Mostrando postagens com marcador Marianne Dashwood. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marianne Dashwood. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de julho de 2014

"Razão e sensibilidade" - A música como forma de aproximação nas obras de Jane Austen - parte final


"...Marianne tocou ao piano todas as músicas preferidas que costumava tocar para Willoughby, cantou todas as árias em que suas vozes soavam perfeita e alegremente unidas...."

     Em "Razão e Sensibilidade", Jane Austen nos mostra uma heroína talentosa com a música. Marianne era excelente pianista, cujas interpretações eram admiradas por todos. O piano, era para ela um companheiro e nos momentos de desapontamento em que passou com Willoughby foi seu amigo, fazendo da música um grande consolo.



Marianne achava que a música não tinha muita influência sobre Edward...
      - Talvez - confessou Marianne - eu tenha recebido essa notícia com alguma surpresa. Edward é muito querido e eu o amo com ternura. No entanto... há alguma coisa que lhe falta... Sua aparência não é impressionante; ele não tem aquele encanto que eu esperava no homem destinado a ligar-se seriamente a minha irmã. Falta em seus olhos todo aquele espírito, aquele fogo que ao mesmo tempo revela virtude e inteligência. E, além de tudo isto, tenho medo, mamã, que ele não tenha bom gosto. A música parece exercer pouca atração sobre Edward e, se bem que ele admire muito os desenhos de Elinor, não se trata da admiração de uma pessoa que pode entender seu valor. (pág.10)


...e ainda pensava que a música era uma espécie de sintonia entre os casais...
     Eu não poderia ser feliz com um homem cujo gosto não coincidisse com o meu em todos os pontos; ele precisará participar dos meus sentimentos; os mesmos livros e as mesmas músicas deverão encantar a nós dois. (pág.10)


Talvez pelo mesmo motivo (pela falta de interesse do marido) a Lady Middleton abandonara a música depois de casada...
   Nessa noite, como alguém comentasse que Marianne estudara música, ela foi convidada a tocar. O piano foi aberto, todos se prepararam para ficar encantados e Marianne, que cantava muito bem, foi solicitada a tocar e cantar as músicas que Lady Middleton havia trazido para aquela casa ao se casar e cujas partituras tinham permanecido na mesma posição em que as colocara no instrumento, pois a anfitriã celebrara o casamento abandonando a música; no entanto, de acordo com as afirmativas de sua mãe, ela tocava muito bem e, segundo a própria Lady, gostava muito de tocar. (pág.20)



Marianne foi admirada por Sir John e Coronel Brandon por seus dotes musicais...
    A performance de Marianne foi aplaudida com entusiasmo. Sir John expressava sua admiração em altos brados cada vez que uma canção terminava e conversava em voz bem alta durante a execução de cada uma. Lady Middleton o repreendia a todo instante, comentando não entender como a atenção de alguém podia desligar-se da música por um momento que fosse e pedia a Marianne que cantasse determinada canção quando ela acabara de cantá-la. Apenas o coronel Brandon ouvia atento o tempo todo, sem demonstrações exageradas, e oferecia a Marianne o cumprimento da atenção, fazendo com que ela o respeitasse em meio aos outros, que evidenciavam uma vergonhosa falta de bom gosto.(pág.20)



A admiração do Coronel Brandon por Marianne era ainda maior por sua interpretação musical. A sintonia de gostos que ela almejava num casal, ele já estava certo de ter encontrado junto dela...  
     O prazer que ele demonstrava ao ouvir música, se bem que não fosse aquele êxtase encantado que pertencia apenas a ela, tornava-se precioso em contraste com a horrível insensibilidade dos outros, e Marianne era razoável o bastante para reconhecer que um homem com trinta e cinco anos podia ainda ter sentimentos profundos e admirar coisas lindas a ponto de se emocionar.(pág.20)


Marianne se encantou ainda mais quando Willoughby se declarou apaixonado por música...
    Willoughby... aparência de cavalheiro perfeitamente bem-educado ele unia franqueza, vivacidade e, acima de tudo, quando declarou que era apaixonado por música e dança, Marianne endereçou-lhe um olhar de aprovação tão profundo que garantiu para si a atenção dele em todas as demais conversas que decorreram durante a visita.(pág.27)


...e outras afinidades entre Marianne e Willoughby...
     Com grande rapidez descobriram que o gosto pela dança e a música era mútuo, o que fez com que nascesse uma conformidade geral de julgamento em tudo que se relacionasse a essas diversões.(pág.27)

    O convívio deles foi-se tornando aos poucos o prazer mais importante para ela. Liam, conversavam, cantavam juntos; o talento musical de Willoughby era considerável e ele lia com a sensibilidade e emoção que, infelizmente, faltava a Edward.(pág.28)

...a música e o piano unindo ainda mais o jovem casal...
      Muitas observações, então, foram feitas a respeito da chuva pelos dois. Willoughby abriu o piano e pediu a Marianne que fosse sentar-se a ele, o que fez com que diferentes pessoas se desinteressassem do tema, que caiu por terra. Mas não foi fácil para Elinor recuperar-se da agitação que despertara nela.(pág.35)



...o piano trazendo as lembranças de Willoughby...
  A tarde passou naquele mesmo clima de sensibilidade profunda. Marianne tocou ao piano todas as músicas preferidas que costumava tocar para Willoughby, cantou todas as árias em que suas vozes soavam perfeita e alegremente unidas. Houve momentos em que permaneceu imóvel como uma estátua, fitando perdidamente as linhas das músicas que ele havia escrito para ela, até que seu coração ficou tão pesado que seria impossível suportar mais tristeza.

...e continuou nos dias em que se seguiram...
   Esse constante alimentar da dor profunda continuou nos dias seguintes. Marianne passava horas ao piano, chorando e cantando alternadamente, a voz em certos momentos completamente afogada por lágrimas. Também nos livros, como na música, ela provocava um sofrimento intenso e profundo comparando os contrastes entre o passado e o presente. Lia apenas e somente os livros que eles tinham lido juntos.(pág.48)




...a viagem a Londres, trazendo a possibilidade maravilhosa de adquirir novas partituras musicais...
    - Que maravilhas faria uma viagem desta família riquíssima a Londres! - acrescentou Edward. - Que dia feliz para os vendedores de livros, de partituras musicais, para os donos de lojas de artigos para pintores! A srta. Dashwood daria ordem para as lojas lhe enviarem toda novidade que aparecesse em matéria de telas, tintas e pincéis... Não haveria músicas suficientes em Londres para contentar Marianne, conheço bem a grandeza de sua alma, assim como livros!(pág.53)

...o piano nos momentos de irritação de Marianne...
    Lady Middleton propôs às demais que jogassem rubber. Nenhuma se opôs, a não ser Marianne que, com sua habitual falta de respeito às normas gerais da boa educação, exclamou:
- Minha cara Lady, a senhora sabe que tenho um bom motivo para recusar, uma vez que detesto baralho. Prefiro tocar piano; ainda não experimentei o seu desde que ele foi afinado. E, sem maiores cerimônias, ela dirigiu-se ao piano.
    Lady Middleton fez uma expressão que indicava estar agradecendo a Deus por jamais ter sido assim tão rude com alguém.
- Marianne não consegue ficar perto do seu piano sem tocar, a senhora sabe, Lady Middleton... - Elinor tentou suavizar a ofensa. - E eu a entendo perfeitamente, pois trata-se do melhor piano que já ouvi até agora.(pág.81)


...a eterna companhia...  
     Ao piano, Marianne empolgou-se com sua música e seus pensamentos, esquecendo-se de todas as pessoas que se achavam na sala, e o instrumento localizava-se muito perto das duas moças que trabalhavam. Então, a Srta. Dashwood concluiu que, com todo aquele barulho, poderia conversar com Lucy sobre o assunto que tanto a interessava sem que corressem o risco de serem ouvidas na mesa de jogo.(pág.82)


...a música animando os serões e unindo as pessoas...   
   Os acontecimentos da noite não foram importantes. Essa festa, como todas as outras noitadas musicais, reunia muitas pessoas que gostavam de fazer grandes performances, porém a maior parte delas não fazia, de modo algum, nada que pudesse ser de fato denominado performance. Os músicos eram, geralmente em sua própria opinião e na opinião de seus amigos mais chegados, os maiores artistas amadores da Inglaterra.(pág.142)


...dedicar-se à música e à leitura ajudaria esquecer Willoughby...
     ...Tenho a intenção de me levantar sempre antes das seis e dessa hora até o jantar pretendo dividir cada momento entre a música e a leitura. Planejei tudo e estou determinada a seguir um curso de estudo sério. Nossa biblioteca já é bem conhecida por mim para que eu a consulte para algo além de mero entretenimento. Mas existem obras que vale a pena ler, em Barton Park, e há outras, mais modernas, que sei que posso pedir emprestadas ao Cel. Brandon. Lendo apenas seis horas por dia, no decorrer de doze meses ganharei boa parte da instrução que desejo.(pág.196)

...a música lembrava Willoughby...
     Depois do jantar, Marianne sentou-se ao piano para tocar. Mas a partitura sobre a qual seus olhos pousaram foi a de uma ópera que Willoughby lhe comprara e que continha alguns de seus duetos preferidos; na capa, seu nome estava escrito com a letra do jovem cavalheiro. Isso já era demais! Ela balançou a cabeça, colocou a partitura de lado, dedilhou algumas teclas e, em seguida, reclamando de fraqueza nos dedos, fechou a tampa do instrumento - mas não sem antes declarar que no futuro iria praticar bastante.(pág.196)

     Em todas as obras de Jane Austen, não há outra heroína tão dedicada e movida sentimentalmente pela musica quanto Marianne em "Razão e sensibilidade". Ela percorreu com essa arte e com seu instrumento, todo o percurso de suas mais profundas vontades, decepções,  e realizações.

Fotos:
Adaptações de "Razão e sensibilidade" - 1981, 1995, e 2008.

sábado, 24 de maio de 2014

A música como forma de aproximação nas obras de Jane Austen - introdução


     Muitos comentaristas observaram que em todos os seus romances, Jane Austen usou a música como um elemento de aproximação entre os casais, mas essa arte também envolvia as personagens para uma certa liberdade ou fuga de sentimentos.

    Rapidamente, como introdução, podemos analisar dois exemplos de formas diferentes: 
Anne Elliot ("Persuasão"), e Marianne Dashwood ("Razão e sensibilidade"):
 

"...na música, que ela sempre tinha usado para se sentir sozinha no mundo...". ("Persuasão")

   


"...ela passou horas inteiras ao piano alternadamente cantando e chorando...". (Razão e sensibilidade")


     Deduzimos, que
Jane, (que refletia em suas obras aquilo que sentia, provava e vivia) tinha na música (tocada ou cantada) uma grande amiga!
  Nos próximos post's, abordaremos essas ocorrências com outras personagens, até mesmo com as masculinas, que parecem menos sensíveis. (Só parecem...).


Fotos: 
janeaustensworld.wordpress.com 
austencommons.net

sábado, 30 de novembro de 2013

Willoughby...o reencontro e a decepção - (Reencontros - parte 5)

       
        Sem sombra de dúvida, esse reencontro é um dos mais relevantes das obras de Jane Austen. Imaginar a menina romântica que faz de tudo pra se reencontrar com o rapaz que ama e o que é pior, imagina ser o príncipe encantado, um homem cheio de virtudes, o par perfeito, bem humorado, romântico, conhecedor de poesias e que de repente mostra ter um caráter totalmente avesso e a decepciona grandemente em tão poucos instantes.

  Essa passagem é crucial em "Razão e sensibilidade"! Marianne em um turbilhão de emoções e Elinor tentando fazer a irmã manter o controle, por ela mesma e por tantos que assistiam a cena. Incrível!!!

    Não sei se Jane Austen vivenciou algum tipo de reencontro assim, ou se chegou a saber que alguém tivesse passado por isso, observadora e perspicaz como era, mas o fato é que a descrição das reações de Marianne com o acontecimento são muito precisas para o tipo de personalidade que ela apresenta ter. Ela simplesmente não entende o comportamento de Willoughby, não pode acreditar que ele esteja agindo conscientemente sem que tenha havido algum problema de que ela não tenha tido conhecimento, ou talvez um mal entendido. Quando realmente percebe que ele tem outra companhia, quase perde os sentidos. É uma mistura de desilusão, tristeza, decepção e ainda a conclusão instantânea de que foi enganada em "360 graus". 
     

     (...) Tinham-se acomodado havia não muito tempo quando Elinor viu o sr. Willoughby em pé, a poucos metros delas, em animada conversação com uma jovem muito elegante. Os olhares deles encontraram-se e o cavalheiro cumprimentou-a com um aceno de cabeça, sem fazer nem sequer menção de ir falar com ela ou de se aproximar de Marianne, a quem talvez ainda não tivesse visto. Continuou conversando com a moça e Elinor voltou-se involuntariamente para Marianne, achando quase impossível que ela não visse Willoughby. Exatamente nesse momento Marianne percebeu-o e uma súbita alegria a fez resplandecer; ela teria ido para perto dele no mesmo instante, se a irmã não a segurasse.
- Santo Deus! - exclamou Marianne. - Ele está aqui... está aqui! Oh, por que não olha para mim? Por que não posso ir falar com ele?
- Por favor, peço-lhe, contenha-se! - implorou Elinor. - Não dê a perceber o que você está sentindo, diante de toda essa gente. Talvez ele ainda não a tenha visto.
No entanto, era difícil para Elinor acreditar no que dizia e, naquele momento, manter a compostura não só estava além das forças de Marianne, como também estava além dos desejos dela, que permaneceu sentada a custo; entretanto, a impaciência e agonia que sentia espelhavam-se em seu semblante.
Por fim, Willoughby voltou-se e olhou para as duas; Marianne levantou-se e, pronunciando o nome dele com afeto, estendeu-lhe a mão. O jovem cavalheiro aproximou-se, perguntando pela Sra. Dashwood e desde quando elas se encontravam na capital, dirigindo-se tanto a Elinor quanto a Marianne, como se quisesse evitar os olhos dela e estivesse determinado a não reparar em sua atitude. Elinor perdeu completamente a presença de espírito diante dessa inesperada atitude e viu-se incapaz de pronunciar nem uma palavra sequer. Mas sua irmã expressou tudo que sentia no mesmo momento. Com o rosto corado e a voz repleta de emoção, ela disse:
- Bom Deus! O que significa isto? Não recebeu minhas cartas? Por que não aperta a minha mão? (...)
- Não recebeu meus bilhetes? - perguntou Marianne, presa de grande ansiedade. - Há algum engano, tenho certeza... um terrível engano. O que significa tudo isto? Diga-me, Sr. Willoughby. Pelo amor de Deus, diga-me o que está acontecendo! Ele não respondeu, porém sua expressão modificou-se e novamente espelhou profundo embaraço. Mas como seus olhos encontraram os da jovem com quem estivera conversando, ele obrigou-se a se recuperar, com evidente esforço, e em seguida falou: - Sim, tive o prazer de ser informado de que as senhoritas se encontravam na capital, pelos bilhetes que tão gentilmente me enviou.
Nem mesmo havia terminado de falar, Willoughby fez um rápido cumprimento de cabeça e voltou para junto de sua amiga. Marianne, que se tornara terrivelmente pálida e sentia-se incapaz de continuar em pé, deixou-se cair em sua cadeira.
Elinor, esperando que ela desmaiasse a qualquer momento, procurava escondê-la da vista dos outros e, ao mesmo tempo, tentava reanimá-la com água de lavanda.
- Vá até o Sr. Willoughby, Elinor - pediu Marianne, depois que conseguiu recuperar a voz -, e obrigue-o a vir falar comigo. Diga-lhe que preciso vê-lo... que preciso falar com ele ao menos por um instante... Que não posso ter sossego... que não posso ter paz até que ele explique esse mal-entendido ou seja lá o que for. Por favor, vá agora!
- De que modo eu poderia fazer isso? Não, minha querida Marianne, você precisa esperar. Este não é o lugar adequado para explicações. Espere ao menos até amanhã.
Foi com muita dificuldade que Elinor conseguiu impedir que Marianne fosse falar com ele e tentou persuadi-la a disfarçar a agitação e a esperar, com aparente compostura pelo menos, até que pudesse conversar com o jovem cavalheiro em um ambiente de maior privacidade, o que provavelmente seria de melhor efeito. Era quase impossível consegui-lo, pois Marianne não parava de falar, em voz baixa, de sua infelicidade, de sua tristeza, de sua desgraça.
       Pouco tempo depois, Elinor viu que Willoughby se retirava do salão pela porta que dava para a escadaria.(...) (Jane Austen – “Razão e sensibilidade” – Volume II - cap.VI)


       As versões em vídeo:


    Pra ser realmente bom é claro que o primeiro requisito básico é ser fiel à obra. 
     A versão de "Razão e sensibilidade" de 1971 não me agrada muito. Marianne me parece mais uma garota mimada do que a jovem romântica que Jane Austen nos apresenta no livro. Nessa cena então, nem se fala. Que "barraco"!!! Jamais Marianne teria agido dessa forma há dois séculos atrás! Mesmo imaginando que a surpresa e a desilusão foram grandes naquele momento. Sem contar que a Srta. Grey me lembrou uma das irmãs "Cajazeiras" da antiga novela "O bem amado"; muito "feiozinha" e sem a classe de uma moça da sociedade.

     A versão de 1981 é bem feita, gostei muito dos atores escalados. Marianne se mostra bem surpresa e muito feliz em ver o antigo "namorado", mas não consegue entender a atitude dele. Esse Willoughby loiro é bem convincente também, diferente dos demais. As irmãs Dashwood também são muito bonitas. Gostei da cena.

   
     Na de 1995, Kate Winslet faz uma interpretação excelente para Marianne, mas não gostei muito de Willoughby, ele tem mesmo "cara de falso", não de irresponsável como nos faz compreender o livro; mas contudo, a cena é muito boa.


      Essa versão de 2007 é sem dúvida alguma minha preferida! A cena ao meu ver também é muito boa e bem fiel ao livro. Linda!

     Agora resta imaginar... Não deve ter sido nada fácil, mesmo para uma mulher atual, emancipada, em pleno séc. XXI e há duzentos anos atrás, em uma sociedade onde o casamento era o passaporte para a tranquilidade e felicidade em todos os sentidos? Isso sim é "desilusão amorosa". Ainda fico pensando...Será que Jane Austen passou por isso?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

As heroínas de Jane Austen foram à manicure.

     É claro que não foi de verdade, quer dizer, foi mais ou menos... Bem, foi um joguinho, uma brincadeirinha, pois sinceramente nem sou fã de esmaltes, mas quis fazer um passatempo pra quem conhece cada uma das heroínas dos livros de Jane Austen. Não coloquei todas, é claro, mesmo porque é legal equilibrar também as antagonistas, pra se ter melhor a ideia do jeito de ser das heroínas e notar melhor as diferenças, pois são muitas.
   Fiquei imaginando de quem poderiam ser essas mãozinhas...
    A modesta e recatada Fanny Price (Mansfield Park), preferiu usar só uma base.
    Anne Elliot (Persuasão) também não gosta de chamar muito a atenção (nem mesmo do Capitão Wentworth), achou que um rosa antigo seria a cor ideal.
   Elizabeth Bennet (Orgulho e Preconceito) escolheu um rosa champagne  feminino e jovial e aproveitou para ostentar o maravilhoso anel de noivado que recebeu de Mr Darcy.
     Jane Bennet (Orgulho e Preconceito) também quis mostrar seu lindo anel de   futura Mrs. Bingley e combinou usando um tom lilás bem suave.
    Elinor Dashwood (Razão e Sensibilidade) prefere algo básico, então optou por um tom de areia bem suave.
   Catherine Morlan (A abadia de Northanger) gostou dos desenhos nas unhas. Escolheu uma base com "poás"  rosa e amarelo.
    Emma Woodhouse (Emma) quis algo alegre e moderno e pediu um turquesa claro.
    Mary Crawford (Mansfield Park) é uma dama refinada e gosta de exibir suas mãos de "femme fatale" com lindas jóias e o tradicional vermelho "love that red".
   Miss Bingley (Orgulho e Preconceito) gosta de suas unhas mais longas (afinal não move uma palha) e optou pelo lindo cor de uva, combinando com a ametista do anel.
    Marianne Dashwood (Razão e Sensibilidade) também gosta de unhas longas, mas foi de "francesinha", jovem e delicado.
    Lydia Bennet (Orgulho e Preconceito) gosta de inovar. Um cinza claro com estrelinhas azuis é próprio de uma adolescente sonhadora e que vive no "mundo da lua".
  "Kitty" Bennet (Orgulho e Preconceito) achou o máximo saltear coraçõezinhos cor-de-rosa sobre uma base incolor, puro romance adolescente.

    O esmalte como conhecemos hoje em dia só foi comercializado a partir de 1920, sendo assim, as tais heroínas não tinham acesso aos tais vidrinhos coloridos. Já pensou se tivessem???
Fotos:
jewelryexpert.com
auntiestreasures.com
dianavincent.com
buydiamondrings.org
the-engagementrings.com
essrigs.com
wwwemitations.blogspot.com
best-handmade.com
creativenails.ru
kupon.tambo.ru

domingo, 22 de julho de 2012

O guarda-chuva nas obras de Jane Austen

     Depois de perceber que apesar de a Inglaterra ser um país chuvoso e que em muitas passagens nas obras de Jane Austen falou-se sobre chuva ou tempo chuvoso, nunca via ninguém utilizando guarda-chuvas... Não pode ser erro da produção. A coisa parece meio proposital. Todos pareciam ser adolescentes (preferiam ficar encharcados a carregar um guarda-chuva). Cadê aquele famoso charme inglês do guarda-chuva nos braços??? 

     Emma utiliza um modelo, mas é para proteção do sol, coisa que as mulheres já utilizavam desde meados do séc. XVII. 


     Exceção de Fanny que salvo o erro, em uma passagem tem o auxilio de alguém que lhe oferece um guarda-chuva,
     E na versão de 1995 de Persuasão, em que o Cap. Wentworth também usa um:

      






(Se alguém lembrar de outro aparecimento do guarda-chuva, me avise). Será que esse equipamento tão tipicamente inglês era algo desconhecido na época de Jane Austen??? 

      Jane foi até a casa dos Bingley caminhando (de certo que foi a mando da Sra. Bennet), mas não poderia ter levado um guarda-chuva, já que o tempo estava incerto??? Chegou pingando e resfriada. 


     Elinor vai ao encontro de Edward Ferrars com um manto sobre a cabeça pra se esconder da chuva. 
    Edward por sua vez, está sem proteção, todo molhado rachando lenha... 


    Anne Elliot (2007) também aparece se escondendo da chuva quando se encontra com o Capitão Wentworth, que por sua vez também está correndo de tal.
Mr.Elliot também entra depressa pra se proteger...
Tira o chapéu todo molhado e ainda continua com classe...
e os dois saem até encontrar a carruagem (na chuva).

Elizabeth sai correndo na chuva e atravessa uma ponte procurando abrigo...
Chega toda molhada...
e encontra Mr. Darcy, também do mesmo jeito.
    Catherine Morland e John Thorton enfrentam um tempo bem chuvoso durante um passeio "muito agradável" e nem uma carruagem com cobertura  ou guarda-chuva. 
     Marianne sai com Margareth para um passeio em um tempo "esquisito" e ninguém pegou um guarda-chuva. Ficaram todas encharcadas e isso pareceu normal. 

   Willoughby  também estava no mal tempo e encontra Marianne.











 Novamente, Marianne sai pelo tempo chuvoso e frio sem levar o bendito guarda-chuva, procurando Combe Magna. Já sabem no que deu... 












    Ah! E Coronel Brandon da mesma forma, sai como não existisse guarda-chuva. E não existia mesmo!

    Lembrando que algumas cenas na chuva colocadas nas adaptações das obras de Jane Austen não estavam exatamente assim nos livros e foram acrescentadas para criar mais emoção e romantismo (como a cena da primeira proposta de Mr. Darcy à Elizabeth) quem produziu não fugiu à verdade: o equipamento em questão, estava começando as ser comercializado justamente nessa época e era praticamente inacessível, por isso é que as heroínas de Jane Austen aparecem sempre se escondendo em algum lugar ou molhadas. 

   A origem do guarda-chuva é incerta, provavelmente na China, no séc. 11 a.C., sendo também comprovado seu uso em épocas semelhantes no Egito, Grécia e Índia, mas foi no Japão que ele foi difundido com lindos modelos e cores. 

 A princípio os guarda-chuvas não eram propriamente "guarda-chuvas", eram "guarda-sóis", pois eram utilizados para a proteção contra o sol e inicialmente foi projetado com fins religiosos. A própria palavra que deu origem ao nome em inglês "umbrella", veio da palavra de origem latina, umbra, que significa sombra e o modelo foi inspirado na copa de uma árvore, que oferece uma ótima sombra. 

    As mulheres francesas popularizaram o uso do guarda-sol durante o século XVII e XVIII, visto que a moda era uma pele branca como porcelana. Senhoras e senhoritas inglesas podiam ser vista em 1676 com guarda-sóis delicados, com rendas, eixos ósseos, brocados e alças feitas com metais preciosos e jóias. Tornou-se um item popular e imprescindível na moda do séc. XVIII. 

    Em meados do século XVIII, o filantropo Jonas Hanway foi o primeiro a usar um guarda-chuva (como o próprio nome diz) em público na Grã-Bretanha.
   Os primeiros eram feitos de seda oleada com pesadas molduras de madeira que tornava difícil o abrir e fechar quando molhados. 

   Inicialmente foi ridicularizado e tido como um acessório feminino, depois o acessório acabou por incorporar-se ao cotidiano dos britânicos, que até hoje não saem de casa sem carregar um guarda-chuva pendurado no braço e sem dúvida as intempéries do clima inglês garantiram o sucesso do equipamento. 

     Essa nova moda foi popularizada pelas casas de café, onde guarda-chuvas foram mantidos para clientes se abrigarem da chuva ao caminhar para suas carruagens. Foi durante este período que a distinção entre um guarda-sol e um guarda-chuva passou a existir. 

    Em 1930 os guarda-sóis femininos começaram a desaparecer, pois uma pele bronzeada tornou-se moda. 

   Ultimamente, tenho visto várias senhoras e até mesmo as mais moças, com suas "sombrinhas" abertas nos horários em que o sol é mais forte. Ninguém quer se arriscar a ter problemas com os raios ultravioletas e pelo jeito, parece que a moda está voltando, ou pelo menos ninguém mais se importa em ser chamado de antiquado. 
Fontes e fotos:
janeausteninvermont.wordpress.com
janitesonthejames.blogspot.com.br
lulabulle.neufdecoeur.com
myprideandprejudice.com
oakthriftumbrellas.com
historynetshop.com