com impaciência, pois, faltando-lhe todos os atrativos, estudara com grande aplicação e estava por-tanto sempre pronta a exibir-se...Embora não tocasse tão bem, Elizabeth agradou muito mais, graças à sua naturalidade...(pág. 28)

Mary e a música
     Mary não tinha talento, nem gosto. Embora a vaidade lhe tivesse dado perseverança, dera-lhe igualmente um ar pedante de maneiras convencidas, coisa suficiente para obscurecer triunfos maiores do que aqueles que era capaz de alcançar...Mary, depois de um longo concerto, pôde considerar-se feliz por alcançar alguns elogios graças a algumas canções escocesas e irlandesas que executou...Mr. Darcy ficou próximo a eles, cheio de silenciosa indignação, diante de uma maneira tão grosseira de passar a noite... (pág. 28)


Miss Bingley, sobre Georgiana
— Queria muito tornar a vê-la. Nunca encontrei uma pessoa tão encantadora. Que modos, que delicadeza... E como é prendada para a idade! Toca piano divinamente.(pág.41)
Georgiana abraçando o irmão (Mr. Darcy)
que lhe deu um piano novo como presente

Miss Bingley sobre a formação musical das mulheres

 - Nenhuma mulher pode ser realmente considerada completa se não se elevar muito acima da média. Uma mulher deve conhecer bem a música, deve saber cantar, desenhar, dançar e falar as línguas modernas, a fim de merecer esse qualificativo, e além disso, para não o merecer senão pela metade, é preciso que possua um certo quê na maneira de andar, no tom da voz e no modo de exprimir-se. (pág. 42)


A música aproximando o grupo e fazendo fundo às observações de Mr. Darcy
Finda esta ocupação pediu a Miss Bingley e a Elizabeth que executassem um pouco de música. Miss Bingley se dirigiu alegremente para o piano e, depois de um amável oferecimento a Elizabeth para que ela começasse, oferecimento que a outra rejeitou, com a mesma amabilidade e maior ênfase, sentou-se e começou. Mrs. Hurst cantou com a irmã e, enquanto isto, Elizabeth, que folheava cadernos de música que estavam sobre o piano, não pôde deixar de observar que os olhos de Mr. Darcy se voltavam freqüentemente na sua direção.(pág. 52)


O show de Mary (que ao invés de aproximar, repeliu as pessoas)

     ...Mas não durou muito tempo a sua tranqüilidade, pois acabado o jantar falaram em música. E ela teve a mortificação de ver Mary, depois de ligeira insistência, se preparar para responder ao apelo dos convidados. 

     Tentou, por olhares significativos e mudos apelos, impedir que a irmã desse essa prova de boa vontade. Mas em vão. Mary não compreendia os seus sinais. Uma tal oportunidade de exibir-se era-lhe deliciosa e ela começou a cantar... Ouviu as várias estrofes com uma impaciência muito mal contida, pois Mary, ao perceber entre os agradecimentos a sugestão de que ela pudesse ser instada a renovar o prazer que estava dando aos seus ouvintes, recomeçou a cantar, depois de uma pausa de meio minuto. 


     As forças de Mary não estavam absolutamente à altura de um tal feito; sua voz tornou-se fraca, seus gestos afetados...Olhou para Jane a fim de ver como é que ela suportava aquilo, mas Jane conversava discretamente com Bingley. Olhou para as duas irmãs e viu que elas faziam sinais uma para a outra, caçoando de Mary. Darcy continuava, porém, impenetravelmente grave. 


      Elizabeth olhou para o pai, a fim de suplicar a sua interferência, caso Mary se propusesse cantar a noite inteira. Ele compreendeu o gesto e quando Mary acabou de cantar pela segunda vez, disse, em voz alta:
— Isto basta, minha filha. Você cantou muito bem e nos deleitou a todos. Agora deixe as outras moças brilharem.

Mr.Collins, o aspirante

— Se eu tivesse a sorte de saber cantar — disse Mr. Collins —, estou certo de que teria o maior gosto de dar aos ilustres presentes o prazer de uma ária, pois considero a música um passatempo muito inocente e
perfeitamente compatível com a profissão de um sacerdote. Não quero afirmar entretanto que seja justo dedicar todo o nosso tempo à música, pois existem, é claro, outros deveres. (pág. 97)

Lady Catherine de Bourgh, sobre a formação musical de Elizabeth

Sabe tocar piano e cantar, Miss Bennet?
— Um pouco.
— Então, um dia destes precisa nos dar este prazer. O nosso instrumento é dos melhores. Provavelmente superior ao... Precisa experimentá-lo qualquer dia. As suas irmãs também sabem tocar e cantar?
— Uma delas sabe.
— Por que as outras também não aprenderam? Deviam todas saber música. As senhoritas Webbs todas sabem tocar. E o pai delas não tinha tanto rendimento quanto o seu. Sabe desenhar?
— Não, senhora.
— O quê? Nenhuma de vocês?
— Nenhuma.
— Isto é muito curioso. Mas com certeza não tiveram oportunidade. Sua mãe devia ter levado vocês todas as primaveras para a cidade, para tomar lições.(pág.150)
Mr. Darcy fica encantado ao ver Lizzie tocando e
 cantando, mesmo não sendo ela muito talentosa

Quando o assunto é musica, sem dúvida é algo importante!

...dentro em pouco tornou-se evidente que Lady Catherine compartilhava dos sentimentos do sobrinho, pois exclamou, sem nenhuma reserva:
— Que é que você estava dizendo, Fitzwilliam? De que é que vocês conversavam? Que é que você estava contando para Miss Bennet? Quero saber o que é.
— Estávamos falando de música — disse ele, impossibilitado de se esquivar a uma resposta.
— De música? Então fale em voz alta. É de todos os assuntos o meu favorito. Se estão falando de música, quero tomar parte na conversa. Creio que existem poucas pessoas na Inglaterra que apreciam mais a música do que eu. Ou que tenha um gosto mais fino.(pág. 158)


Lady Catherine de Bourgh sobre seu gosto musical, a falta de oportunidade da filha...
Se eu tivesse aprendido música, seria uma grande intérprete. E Anne também, aliás, se a saúde dela o tivesse permitido. Estou certa de que ela tocaria admiravelmente. (pág. 157)

...sobre os progressos de Georgiana com a música

Georgiana tem feito muitos progressos, Darcy?
Mr. Darcy louvou afetuosamente o talento da irmã.
— Estou muito satisfeita com isto — disse Lady Catherine; — diga a ela que nunca poderá brilhar se não estudar muito.
— Eu lhe asseguro, minha tia — replicou ele —, que ela não precisa de tal conselho. Estuda com muita constância.
— Tanto melhor. Nunca é demais. E na próxima vez que escrever para ela recomendarei que não se descuide do seu piano.(pág.157)

e sobre a falta de dedicação de Miss Bennet ao piano

Eu sempre digo às moças que nenhuma distinção pode ser alcançada sem um estudo constante. Já disse a Miss Bennet várias vezes que nunca tocará realmente bem se não estudar mais. E como não há piano em casa de Mrs. Collins, ela está convidada, com já disse muitas vezes, a vir a Rosings todos os dias estudar piano no quarto de Mrs. Jenkinson. Naquela parte da casa ela não incomodaria a ninguém.(pág. 157)


Elizabeth não escapa de tocar

Depois do café, o Coronel Fitzwilliam lembrou a Elizabeth a sua promessa de tocar para eles; e a moça se sentou imediatamente ao piano. Ele aproximou a sua cadeira. Lady Catherine ouviu metade de uma canção e em seguida continuou a conversar como antes com o outro sobrinho, até que este se afastou dela e, dirigindo-se resolutamente ao piano, colocou-se de modo a poder observar o rosto da bela executante. Elizabeth percebeu o que ele estava fazendo e, na primeira pausa, virou-se para ele e disse, com um sorriso malicioso:
— É para me assustar, Mr. Darcy, que se aproximou com toda esta imponência? Mas não ficarei alarmada, embora a sua irmã toque tão bem. Tenho uma persistência que a vontade dos outros é incapaz de intimidar. Nesses momentos a minha coragem sempre me socorre.(pág.157)
As irmãs Bingley, escutando Lizzie (e se mordendo de inveja)

Mrs. Reynolds, governanta de Pemberey, sobre Georgiana
Mrs. Reynolds, então, chamou a atenção dos visitantes para um retrato de Miss Darcy pintado quando ela tinha apenas oito anos de idade.
— E Miss Darcy também é bonita? — perguntou Mr. Gardiner.
— Oh, sim, é a menina mais bonita que eu jamais vi. É tão instruída! Toca piano e canta o dia inteiro. Na sala ao lado, há um novo instrumento que acaba de chegar para ela. Um presente do meu patrão.(pág.217)


   Já fui a vários Saraus, daqueles "tipo de antigamente", onde se toca, canta e até leem poesia e afirmo que é muuuiiito bom. Por isso posso dizer que realmente a música (de qualidade) aproxima as pessoas, quem não toca, pode ouvir e também se deliciar igualmente...

sexta-feira, 21 de março de 2014

Barbie e Elizabeth Bennet


    Acho lindo os filmes da Barbie e como tenho uma filha de 10 anos... Já sabem... Além dos filmes, as músicas são maravilhosas! 
    Outro dia, escutando "Um verdadeiro amor" (muito linda) de "Barbie - A princesa e a plebeia", fui logo fazendo um vídeo mental com "Orgulho e preconceito". O projeto não me saiu da "cuca" até ser feito! Amei o resultado, pois as cenas lembravam a música e a música lembrava as cenas, alguns locais pareciam comuns entre si, etc, etc, enfim... LOVE IN THE AIR...


     Pensando bem , não seria uma má ideia sugerir à Mattel, uma versão de "Orgulho e preconceito" com a Barbie, além de lindo seria muito instrutivo para essa nova geração de mocinhas e menininhas sonhadoras. Já pensou? Eu já! 
      Achei melhor fazer com a versão de 2005, pois ficou sem dúvida, bem mais fácil de conseguir as cenas, mas acredito que ficaria lindo também com a de 1995, com tantas passagens bonitas. 
     Que tal esse olhar de admiração de Mr. Darcy para Lizzie, quando é cantado "...será ele capaz, de um verdadeiro amor..." 
   O que achei intrigante, é que nessa estória da Barbie, as duas (a princesa e a plebeia) trocam de lugar e indo a plebeia  morar no castelo, o príncipe se apaixona por ela e vice-versa. Minha conclusão final, filosófica, antropológica, psicológica, alcoviteira, janeite: 

  • Elizabeth Bennet não era bem uma plebeia, pois ela mesmo diz que era filha de uma cavalheiro, mas não tinha relações com a nobreza, como também ficou claro. Mas se eu te perguntasse com qual princesa você gostaria de se parecer, você optaria por: 
  • Cinderela?
  • Branca de Neve?
  • Ariel?
  • Jasmine?
  • Elizabeth Bennet?


  • Mr. Darcy não era um príncipe, mas era da nobreza e quem que tenha lido o livro e esteja a procura de um príncipe encantado, não gostaria de algo como:
  • Príncipe Felipe (A bela adormecida)?
  • Príncipe Eric (A pequena sereia)?
  • O príncipe encantado de Branca de Neve?
  • Príncipe Charles (herdeiro ao trono inglês)?
  • Mr. Darcy?


    Pelas suas respostas (que eu sei quais foram sem que você me diga, não me pergunte como), não ficaram dúvidas que Darcy e Lizzie formam mesmo um casal real (no duplo sentido)!

    Aqui está o meu vídeo, espero que se divirtam, voltando a ser garotinhas sonhadoras... 

     Aqui, o vídeo original do filme da Barbie pra quem quiser ver:
Bons sonhos, a qualquer hora do dia!!!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Mr. Darcy e o susto em Pemberley - (Reencontros - parte final)

     Acho que esse reencontro é um dos mais memoráveis das obras de Jane Austen. Um reencontro bem "saia justa". Para Elizabeth Bennet constrangedor  e o "pobre" (no sentido de indefeso, claro) Mr. Darcy, que jamais imaginaria encontrar Lizzie ali em sua propriedade, todo sem graça tentando ser um excelente anfitrião. Um verdadeiro susto para os dois, mas relevante para o desfecho da estória. É muito bonito ouvir Lizzie dizer: - Mr. Darcy!!! Não sabendo onde se esconder, como se explicar, tentando disfarçar o rubor da face e ainda se recompor, ainda mais Lizzie que amava andar pelo campo toda descontraída, deve ter sentido que aquele encontro foi mesmo "fora de hora". Hummmm... acho que foi mesmo no momento exato; um luxo literário!!!

    "...Enquanto atravessavam a relva em direção ao riacho, Elizabeth voltou-se para tornar a ver a casa; sua tia também se detivera, e, enquanto a primeira fazia conjecturas sobre a data em que o edifício, fora construído, o proprietário em pessoa surgiu de súbito na alameda que conduzia às cocheiras, do outro lado da casa.

    Encontravam-se a cerca de vinte jardas um do outro, e o seu aparecimento fora tão repentino que se tornara impossível a Elizabeth esconder-se. Os seus olhares imediatamente se cruzaram e ambos coraram de modo intenso. Ele teve um sobressalto e por momentos a surpresa paralisou-o; mas, voltando imediatamente a si, adiantou-se para o grupo e dirigiu-se a Elizabeth, senão com uma calma absoluta, pelo menos com uma amabilidade sem limites.

    Elizabeth, que se virara instintivamente, ao vê-lo aproximar-se, deteve-se e recebeu os seus cumprimentos com um embaraço impossível de dominar. Se a sua aparência, a princípio, ou a sua semelhança com o retrato que tinham acabado de examinar não bastassem para o Sr. e a Sra. Gardiner perceberem que se encontravam perante o Sr. Darcy em pessoa, a expressão de surpresa do jardineiro ao ver o seu patrão teria sido suficiente para o revelar.

     Conservaram-se um pouco afastados, enquanto ele conversava com a sua sobrinha, e esta, atônita e embaraçada, mal ousava levantar os olhos e respondia inconscientemente às perguntas de cortesia que ele lhe fazia sobre a sua família.

     Extremamente surpresa com a alteração dos seus modos desde a última vez que o vira, cada frase que ele pronunciava aumentava ainda mais a sua confusão; e tomando de novo consciência de toda a inconveniência de ele a encontrar ali, os poucos minutos em que estiveram juntos tornaram-se os mais penosos da sua vida. Também ele parecia não estar muito à vontade. Enquanto falava, o tom da sua voz não aparentava a firmeza habitual; e as perguntas várias vezes repetidas de quando ela saíra de Longbourn e por quanto tempo se demoraria no Derbyshire, assim como o atropelo com que ele as pronunciava, tornavam evidente quão distantes os seus pensamentos andavam.

     Por fim, nada mais encontrou para dizer; e, após ter permanecido alguns momentos sem dizer palavra, o Sr. Darcy voltou de súbito a si e despediu-se.(...) (J. Austen, "Orgulho e Preconceito" - cap. XLIII)


Versões da obra em vídeo:

     A de 1980, achei um pouco fraca. Lizzie pareceu assustada mas acho que faltou aquela surpresa típica de se encontrar alguém inesperadamente. Já Mr. Darcy nessa versão é quase um robô e nessa cena  ele só sabe fazer um gesto (que não parece ser de surpresa), tirar a cartola. Básico!
        
     A de 1995 é um "loosho"! Embora a cena do lago não esteja na obra, concordo que foi muito bem elaborada. Mostrou um Mr. Darcy que chega de viagem cansado e feliz por estar em casa  e aproveita para dar um rápido mergulho no lago de sua propriedade. Dá ênfase também ao seu descontentamento no plano sentimental quando senta-se para afrouxar o colarinho e faz uma breve contemplação do horizonte, como se pensasse na vida. Que outros problemas teria ele se não fosse os do coração? É algo como se as árvores dissessem: ele nem imagina quem vai encontrar em poucos minutos... Lizzie também foi ótima! Ao mesmo tempo que se mostra surpresa, tenta disfarçar o constrangimento por ver Mr. Darcy em "trajes menores" (digamos que pra época, aquela camisa branca era "underwear"). As perguntas repetidas que Darcy faz a Lizzie quando a vê e todo aquele diálogo inibido e polido entre os dois é excelente. A melhor!
     
     A versão de 2005 também gostei. Foi uma tomada diferente, onde Lizzie vê o irmão amoroso que é Darcy e se envolve com a música que vinha do piano de Georgiana. Eu, sou suspeitississsisssima (como dizia o Chaves) pra falar, pois amo música,  amo o piano e acho o máximo a trilha sonora dessa versão, mas também gostei quando ela foi descoberta por Mr. Darcy e ficou toda embaraçada tentando se explicar e os dois falando ao mesmo tempo... Cena linda! Bem graciosa e romântica:
    O que também me faz gostar demais desse reencontro tanto no livro, (claro que aqui a gente só imagina) como nessas três versões, é o cenário (lugar) onde ele acontece: maravilhoso! Tanto para as cenas externas como nas internas! Nem em Paris seria tão romântico, afinal, Pemberley, é Pemberley!

sábado, 23 de novembro de 2013

Mr. Darcy reaparece...o reencontro embaraçoso - (Reencontros parte 4)

     Não dá pra negar que o reencontro que Elizabeth Bennet teve com Mr. Darcy depois de perceber seus sentimentos tão diferentes foi bem embaraçoso. 
   Tudo o que acontecera nas últimas semanas só pode contribuir para que Lizzie admirasse Mr. Darcy ainda mais:

  • Os belos encontros em Pemberley, enquanto esteve viajando com os tios.
  • A descoberta do que Darcy fizera para casar Lydia com Mr. Wickham, livrando a irmã e a família da desonra.
  • O medo de como ele a trataria. Será que os sentimentos de Mr. Darcy para com ela ainda eram os mesmos?

    
     Elizabeth sentia agora o peso do arrependimento. Saber que aquele que agora ela tanto admirava e amava já havia lhe feito uma proposta de casamento e sido rejeitado?! A esperança de que uma segunda proposta fosse feita era remota, mas Lizzie tinha a certeza de que agora, só isso lhe faria realmente feliz!

(...) Mas Elizabeth, para contentar a mãe, foi até a janela, olhou e, vendo que Mr. Darcy vinha em companhia de Bingley, voltou a se sentar ao lado da sua irmã.
— Vem outro cavalheiro com ele, mamãe — disse Kitty. — Quem será?
— Deve ser um conhecido dele, meu bem, mas não sei quem é.
— Ora, parece aquele homem que já esteve aqui com ele uma vez.
Mr..., como é que ele se chama? Aquele homem alto, orgulhoso...
- Mr. Darcy?  E é mesmo... Bem, qualquer amigo de Mr. Bingley será sempre bem recebido. Mas devo confessar que odeio aquele homem.
  Jane olhou para Elizabeth com surpresa e inquietação. Jane pouco sabia a respeito dos encontros que a irmã tivera com Mr. Darcy no Derbyshire. Supunha portanto, que a irmã se sentiria muito embaraçada ao vê-lo depois da carta explicativa que recebera da sua parte. 
     As duas irmãs se sentiam bastante embaraçadas. Cada uma delas sentia pela outra e naturalmente por si própria. Mrs. Bennet continuou a falar sobre a antipatia que tinha por Mr. Darcy. E repetiu que estava disposta a tratá-lo amavelmente apenas porque era um amigo de Mr. Bingley. Mas as suas palavras não foram ouvidas por nenhuma das suas filhas. 
     Elizabeth tinha motivos de inquietação de que a sua irmã não suspeitava, pois nunca tivera a coragem de mostrar a Jane a carta de Mrs. Gardiner nem de lhe revelar a mudança dos seus sentimentos para com MrDarcy. Para Jane ele continuava a ser o homem cujas propostas ela tinha recusado, e cujas qualidades ela subestimara. Mas para Elizabeth, que possuía outras informações, ele era a pessoa a quem toda a família devia o maior dos benefícios, e a quem ela própria votava uma afeição, se não tão terna quanto a que Jane dedicava a Bingley, pelo menos tão razoável e tão justa. 
     A surpresa causada pela vinda dele a Netherfield e a sua visita a Longbourn, onde vinha espontaneamente para vê-la, era quase tão forte quanto a que sentira ao perceber a transformação que se tinha operado nele no Derbyshire.
   As cores que tinham desaparecido do seu rosto tornaram a voltar com maior intensidade e um sorriso de prazer deu maior fulgor ao brilho dos seus olhos, durante alguns minutos; e disse a si mesma que provavelmente os sentimentos de Darcy continuavam inalterados. No entanto não queria se precipitar. "Vamos ver primeiro como ele me trata", disse ela para si mesma. "Antes disso não convém ter esperanças."
     (...) Sem ser descortês, Elizabeth falou o menos possível. E voltou ao seu trabalho com um afinco que poucas vezes lhe dedicava. Ela arriscara apenas um olhar para Darcy. A expressão dele era tão grave como de costume. (...)
    Darcy, depois de perguntar por Mr. e Mrs. Gardiner, pergunta a que Elizabeth não pôde responder sem um certo embaraço, quase mais nada falou. Não estava sentado perto de Elizabeth; talvez fosse este o motivo do seu silêncio. Porém no Derbyshire não procedera daquele modo. Lá, ele tinha palestrado com os amigos de Elizabeth, quando não o podia fazer com ela própria. Agora decorriam vários minutos sem que se ouvisse o som da sua voz. E quando, às vezes, incapaz de resistir a um impulso de curiosidade, Elizabeth levantava os olhos e procurava o seu rosto, via que ele olhava tanto para Jane como para ela própria, e ficou desapontada e depois zangada consigo mesma por ter cedido àquele
sentimento. "Podia eu esperar que fosse de outro modo?", exclamou ela para si própria. "Mas, se é assim, para que então ele veio?"
   Ela não se sentia disposta a conversar com ninguém, a não ser consigo mesma. Faltava-lhe quase completamente a coragem para falar com Mr. Darcy. Perguntou pela irmã dele. Foi o máximo que conseguiu de si mesma.(...) Elizabeth não ousou levantar os olhos. Não sabia portanto, qual a expressão do rosto de Mr. Darcy.
— É uma coisa muito agradável ter uma filha bem casada — continuou Mrs. Bennet —, mas ao mesmo tempo, Mr. Bingley, é muito duro a gente se separar de uma filha. Eles foram para New Castle. (...) Graças a Deus ele tem alguns amigos, embora talvez não tantos quanto mereça. Elizabeth, que sabia que isto era dirigido a MrDarcy, sentiu tal vergonha e confusão que por pouco não se levantou e fugiu. (...)
Em seguida partiram.
     Mrs Bennet estivera fortemente inclinada a convidar os dois para jantar naquele mesmo dia. No entanto, embora tivesse sempre uma mesa muito boa, julgou que um jantar de menos de dois serviços não seria digno de um homem no qual tinha tantas esperanças, nem suficiente para satisfazer o apetite e o orgulho de outro que possuía dez mil libras de renda por ano. (Jane Austen - "Orgulho e Preconceito" cap.LIII)

        E as versões em vídeo?
   A adaptação de 1980, nos mostra uma Elizabeth assustada ao saber que Mr. Darcy estava junto com Bingley na visita. 
    Eram só olhares "com o rabinho dos olhos"! Mas um detalhe é muito bom nessa versão; são as irmãs Bennet juntas torcendo pra sair algum casamento!


   Na versão de 1995 a mesma situação desconfortante quando Lizzie descobre a presença de Mr. Darcy. Acho que há um enfase maior entre a troca de olhares entre os dois pombinhos. Mr. Darcy se mostra um tanto indiferente e deixa Elizabeth confusa...

     A versão de 2005 também é ótima. Lizzie Se mostra tensa, desviando a conversa pra tentar disfarçar a mediocridade da mãe. Apesar de Mr. Darcy se manter em sua postura, a troca de olhares também é um tempero extra nessa cena.

     Lizzie, apesar de ter uma personalidade positiva, continua sem saber se deve ter esperanças ou não. Ela terá que rever mais uma vez seu preconceito em relação a Darcy e esperar que ele passe por cima de seu orgulho (digo aquele orgulho natural de um homem  que já fora rejeitado) e esperar (até mesmo sem esperanças) uma segunda proposta.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mr. Darcy não era orgulhoso!!! A culpa era do colarinho!!!

     Acho que descobri um segredo que nem Jane Austen sabia!?!???!!!!!!??????
     Em nenhuma ocasião, Mr. Darcy foi orgulhoso. A culpa era do colarinho!!!
Isso mesmo!!! Do COLARINHO ENGOMADO!!!
    
     Segundo a moda masculina da época* os homens nobres e abastados utilizavam o colarinho engomado da camisa, quase sempre com as pontas viradas para cima, perto do queixo e firmadas por um lenço amarrado em redor do pescoço e isso lhes dava dificuldade em virar  de um lado para o outro fazendo com que tivessem sempre a cabeça erguida e o ar pomposo, fazendo o estilo Dândi.
     Minha conclusão é que isso era proposital, para que eles mantivessem um ar arrogante como quem não "tá nem aí" com ninguém. Percebi que Mr. Darcy foi muuuiito incompreendido, tadinho,  julgado mal, desde o início, mas lá no fundo do colarinho, sempre teve bom coração, o moço...
     Posso me explicar melhor:

  • Quando disse que Elizabeth não era suficientemente bonita para lhe tentar, com certeza a culpa não era de todo dele pois, como tinha dificuldade em virar o pescoço (por causa do COLARINHO), não havia reparado direito nela, depois de um tempo, pode olha-lá melhor frente a frente e então notou sua beleza.
  • Quando lhe fez a primeira proposta e disse aquele monte de "asneira" que ofendeu tanto Lizzie, é claro que a culpa foi do COLARINHO ENGOMADO, se pudesse virar mais o pescoço, perceberia o quanto Mrs. Bennet só pensava no bem  das filhas e que aquele comportamento "singular" das irmãs Bennet mais novas era só um "pequeno momento de tolice".
  • Mesmo quando disse a Mr. Bingley que Jane lhe era indiferente a culpa só pode ter sido do COLARINHO que não lhe permitia observar todos os detalhes dos "pombinhos", com certeza Jane deve ter demonstrado sua afeição.
     Mas... no momento em resolveu afrouxar o colarinho...
     Parece que as idéias tomaram luz...
      E tudo ficou muuuiiito mais fácil!!!
    
     Não disse?? A culpa era do colarinho engomado!     Pobre Darcy...
        Alguém discorda?!?!?!?

*mais detalhes "A moda no período Neoclássico", nos próximos post's.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dançando com Mr. Collins - O baile de Netherfield - parte final

   
     Essa foi pra contrabalancear! Explico: Para o baile de Netherfield, Elizabeth só tinha um própósito: Estar com Wickham. Sendo assim, concluímos que ela queria mesmo era dançar com Wickham e mais ninguém.
Lizzie e Wickham dançando em casa de
amigos, logo que se conheceram
     Foi pensando nisso que ela se "embonecou" e fez todo seu "make up", mas... o que ela não pretendia, sem sombra de dúvida era:
  • dançar com Mr. Darcy (aliás, já havia prometido que não faria isso)
  • dançar com Mr. Collins (pior ainda)

    A primeira, Elizabeth aceitou meio que sem pensar e foi tudo aquilo que a gente já sabe, sem contar que para nós leitores, foi A DANÇA! QUE ROMÂNTICO!!!

Lizzie e Darcy em P&P - 1995
Baile em Netherfield
    A segunda, Elizabeth não teve escolha e Mr. Collins, muito convencido de suas qualidades, já confundiu um SIM para uma dança com a certeza de um SIM para a proposta de casamento que pretendia lhe fazer, achando que Lizzie jamais recusaria tal pedido pois dessa forma seria herdeira da propriedade do pai juntamente com ele, mas... QUE ENGANO!!!

     Que tal lembrarmos as versões de 1980/1995/2005, pra escolhermos qual foi o melhor, ou sei lá, o pior, ou quem sabe o mais cômico Mr. Collins "bailarino"? 

    A de 1980, com um Mr. Collins que parecia dançar quadrilha:
    Eu fico com o Mr. Collins da versão de 1995, pra mim, foi o mais pateta...coitada de Elizabeth...
    E aqui a de 2005, com um Mr. Collins dando uma de D. Juan ou quem sabe Paulo Ricardo com seu "Olhar 43":
     Mas na visão de Elizabeth, poderiamos representar essas "três" DANÇAS ANTAGONISTAS em :
  • Mr. Wickham - A desejada
  • Mr. Darcy - A inesperada
  • Mr. Collins - A suportada

     E aos nossos olhos de humildes leitores (que não temos nada a ver com isso e quem somos nós pra dar palpite ou conselhos à inteligente e decidida Elizabeth):
  • M. Wickham - A inviável
  • Mr. Darcy - A imperdível
  • Mr. Collins - A necessária


     É queridos, temos que admitir sem falsa modestia, que dessa vez, nós leitores estávamos com a razão! O baile pode não ter sido aquela noite deslumbrante para Lizzie e Jane, mas com certeza foram esses desencontros que resultaram nos lindos encontros de finais felizes.
    Será que muitas vezes isso não acontece em nossas vidas??? A ficção copia a vida!!!

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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Beethoven e Mr. Darcy

     Com certeza alguém vai ler o título outra vez, pois parece ser algo "nada a ver", a primeira impressão é como aquela antiga música do Legião Urbana, "Eduardo e Mônica", quem se lembra? Eles pareciam não ter nada em comum , mas tinham muito em comum! É o caso desses dois.

     Um inglês e outro alemão
   Um escrevia cartas muito bem, o outro partituras melhor ainda.
     Às vezes seguiam a moda igualmente, com largas costeletas e uma certa "franja" desgrenhada.
    Em outras ocasiões, mais valia um cabelo com certo ar de rebeldia
      Um era um Maestro e outro um Gentleman.
     
     Me explico: Jane Austen e Ludwig van Beethoven foram contemporâneos!
    Jane nasceu em 1775, Beethoven em 1770, os primeiros manuscritos de "Orgulho e preconceito" (que primeiramente levavam o título de "Primeiras impressões" foram datados de 1797, tendo Mr. Darcy 28 anos na época (como nos conta a própria obra) ele deve ter nascido com cerca de um ano de diferença de Beethoven. 
   Jane Austen faleceu muito nova, em 1817, Beethoven, cinco anos mais velho, durou ainda mais dez anos e faleceu em 1827, mas é fato: Beethoven alcançou fama ainda em vida  e sua música se expandiu por toda a Europa, Jane Austen por sua cultura, deve ter admirado o maestro e ouvido muito sua música.   
                     
     Fato importante: Jane Austen não é considerada uma escritora romântica e nem Beethoven um  compositor romântico, embora muitos imaginam que a obra do maestro tenha esse aspecto. 
  Beethoven assim como Jane foram "Pré-românticos", pois o romantismo foi um movimento da literatura, música, filosofia que durou de 1800 até 1850 (ou ainda um pouco mais), mas verdadeiramente, os grandes compositores do romantismo (Schubert, Chopin, Liszt...), estavam nascendo quando os livros de Jane Austen foram então publicados, isto é, o movimento romântico  veio mesmo tomar força quando Jane já estava em seus últimos anos de vida.
    O que é importante saber, é que a música de Beethoven foi tocada e admirada nos salões e entre as belas moças ao piano. 
   Ambos foram precursores para os vindouros românticos,  tanto na literatura como na música, sendo assim, é notório que Mr. Darcy que viveu na mesma época, seguia os padrões de moda que o músico também seguia. Reparem no lenço do pescoço, casaco, cabelo, costeletas e porque não citar que as namoradas do maestro tinham a mesma idade e aspecto de outras mocinhas da época assim como Jane e Elizabeth. 
     Consta que Beethoven teve uma amada e manteve isso em segredo. Até hoje esse fato é um ponto de interrogação. Muitos dizem que foi Elise, pois compôs a famosa música "Für Elise", (aquela que tragicamente colocaram no caminhão de gás que passa nas ruas), outros dizem que foi escrito em gótico e a tradução na verdade é Therese e a coisa por ai vai, mas se você quer saber sobre a vida de Beethoven e gosta de filmes de época, exatamente a época em que Jane Austen viveu, recomendo mesmo "Minha amada imortal" (Immortal beloved-1994).

    As vestimentas, as carruagens, como o povo vivia, as barbáries das batalhas de Napoleão, ... 
...as mesmas dificuldades em um casamento sem fortuna, como quando Beethoven pede a mão de Julia em casamento (observe na legenda, o que diz o pai),
e ainda saber sobre esse mistério através de seu amigo, que após sua morte encontra uma carta  onde Beethoven fez um testamento deixando a fortuna para sua amada imortal, 
e ele tenta a todo custo encontrar a mulher para qual ela foi endereçada. 
    A foto abaixo é uma captura de tela onde Beethoven ainda jovem , mas já surdo, toca a bela "Sonata ao luar" com os ouvidos colados ao piano para sentir as vibrações dos sons, pois não podia ouvir, fato verídico.
                           
     O papel de Beethoven (em uma interpretação excelente), é do inglês Gary Oldman,

Com Coliin Firth, atualmente. 
      Recomendo pois acredito ser uma lacuna não conhecer mais sobre esse grande mestre da música e sobre sua vida sofrida. Já foram feitos outros filmes sobre a vida de Beethoven, sempre com grande dose de ficção (como esse) e sempre estão à procura dessa "amada", mas acho que vale a pena pelos fatos históricos, a relação com o pai, com o sobrinho, sobre a surdez, e a gente sabe que é realmente muito difícil uma biografia não ser romanceada. O mais importante é perceber como alguém com tantas dificuldades pode compor obras tão magníficas e romper barreiras com sua inteligência e brilhantismo?!
Gary Oldman como Beethoven em "Minha amada imortal" - 1994
     E essa foi minha associação: 

  • Fitzwilliam Darcy, o bom rapaz culto, rico, bonito que se casa com a heroína Elizabeth Bennet, faz o sonho de muitas...mas fictício. 
  • Ludwid van Beethoven, uma vida difícil, atribulado, cheio de altos e baixos, surdo desde os 25, não se casa com a mulher que ama, mas real e mais real ainda é sua música, que igualmente faz sonhar a muitos...MARAVILHOSA!!! 

    Para quem não conhece as obras, como Jane Austen certamente conhecia, recomendo começar ouvindo essa pequena listinha (tenho a certeza que você vai amar):
"Sonata ao luar"
"Para Elisa"
"Sinfonia nº 6 - Canto os pastores"
"Sinfonia n° 9 - Ode à alegria"
e a famosa "Sinfonia n° 5"  (isso é só o comecinho...)

    Desafio cultural: que tal ler uma obra de Jane ouvindo Beethoven ao fundo, já experimentaram esse deleite? Então testem e depois me contem.
Fotos:
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