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segunda-feira, 30 de julho de 2012

"North and South", agora é "Norte e Sul"

  Se alguém já sabia, me desculpe, mas me surpreendi em ver essa edição bilíngue inglês/português de "North and South" (Elizabeth Gaskell) da editora LANDMARK.
     O inglês do original é um tanto complicado para se ler, Jane Austen tem estilo e vocabulário diferente, mais suave, sem aqueles termos mais rudes falados no meio dos operários das fábricas. 
   Agora com a versão em português, dá pra conhecer melhor a obra de forma integral e não somente pela série em vídeo.
   Norte e Sul foi publicado como livro em 1855, mas já havia sido publicada inicialmente em 22 partes semanais como folhetim, na revista literária Household Words de propriedade de Charles Dickens.
  O livro é um romance social que retrata as divergências entre o norte industrializado da Inglaterra e o sul ainda rural. 
   Para a heroína Margareth Hale, o sul simbolizava a boa moral, a inocência e o decoro, enquanto o norte era violento, rude e sujo.
  É um romance que se passa em uma época marcada pela Revolução Industrial do séc. 19.
Fonte: aqui

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A beleza das heroínas de Jane Austen (parte 8)

"A beleza de Fanny Price"
   

"...parecia ter tanto medo de ser notada e elogiada como as outras mulheres têm medo de ser esquecidas." (Mansfield Park - cap. 21)

    Fanny Price é a mais polêmica das heroínas de Jane Austen, muitos até mesmo contestam esse título a ela. 
 Tadinha... Vejo Fanny como uma menina demasiadamente sofrida, tímida, introspectiva, sem coragem pra discordar de nada, (não que ela não tivesse sua maneira de ver a vida) até mesmo um tanto depressiva.
  Muitos leitores se irritam com o comportamento de Fanny e acham que um romance longo como "Mansfield Park" não merece uma heroína sem sal e sem açúcar como ela. Mas afinal: o que Jane Austen nos mostra com Fanny?
    Acredito que no quesito "beleza", Fanny  era  uma moça bonita, mas sua condição em casa dos Bertram, abafava sua beleza, até mesmo a interior. Não tinha muitas vaidades e sua timidez não deixava que ela fosse diferente, aliás, nem a timidez, nem Tia Norris, que fazia com que Fanny sempre lembrasse "onde era seu lugar", deixando claro que ela era inferior aos outros em seu redor. 


— Seu tio acha você muito bonita, Fanny — essa é que é a verdade... qualquer pessoa, menos você, havia de se ressentir por não ter sido achada muito bonita há mais tempo; mas a verdade é que seu tio até agora nunca a tinha admirado — e agora ele a admira. Sua pele está tão bonita! E você ganhou tanto em aspecto! E o seu porte — não, Fanny, não vire o rosto — é apenas um tio. Se você não pode suportar a admiração de um tio, que será de você? Você deve realmente ir se acostumando com a ideia de ser admirada. Deve se habituar a ser uma mulher bonita. 

— Oh! Não fale assim, não fale assim, exclamava Fanny, perturbada por sentimentos que ele não poderia adivinhar... (Edmund e Fanny - Mansfield Park)
Frances O'Connor, como Fanny, MP 1999

     Fanny Price, ao meu ver, é o oposto de Emma Woodhouse: enquanto Emma é rica, bonita, de excelente senso de humor, tem liberdade pra dizer o que quer, é admirada por todos e tem elevada auto-estima, Fanny é pobre, reservada, séria, não tem tempo para pensar em si, mostra muito pouco o que sente, tem medo de tudo o que fala, não tem liberdade no que diz, é humilhada e vítima de preconceitos e por conseguinte, tem sua auto-estima lá em baixo.
Sylvestra Le Touzel, como Fanny em MP 1983
     Jane Austen não nos mostra Fanny como  "Cinderela", a bela moça transformada em criada, Fanny era alguém comum, com atrativos que todos nós temos, uns mais, outros menos. Como é que a "pobrezinha" poderia tentar ser bonita, com as primas Maria e Julia consideradas muito melhores e com Mary Crawford, quase uma diva, admirada pelo primo que ela amava? Era batalha perdida.

     Aliás, esse tipo de "batalha" é bem semelhante em "Esposas e Filhas" (Elizabeth Gaskell), onde Molly observa sem ação, Cynthia, sua irmã (filha de sua madrasta), bela e devastadora de corações ficar noiva de Roger, a quem ela amava. Quieta e resignada, nada faz para que Roger perceba que Cynthia não será uma esposa adequada. Assim como Edmund, Roger no final, reconhece seu amor por Molly.
Molly e Roger
     Acho que qualquer um de nós na situação de vida de Fanny não conseguiria ser diferente. Apesar de tudo, ela sempre se mostra calma e lembra muito Anne Elliot, resignada, preocupada com os outros, de lado, desprezada, mas com belos sentimentos e um bom coração.
     Quanto à aparência física, imagino Fanny com os cabelos escuros como na versão de 1999 (embora não tenha gostado dessa versão; foge da obra verdadeira e é muito apelativa pra Jane Austen). Já a Fanny loira da versão de 2007 é um horror. Pra mim, nada a ver aquele cabelo com cara de descolorido e  a atriz Billie Piper não caiu bem no papel, sem contar que a versão também viaja...não é fiel à obra. 
Billie Piper como Fanny - MP 2007


     Acho que apesar de  ter os cabelos mais claros, a melhor Fanny é a de 1983, achei ela com todo esse aspecto de pessoa que faz tudo pra agradar e não consegue, sem contar que é a versão mais fiel ao livro.
    Bom, contudo, apesar de alguns até se irritarem pelo fato de que Fanny tenha se saído bem no final, acho que ela mereceu ter um final feliz, depois que quase todos, cheios de dinheiro e hipocrisia estavam quase desmoronados , Fanny ainda se conservava ali, com sua "tímida" beleza, que poucos conseguiram ver, além de Edmund Bertram.
fotos: serieuk.blogspot.com
         depoisdotrampo.com.br



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