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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Amigos são como o sol...

     
      Outro dia li em um caminhão:

"Amigos são como o sol, só aparecem em dia bonito".

      Achei interessante, mas concordo em partes. 
    Com a primeira parte da frase, estou de acordo; os amigos nos trazem alegria, aquecem nosso coração e nos enchem de luz, assim como é o amigo sol, mas depois da virgula...como assim, só aparecem em dia bonito? Isso não é coisa de AMIGO! 

     Amigo, no sentido real da palavra, aquele amigo de verdade, não um colega (ou intrometido que quer saber da sua vida e aproveitar sua churrasqueira ou sua piscina), vai estar presente todos os dias do ano, exatamente como o sol, pois nos dias nublados (falando da vida), vai estar ali, mas muitas vezes nossas NUVENS, CHUVAS, NÉVOAS etc., (penso ai, em nossos problemas), nos trazem dificuldade em enxergá-los, ou melhor, nossas NUVENS não nos deixam vê-los por perto.
     Ai me lembrei de Elizabeth Bennet...(Jane Austen - "Orgulho e preconceito")


  • Charlotte se casando com Mr. Collins, mas ainda sua amiga.
  • Jane longe de casa, em viagem, mas sua grande amiga.
  • Mr. Darcy longe, mas...com seu coração ligado ao dela.


    Mas para Lizzie, aqueles meses frios não lhe permitiam ver muito da alegria. Mesmo assim, ela a buscou...

Capítulo XXVII
""E sem maiores acontecimentos na família de Longbourn, janeiro e fevereiro, algumas vezes frios e não raro lamacentos, passaram sem outras diversões senão passeios ocasionais a Meryton. Março deveria levar Elizabeth para Hunsford. Ela não tinha encarado a princípio com muita seriedade a possibilidade de ir, mas Charlotte contava com ela e aos poucos Elizabeth se habituou a pensar na visita com mais interesse, bem como com mais certeza. A ausência aumentara o desejo de rever Charlotte e enfraquecia a sua repugnância por Mr. Collins. Havia também o sabor da novidade. E além disso, com a mãe que tinha, e irmãs tão pouco camaradas, a sua casa não seria um lugar muito divertido. Além do que a viagem lhe daria a oportunidade de se avistar com Jane. Em suma, à medida que o dia se aproximava, menos ela desejava adiar a partida... Ao plano primitivo acrescentou-se um novo detalhe: passariam a noite em Londres.
     Elizabeth sentia apenas ter de deixar o pai, que certamente sentiria a sua falta; e que, chegado o dia, se mostrou tão pouco satisfeito com a sua partida que recomendou à filha que lhe escrevesse e quase prometeu responder a sua carta. A despedida entre Elizabeth e Mr. Wickham foi perfeitamente cordial."

     E que belo desenrolar a esperava! 

   Então, ai vai a minha frase, como não tenho caminhão, mas tenho um blog, hohoho, a coloco aqui:

"Amigos são como o sol, não aparecem somente nos dias bonitos, quem for esperto, os verá".


domingo, 15 de junho de 2014

"Orgulho e preconceito" - A música como forma de aproximação nas obras de Jane Austen -parte 1


     "Orgulho e preconceito" é sem dúvida, a obra mais famosa de Jane Austen e por esse motivo não era de se espantar que tivesse tido mais músicas compostas para suas adaptações em filmes e séries. A trilha sonora da adaptação de 2005 é maravilhosa, e a da série de 1995 também não fica atrás! 
  Além da trilha, que é de suma importância no decorrer de uma cena, a música "real", digo, a tocada e vivida nos tempos de Jane Austen (e de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy) era de fato muito importante.
     Na cena acima, da adaptação de O&P de 2005, Lizzie afirma para Darcy que a dança é melhor do que a poesia em uma aproximação. 
      A música sempre nos foi (e é) importante! Quem não se lembra de algo quando escuta uma música? Ela mexe fortemente com nossas emoções! E "naqueles tempos", em que as pessoas tinham que ser apresentadas antes de dizer se quer "olá", era utilizada fortemente como forma de aproximação, principalmente entre os jovens. Lembra da cena em que Elizabeth Bennet aproveita sua vez na dança com Mr. Darcy para poder lhe dizer "umas"? 


     Há no livro, inúmeras situações de aproximação, conflito e impasse em que a música é a principal testemunha:


Charlotte Lucas para Lizzie
— Breve vai chegar a sua vez de ser provocada — disse Miss Lucas. — Eu vou abrir o piano, Eliza, e você sabe o que a espera.
— Você é uma amiga estranha; sempre querendo que eu toque e cante diante de todo mundo. Se a minha vaidade tivesse tendência musical, você seria preciosa, mas como este não é o caso eu preferia não me exibir diante de pessoas que estão habituadas a ouvir os melhores concertistas.
E como Miss Lucas insistisse, ela acrescentou:
— Muito bem. Se não há outro jeito...
E, olhando gravemente para Mr. Darcy, continuou:
— Há um velho provérbio que todos aqui naturalmente conhecem: "Guarde o seu sopro para esfriar o seu caldo". Eu conservarei o meu para cantar.(pág.28)


Lizzie e Mary
     A sua atuação como cantora foi agradável, embora de nenhum modo excepcional. Depois de uma ou duas canções, e antes que pudesse responder aos pedidos de várias pessoas que queriam ouvi-la novamente, Elizabeth teve de ceder o lugar à sua irmã Mary, que esperava com impaciência, pois, faltando-lhe todos os atrativos, estudara com grande aplicação e estava por-tanto sempre pronta a exibir-se...Embora não tocasse tão bem, Elizabeth agradou muito mais, graças à sua naturalidade...(pág. 28)

Mary e a música
     Mary não tinha talento, nem gosto. Embora a vaidade lhe tivesse dado perseverança, dera-lhe igualmente um ar pedante de maneiras convencidas, coisa suficiente para obscurecer triunfos maiores do que aqueles que era capaz de alcançar...Mary, depois de um longo concerto, pôde considerar-se feliz por alcançar alguns elogios graças a algumas canções escocesas e irlandesas que executou...Mr. Darcy ficou próximo a eles, cheio de silenciosa indignação, diante de uma maneira tão grosseira de passar a noite... (pág. 28)


Miss Bingley, sobre Georgiana
— Queria muito tornar a vê-la. Nunca encontrei uma pessoa tão encantadora. Que modos, que delicadeza... E como é prendada para a idade! Toca piano divinamente.(pág.41)
Georgiana abraçando o irmão (Mr. Darcy)
que lhe deu um piano novo como presente

Miss Bingley sobre a formação musical das mulheres

 - Nenhuma mulher pode ser realmente considerada completa se não se elevar muito acima da média. Uma mulher deve conhecer bem a música, deve saber cantar, desenhar, dançar e falar as línguas modernas, a fim de merecer esse qualificativo, e além disso, para não o merecer senão pela metade, é preciso que possua um certo quê na maneira de andar, no tom da voz e no modo de exprimir-se. (pág. 42)


A música aproximando o grupo e fazendo fundo às observações de Mr. Darcy
Finda esta ocupação pediu a Miss Bingley e a Elizabeth que executassem um pouco de música. Miss Bingley se dirigiu alegremente para o piano e, depois de um amável oferecimento a Elizabeth para que ela começasse, oferecimento que a outra rejeitou, com a mesma amabilidade e maior ênfase, sentou-se e começou. Mrs. Hurst cantou com a irmã e, enquanto isto, Elizabeth, que folheava cadernos de música que estavam sobre o piano, não pôde deixar de observar que os olhos de Mr. Darcy se voltavam freqüentemente na sua direção.(pág. 52)


O show de Mary (que ao invés de aproximar, repeliu as pessoas)

     ...Mas não durou muito tempo a sua tranqüilidade, pois acabado o jantar falaram em música. E ela teve a mortificação de ver Mary, depois de ligeira insistência, se preparar para responder ao apelo dos convidados. 

     Tentou, por olhares significativos e mudos apelos, impedir que a irmã desse essa prova de boa vontade. Mas em vão. Mary não compreendia os seus sinais. Uma tal oportunidade de exibir-se era-lhe deliciosa e ela começou a cantar... Ouviu as várias estrofes com uma impaciência muito mal contida, pois Mary, ao perceber entre os agradecimentos a sugestão de que ela pudesse ser instada a renovar o prazer que estava dando aos seus ouvintes, recomeçou a cantar, depois de uma pausa de meio minuto. 


     As forças de Mary não estavam absolutamente à altura de um tal feito; sua voz tornou-se fraca, seus gestos afetados...Olhou para Jane a fim de ver como é que ela suportava aquilo, mas Jane conversava discretamente com Bingley. Olhou para as duas irmãs e viu que elas faziam sinais uma para a outra, caçoando de Mary. Darcy continuava, porém, impenetravelmente grave. 


      Elizabeth olhou para o pai, a fim de suplicar a sua interferência, caso Mary se propusesse cantar a noite inteira. Ele compreendeu o gesto e quando Mary acabou de cantar pela segunda vez, disse, em voz alta:
— Isto basta, minha filha. Você cantou muito bem e nos deleitou a todos. Agora deixe as outras moças brilharem.

Mr.Collins, o aspirante

— Se eu tivesse a sorte de saber cantar — disse Mr. Collins —, estou certo de que teria o maior gosto de dar aos ilustres presentes o prazer de uma ária, pois considero a música um passatempo muito inocente e
perfeitamente compatível com a profissão de um sacerdote. Não quero afirmar entretanto que seja justo dedicar todo o nosso tempo à música, pois existem, é claro, outros deveres. (pág. 97)

Lady Catherine de Bourgh, sobre a formação musical de Elizabeth

Sabe tocar piano e cantar, Miss Bennet?
— Um pouco.
— Então, um dia destes precisa nos dar este prazer. O nosso instrumento é dos melhores. Provavelmente superior ao... Precisa experimentá-lo qualquer dia. As suas irmãs também sabem tocar e cantar?
— Uma delas sabe.
— Por que as outras também não aprenderam? Deviam todas saber música. As senhoritas Webbs todas sabem tocar. E o pai delas não tinha tanto rendimento quanto o seu. Sabe desenhar?
— Não, senhora.
— O quê? Nenhuma de vocês?
— Nenhuma.
— Isto é muito curioso. Mas com certeza não tiveram oportunidade. Sua mãe devia ter levado vocês todas as primaveras para a cidade, para tomar lições.(pág.150)
Mr. Darcy fica encantado ao ver Lizzie tocando e
 cantando, mesmo não sendo ela muito talentosa

Quando o assunto é musica, sem dúvida é algo importante!

...dentro em pouco tornou-se evidente que Lady Catherine compartilhava dos sentimentos do sobrinho, pois exclamou, sem nenhuma reserva:
— Que é que você estava dizendo, Fitzwilliam? De que é que vocês conversavam? Que é que você estava contando para Miss Bennet? Quero saber o que é.
— Estávamos falando de música — disse ele, impossibilitado de se esquivar a uma resposta.
— De música? Então fale em voz alta. É de todos os assuntos o meu favorito. Se estão falando de música, quero tomar parte na conversa. Creio que existem poucas pessoas na Inglaterra que apreciam mais a música do que eu. Ou que tenha um gosto mais fino.(pág. 158)


Lady Catherine de Bourgh sobre seu gosto musical, a falta de oportunidade da filha...
Se eu tivesse aprendido música, seria uma grande intérprete. E Anne também, aliás, se a saúde dela o tivesse permitido. Estou certa de que ela tocaria admiravelmente. (pág. 157)

...sobre os progressos de Georgiana com a música

Georgiana tem feito muitos progressos, Darcy?
Mr. Darcy louvou afetuosamente o talento da irmã.
— Estou muito satisfeita com isto — disse Lady Catherine; — diga a ela que nunca poderá brilhar se não estudar muito.
— Eu lhe asseguro, minha tia — replicou ele —, que ela não precisa de tal conselho. Estuda com muita constância.
— Tanto melhor. Nunca é demais. E na próxima vez que escrever para ela recomendarei que não se descuide do seu piano.(pág.157)

e sobre a falta de dedicação de Miss Bennet ao piano

Eu sempre digo às moças que nenhuma distinção pode ser alcançada sem um estudo constante. Já disse a Miss Bennet várias vezes que nunca tocará realmente bem se não estudar mais. E como não há piano em casa de Mrs. Collins, ela está convidada, com já disse muitas vezes, a vir a Rosings todos os dias estudar piano no quarto de Mrs. Jenkinson. Naquela parte da casa ela não incomodaria a ninguém.(pág. 157)


Elizabeth não escapa de tocar

Depois do café, o Coronel Fitzwilliam lembrou a Elizabeth a sua promessa de tocar para eles; e a moça se sentou imediatamente ao piano. Ele aproximou a sua cadeira. Lady Catherine ouviu metade de uma canção e em seguida continuou a conversar como antes com o outro sobrinho, até que este se afastou dela e, dirigindo-se resolutamente ao piano, colocou-se de modo a poder observar o rosto da bela executante. Elizabeth percebeu o que ele estava fazendo e, na primeira pausa, virou-se para ele e disse, com um sorriso malicioso:
— É para me assustar, Mr. Darcy, que se aproximou com toda esta imponência? Mas não ficarei alarmada, embora a sua irmã toque tão bem. Tenho uma persistência que a vontade dos outros é incapaz de intimidar. Nesses momentos a minha coragem sempre me socorre.(pág.157)
As irmãs Bingley, escutando Lizzie (e se mordendo de inveja)

Mrs. Reynolds, governanta de Pemberey, sobre Georgiana
Mrs. Reynolds, então, chamou a atenção dos visitantes para um retrato de Miss Darcy pintado quando ela tinha apenas oito anos de idade.
— E Miss Darcy também é bonita? — perguntou Mr. Gardiner.
— Oh, sim, é a menina mais bonita que eu jamais vi. É tão instruída! Toca piano e canta o dia inteiro. Na sala ao lado, há um novo instrumento que acaba de chegar para ela. Um presente do meu patrão.(pág.217)


   Já fui a vários Saraus, daqueles "tipo de antigamente", onde se toca, canta e até leem poesia e afirmo que é muuuiiito bom. Por isso posso dizer que realmente a música (de qualidade) aproxima as pessoas, quem não toca, pode ouvir e também se deliciar igualmente...

sexta-feira, 21 de março de 2014

Barbie e Elizabeth Bennet


    Acho lindo os filmes da Barbie e como tenho uma filha de 10 anos... Já sabem... Além dos filmes, as músicas são maravilhosas! 
    Outro dia, escutando "Um verdadeiro amor" (muito linda) de "Barbie - A princesa e a plebeia", fui logo fazendo um vídeo mental com "Orgulho e preconceito". O projeto não me saiu da "cuca" até ser feito! Amei o resultado, pois as cenas lembravam a música e a música lembrava as cenas, alguns locais pareciam comuns entre si, etc, etc, enfim... LOVE IN THE AIR...


     Pensando bem , não seria uma má ideia sugerir à Mattel, uma versão de "Orgulho e preconceito" com a Barbie, além de lindo seria muito instrutivo para essa nova geração de mocinhas e menininhas sonhadoras. Já pensou? Eu já! 
      Achei melhor fazer com a versão de 2005, pois ficou sem dúvida, bem mais fácil de conseguir as cenas, mas acredito que ficaria lindo também com a de 1995, com tantas passagens bonitas. 
     Que tal esse olhar de admiração de Mr. Darcy para Lizzie, quando é cantado "...será ele capaz, de um verdadeiro amor..." 
   O que achei intrigante, é que nessa estória da Barbie, as duas (a princesa e a plebeia) trocam de lugar e indo a plebeia  morar no castelo, o príncipe se apaixona por ela e vice-versa. Minha conclusão final, filosófica, antropológica, psicológica, alcoviteira, janeite: 

  • Elizabeth Bennet não era bem uma plebeia, pois ela mesmo diz que era filha de uma cavalheiro, mas não tinha relações com a nobreza, como também ficou claro. Mas se eu te perguntasse com qual princesa você gostaria de se parecer, você optaria por: 
  • Cinderela?
  • Branca de Neve?
  • Ariel?
  • Jasmine?
  • Elizabeth Bennet?


  • Mr. Darcy não era um príncipe, mas era da nobreza e quem que tenha lido o livro e esteja a procura de um príncipe encantado, não gostaria de algo como:
  • Príncipe Felipe (A bela adormecida)?
  • Príncipe Eric (A pequena sereia)?
  • O príncipe encantado de Branca de Neve?
  • Príncipe Charles (herdeiro ao trono inglês)?
  • Mr. Darcy?


    Pelas suas respostas (que eu sei quais foram sem que você me diga, não me pergunte como), não ficaram dúvidas que Darcy e Lizzie formam mesmo um casal real (no duplo sentido)!

    Aqui está o meu vídeo, espero que se divirtam, voltando a ser garotinhas sonhadoras... 

     Aqui, o vídeo original do filme da Barbie pra quem quiser ver:
Bons sonhos, a qualquer hora do dia!!!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Liz no topo do mundo

    O "Vovó" está fazendo dois aninhos!!! Isso mesmo nosso blog "Quando vovó era moça" está fazendo aniversário! 
   Pra comemorar, a gente tem que primeiro agradecer às inúmeras visitas e comentários que chegam ao blog, pelos leitores, o carinho, pois jamais sonhei que ele se tornasse tão querido. 
       Então, pra festa, faço hoje um post com a música "Liz on top of the world" de Dario Marianelli/ "Orgulho e Preconceito" de 2005, por ser a postagem sobre essa trilha sonora, de longe a  mais visitada do blog. 
    Escolhi essa música em particular, primeiro por fazer parte de uma das cenas mais bonitas dessa adaptação de Jane Austen, onde a heroína Elizabeth Bennet (Keira Knightly) fica "pensando na vida" a beira de um penhasco na maravilhosa região dos lagos ingleses (onde foi preciso prendê-la com cabos de aço); em segundo, porque amo tocar essa melodia (encontrada em soundtrack - Pride and Prejudice, toda a trilha é magnífica) e é sempre a preferida de meu marido que não cansa de dizer que essa música é maravilhosa (e de fato, é), então... motivos mais que justos! 
     Deixo aqui um vídeo do youtube com a cena pra quem quiser conhecer ou matar as saudades. Obrigada leitores(as)!!!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Mr. Darcy e o susto em Pemberley - (Reencontros - parte final)

     Acho que esse reencontro é um dos mais memoráveis das obras de Jane Austen. Um reencontro bem "saia justa". Para Elizabeth Bennet constrangedor  e o "pobre" (no sentido de indefeso, claro) Mr. Darcy, que jamais imaginaria encontrar Lizzie ali em sua propriedade, todo sem graça tentando ser um excelente anfitrião. Um verdadeiro susto para os dois, mas relevante para o desfecho da estória. É muito bonito ouvir Lizzie dizer: - Mr. Darcy!!! Não sabendo onde se esconder, como se explicar, tentando disfarçar o rubor da face e ainda se recompor, ainda mais Lizzie que amava andar pelo campo toda descontraída, deve ter sentido que aquele encontro foi mesmo "fora de hora". Hummmm... acho que foi mesmo no momento exato; um luxo literário!!!

    "...Enquanto atravessavam a relva em direção ao riacho, Elizabeth voltou-se para tornar a ver a casa; sua tia também se detivera, e, enquanto a primeira fazia conjecturas sobre a data em que o edifício, fora construído, o proprietário em pessoa surgiu de súbito na alameda que conduzia às cocheiras, do outro lado da casa.

    Encontravam-se a cerca de vinte jardas um do outro, e o seu aparecimento fora tão repentino que se tornara impossível a Elizabeth esconder-se. Os seus olhares imediatamente se cruzaram e ambos coraram de modo intenso. Ele teve um sobressalto e por momentos a surpresa paralisou-o; mas, voltando imediatamente a si, adiantou-se para o grupo e dirigiu-se a Elizabeth, senão com uma calma absoluta, pelo menos com uma amabilidade sem limites.

    Elizabeth, que se virara instintivamente, ao vê-lo aproximar-se, deteve-se e recebeu os seus cumprimentos com um embaraço impossível de dominar. Se a sua aparência, a princípio, ou a sua semelhança com o retrato que tinham acabado de examinar não bastassem para o Sr. e a Sra. Gardiner perceberem que se encontravam perante o Sr. Darcy em pessoa, a expressão de surpresa do jardineiro ao ver o seu patrão teria sido suficiente para o revelar.

     Conservaram-se um pouco afastados, enquanto ele conversava com a sua sobrinha, e esta, atônita e embaraçada, mal ousava levantar os olhos e respondia inconscientemente às perguntas de cortesia que ele lhe fazia sobre a sua família.

     Extremamente surpresa com a alteração dos seus modos desde a última vez que o vira, cada frase que ele pronunciava aumentava ainda mais a sua confusão; e tomando de novo consciência de toda a inconveniência de ele a encontrar ali, os poucos minutos em que estiveram juntos tornaram-se os mais penosos da sua vida. Também ele parecia não estar muito à vontade. Enquanto falava, o tom da sua voz não aparentava a firmeza habitual; e as perguntas várias vezes repetidas de quando ela saíra de Longbourn e por quanto tempo se demoraria no Derbyshire, assim como o atropelo com que ele as pronunciava, tornavam evidente quão distantes os seus pensamentos andavam.

     Por fim, nada mais encontrou para dizer; e, após ter permanecido alguns momentos sem dizer palavra, o Sr. Darcy voltou de súbito a si e despediu-se.(...) (J. Austen, "Orgulho e Preconceito" - cap. XLIII)


Versões da obra em vídeo:

     A de 1980, achei um pouco fraca. Lizzie pareceu assustada mas acho que faltou aquela surpresa típica de se encontrar alguém inesperadamente. Já Mr. Darcy nessa versão é quase um robô e nessa cena  ele só sabe fazer um gesto (que não parece ser de surpresa), tirar a cartola. Básico!
        
     A de 1995 é um "loosho"! Embora a cena do lago não esteja na obra, concordo que foi muito bem elaborada. Mostrou um Mr. Darcy que chega de viagem cansado e feliz por estar em casa  e aproveita para dar um rápido mergulho no lago de sua propriedade. Dá ênfase também ao seu descontentamento no plano sentimental quando senta-se para afrouxar o colarinho e faz uma breve contemplação do horizonte, como se pensasse na vida. Que outros problemas teria ele se não fosse os do coração? É algo como se as árvores dissessem: ele nem imagina quem vai encontrar em poucos minutos... Lizzie também foi ótima! Ao mesmo tempo que se mostra surpresa, tenta disfarçar o constrangimento por ver Mr. Darcy em "trajes menores" (digamos que pra época, aquela camisa branca era "underwear"). As perguntas repetidas que Darcy faz a Lizzie quando a vê e todo aquele diálogo inibido e polido entre os dois é excelente. A melhor!
     
     A versão de 2005 também gostei. Foi uma tomada diferente, onde Lizzie vê o irmão amoroso que é Darcy e se envolve com a música que vinha do piano de Georgiana. Eu, sou suspeitississsisssima (como dizia o Chaves) pra falar, pois amo música,  amo o piano e acho o máximo a trilha sonora dessa versão, mas também gostei quando ela foi descoberta por Mr. Darcy e ficou toda embaraçada tentando se explicar e os dois falando ao mesmo tempo... Cena linda! Bem graciosa e romântica:
    O que também me faz gostar demais desse reencontro tanto no livro, (claro que aqui a gente só imagina) como nessas três versões, é o cenário (lugar) onde ele acontece: maravilhoso! Tanto para as cenas externas como nas internas! Nem em Paris seria tão romântico, afinal, Pemberley, é Pemberley!

sábado, 23 de novembro de 2013

Mr. Darcy reaparece...o reencontro embaraçoso - (Reencontros parte 4)

     Não dá pra negar que o reencontro que Elizabeth Bennet teve com Mr. Darcy depois de perceber seus sentimentos tão diferentes foi bem embaraçoso. 
   Tudo o que acontecera nas últimas semanas só pode contribuir para que Lizzie admirasse Mr. Darcy ainda mais:

  • Os belos encontros em Pemberley, enquanto esteve viajando com os tios.
  • A descoberta do que Darcy fizera para casar Lydia com Mr. Wickham, livrando a irmã e a família da desonra.
  • O medo de como ele a trataria. Será que os sentimentos de Mr. Darcy para com ela ainda eram os mesmos?

    
     Elizabeth sentia agora o peso do arrependimento. Saber que aquele que agora ela tanto admirava e amava já havia lhe feito uma proposta de casamento e sido rejeitado?! A esperança de que uma segunda proposta fosse feita era remota, mas Lizzie tinha a certeza de que agora, só isso lhe faria realmente feliz!

(...) Mas Elizabeth, para contentar a mãe, foi até a janela, olhou e, vendo que Mr. Darcy vinha em companhia de Bingley, voltou a se sentar ao lado da sua irmã.
— Vem outro cavalheiro com ele, mamãe — disse Kitty. — Quem será?
— Deve ser um conhecido dele, meu bem, mas não sei quem é.
— Ora, parece aquele homem que já esteve aqui com ele uma vez.
Mr..., como é que ele se chama? Aquele homem alto, orgulhoso...
- Mr. Darcy?  E é mesmo... Bem, qualquer amigo de Mr. Bingley será sempre bem recebido. Mas devo confessar que odeio aquele homem.
  Jane olhou para Elizabeth com surpresa e inquietação. Jane pouco sabia a respeito dos encontros que a irmã tivera com Mr. Darcy no Derbyshire. Supunha portanto, que a irmã se sentiria muito embaraçada ao vê-lo depois da carta explicativa que recebera da sua parte. 
     As duas irmãs se sentiam bastante embaraçadas. Cada uma delas sentia pela outra e naturalmente por si própria. Mrs. Bennet continuou a falar sobre a antipatia que tinha por Mr. Darcy. E repetiu que estava disposta a tratá-lo amavelmente apenas porque era um amigo de Mr. Bingley. Mas as suas palavras não foram ouvidas por nenhuma das suas filhas. 
     Elizabeth tinha motivos de inquietação de que a sua irmã não suspeitava, pois nunca tivera a coragem de mostrar a Jane a carta de Mrs. Gardiner nem de lhe revelar a mudança dos seus sentimentos para com MrDarcy. Para Jane ele continuava a ser o homem cujas propostas ela tinha recusado, e cujas qualidades ela subestimara. Mas para Elizabeth, que possuía outras informações, ele era a pessoa a quem toda a família devia o maior dos benefícios, e a quem ela própria votava uma afeição, se não tão terna quanto a que Jane dedicava a Bingley, pelo menos tão razoável e tão justa. 
     A surpresa causada pela vinda dele a Netherfield e a sua visita a Longbourn, onde vinha espontaneamente para vê-la, era quase tão forte quanto a que sentira ao perceber a transformação que se tinha operado nele no Derbyshire.
   As cores que tinham desaparecido do seu rosto tornaram a voltar com maior intensidade e um sorriso de prazer deu maior fulgor ao brilho dos seus olhos, durante alguns minutos; e disse a si mesma que provavelmente os sentimentos de Darcy continuavam inalterados. No entanto não queria se precipitar. "Vamos ver primeiro como ele me trata", disse ela para si mesma. "Antes disso não convém ter esperanças."
     (...) Sem ser descortês, Elizabeth falou o menos possível. E voltou ao seu trabalho com um afinco que poucas vezes lhe dedicava. Ela arriscara apenas um olhar para Darcy. A expressão dele era tão grave como de costume. (...)
    Darcy, depois de perguntar por Mr. e Mrs. Gardiner, pergunta a que Elizabeth não pôde responder sem um certo embaraço, quase mais nada falou. Não estava sentado perto de Elizabeth; talvez fosse este o motivo do seu silêncio. Porém no Derbyshire não procedera daquele modo. Lá, ele tinha palestrado com os amigos de Elizabeth, quando não o podia fazer com ela própria. Agora decorriam vários minutos sem que se ouvisse o som da sua voz. E quando, às vezes, incapaz de resistir a um impulso de curiosidade, Elizabeth levantava os olhos e procurava o seu rosto, via que ele olhava tanto para Jane como para ela própria, e ficou desapontada e depois zangada consigo mesma por ter cedido àquele
sentimento. "Podia eu esperar que fosse de outro modo?", exclamou ela para si própria. "Mas, se é assim, para que então ele veio?"
   Ela não se sentia disposta a conversar com ninguém, a não ser consigo mesma. Faltava-lhe quase completamente a coragem para falar com Mr. Darcy. Perguntou pela irmã dele. Foi o máximo que conseguiu de si mesma.(...) Elizabeth não ousou levantar os olhos. Não sabia portanto, qual a expressão do rosto de Mr. Darcy.
— É uma coisa muito agradável ter uma filha bem casada — continuou Mrs. Bennet —, mas ao mesmo tempo, Mr. Bingley, é muito duro a gente se separar de uma filha. Eles foram para New Castle. (...) Graças a Deus ele tem alguns amigos, embora talvez não tantos quanto mereça. Elizabeth, que sabia que isto era dirigido a MrDarcy, sentiu tal vergonha e confusão que por pouco não se levantou e fugiu. (...)
Em seguida partiram.
     Mrs Bennet estivera fortemente inclinada a convidar os dois para jantar naquele mesmo dia. No entanto, embora tivesse sempre uma mesa muito boa, julgou que um jantar de menos de dois serviços não seria digno de um homem no qual tinha tantas esperanças, nem suficiente para satisfazer o apetite e o orgulho de outro que possuía dez mil libras de renda por ano. (Jane Austen - "Orgulho e Preconceito" cap.LIII)

        E as versões em vídeo?
   A adaptação de 1980, nos mostra uma Elizabeth assustada ao saber que Mr. Darcy estava junto com Bingley na visita. 
    Eram só olhares "com o rabinho dos olhos"! Mas um detalhe é muito bom nessa versão; são as irmãs Bennet juntas torcendo pra sair algum casamento!


   Na versão de 1995 a mesma situação desconfortante quando Lizzie descobre a presença de Mr. Darcy. Acho que há um enfase maior entre a troca de olhares entre os dois pombinhos. Mr. Darcy se mostra um tanto indiferente e deixa Elizabeth confusa...

     A versão de 2005 também é ótima. Lizzie Se mostra tensa, desviando a conversa pra tentar disfarçar a mediocridade da mãe. Apesar de Mr. Darcy se manter em sua postura, a troca de olhares também é um tempero extra nessa cena.

     Lizzie, apesar de ter uma personalidade positiva, continua sem saber se deve ter esperanças ou não. Ela terá que rever mais uma vez seu preconceito em relação a Darcy e esperar que ele passe por cima de seu orgulho (digo aquele orgulho natural de um homem  que já fora rejeitado) e esperar (até mesmo sem esperanças) uma segunda proposta.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Jane Bennet...um reencontro de poucas palavras e nenhuma esperança - (Reencontros parte 3)

     Tadinha... Jane sempre tão doce e submissa... 
     Sem dúvida, Jane era bem racional e tentava estar firme e convicta que Mr. Bingley foi coisa do passado e que não deveria mais ter esperanças com ele, mesmo que a irmã Elizabeth afirmasse o contrário com toda aquela convicção de quem conhecia os sentimentos masculinos e o amor (que só servia pra interpretar a situação dos outros).
    Mas nós sabemos que Jane amava Mr. Bingley e ajuizada como era, procurava controlar suas emoções e dizia que não tinha medo de si própria e sim do que as pessoas falavam,
bem... sabemos que não era bem assim, mas entendemos é claro, Jane com certeza não queria se frustar ainda mais com esperanças infundadas...mas lá no fundo, no fundo, quando soube que Mr. Bingley estava chegando em sua casa, não pode disfarçar os sentimentos, as esperanças e depois... a desesperança em vê-lo partir outra vez assim, trocando com ele poucas palavras e sem saber de suas reais intenções.



    "(...) Apesar do que a irmã lhe tinha declarado, e acreditava que ela tivesse falado sinceramente, Elizabeth percebia facilmente que a perspectiva da chegada de Bingley a tinha afetado profundamente. Jane estava perturbada, agitada como poucas vezes a vira. (...) 
       Poucos dias antes da sua chegada, Jane disse para a irmã: 
— Estou começando a preferir que ele não venha. Não que eu dê 
importância ao fato, sou capaz de vê-lo com perfeita indiferença. Mas não 
suporto ouvir falar constantemente nesse assunto. A intenção da minha mãe 
é boa. Porém ela não sabe,  ninguém sabe quanto sofro com o que dizem. 
Vou dar graças a Deus quando Mr. Bingley for embora de novo. 
(...) Mas Elizabeth, para contentar a mãe, foi até a janela, olhou e, vendo que Mr. Darcy vinha em companhia de Bingley, voltou a se sentar ao lado da sua irmã. 
— Vem outro cavalheiro com ele, mamãe — disse Kitty. — Quem será? 
— Deve ser um conhecido dele, meu bem, mas não sei quem é. 
— Ora, parece aquele homem que já esteve aqui com ele uma vez. 
Mr..., como é que ele se chama? Aquele homem alto, orgulhoso... 
— Quem, Mr. Darcy? E é mesmo... Bem, qualquer amigo de Mr. Bingley será sempre bem recebido. Mas devo confessar que odeio aquele homem. 
Jane olhou para Elizabeth com surpresa e inquietação. (...) As duas irmãs se 
sentiam bastante embaraçadas. Cada uma delas sentia pela outra e 
naturalmente por si própria. (...) Para Jane ele continuava a ser o homem cujas propostas ela tinha recusado, e cujas qualidades ela subestimara. Mas para Elizabeth, que possuía outras informações, ele era a pessoa a quem toda a família devia o maior dos benefícios, e a quem ela própria votava uma afeição, se não tão terna quanto a que Jane dedicava a Bingley, pelo menos tão razoável e tão justa.(...) 
      Jane parecia um pouco mais pálida do que de costume, porém mais calma do que Elizabeth esperava. Quando os cavalheiros entraram, ela enrubesceu ligeiramente. No entanto recebeu-os com tranquilidade e maneiras igualmente livres de qualquer sintoma de ressentimento, como de qualquer desejo exagerado de agradar.(...) 
— Faz muito tempo, Mr. Bingley, que o senhor foi embora — disse Mrs. Bennet. Ele concordou prontamente. 
— Eu tinha medo de que o senhor não viesse mais — continuou ela. 
— Andaram dizendo que tencionava abandonar Netherfield completamente, 
por ocasião da festa de São Miguel. Espero que não seja verdade. Têm 
acontecido muitas coisas aqui nas imediações desde que o senhor partiu. 
Miss Lucas está casada e uma das minhas filhas também. Acho que já deve 
ter ouvido falar nisto. Aliás, o senhor deve ter lido nos jornais. (...) Bingley respondeu que tinha lido e lhe deu os parabéns. 
— É uma coisa muito agradável ter uma filha bem casada — continuou Mrs. Bennet. (...) 
    Se agora surgissem para Jane as mesmas possibilidades que no ano anterior, tudo se precipitaria para a mesma desastrosa confusão. 
Elizabeth observou que a beleza da sua irmã tornava a inflamar rapidamente a admiração do antigo namorado. A princípio ele lhe falara pouco, mas cada 
minuto que passava parecia aumentar a admiração que lhe dedicava. Ele a 
achava tão bela quanto no ano passado, tão simples e natural, embora menos comunicativa. Jane se esforçava por não deixar perceber nenhuma diferença na sua atitude, e estava realmente convencida de que conversava tão animadamente como sempre. Seus pensamentos a absorviam tanto que ela não reparava nos momentos em que ficava calada." (Jane Austen - "Orgulho e Preconceito" - cap. LIII )

    As versões em vídeo são muito boas e todas retratam uma Sra. Bennet muito falante como nos conta o livro, mas dona de quase todos os diálogos. Apenas a parte em que Elizabeth comenta algo é que permanece, mas em nenhuma dessas três versões aparece Jane e Bingley conversando como está no livro. Acredito que conta-se que eles se falaram pouco mas não se diz sobre que assunto, acharam por bem não fazer essa menção, afinal em uma sala pequena com todos ali presentes ficaria algo sem sentido mostrar apenas os dois se falando em um cantinho sem ninguém escutar sobre o que falavam, acho que foi isso e digamos que caiu bem.


     A versão de 1980, não dá muita ênfase a esse encontro como poderia. Jane e Bingley mal se olham e Jane parece bem mais a vontade do que deveria, só me pareceu mesmo é estar feliz com a visita de Bingley. 


     Já a versão de 1995, em minha opinião a melhor, Jane realmente se mostra tensa e apreensiva, apesar de manter sua meiguice;  Mr. Bingley também se mostra um tanto embaraçado achei que foi bem fiel à obra.

     

     A versão de 2005 também é muito boa e chega a ser cômica. Também gostei muito do Mr. Bingley um tanto adolescente e de Jane tentando manter a firmeza em não demostrar seus sentimentos. A cena que focaliza seu rosto mais de perto no final da visita é ótima, mesmo sem falas ela "diz" o quanto ficou desapontada.

     
     Pra gente que sabe que a culpa de a visita não ter sido o que deveria ser foi da tagarelice da Sra. Bennet e que haverá uma segunda chance, ainda vai, mas já pensou a pobrezinha da Jane? Nesse reencontro, as esperanças... se foram  de vez.

domingo, 30 de junho de 2013

Os livros de beleza que Jane Austen e suas heroínas liam- Cuidando da beleza no séc. XIX - parte 1

     É muito interessante ver aquelas lindas moças do início do século XIX... Aqueles vestidos de sonho, lindos penteados, chapéus, casaquetos em veludo, uma época tão charmosa e cheia de romance... Mas e na hora da toilette? Como será que era cuidar da beleza?
     Como as lindas heroínas, as mocinhas da época e a própria Jane se cuidavam para impressionar os rapazes como Bingley, Darcy, Ferrars, Willoughby e por que não o "lendário" Lefroy? Como eram as fragrâncias, os cremes, as loções? E quando aparecia uma indesejável espinha? Havia sombra? Batom? Rímel? Base? Os romances não nos contaram nada disso... Mas a curiosidade conseguiu alguma coisa.
     A partir do final do séc. XVIII, mas precisamente após a Revolução Francesa (que terminou em 1789), as mulheres fizeram de tudo para conseguir parecer o mais natural possível. As vestimentas e penteados se tornaram mais simples e o rosto teria que estar fresco e lindo mas sem aparência de ter usado qualquer maquiagem.
     A maioria dos “produtos de beleza” eram do tipo DIY (do it yourself – faça você mesmo), mas alguns também podiam ser comprados em lojas.
     Eram utilizados ingredientes comuns do dia a dia, tais como azeite de oliva, óleo de rícino, glicerina, creme de tártaro, magnésio e bórax, mas o pior é que não tinham noção que utilizavam também alguns bem perigosos para a saúde, como chumbo, ferro, ferrugem e espermacete.
      O chumbo era usado muitas vezes em pós faciais, que eram essenciais para alcançar a aparência desejada de pele pálida. A oxidação do ferro (ferrugem) era ingrediente de shampoo para escurecer o cabelo). Isso era feito sem nenhum critério de segurança, pois na época nem se tinha o conhecimento dos riscos desses ingredientes para a saúde a curto e longo prazo.
     Essas receitas e dicas, além de serem passadas entre as amigas e de mãe pra filha,  era comum se ler livros e revistas que anunciavam os “mais modernos” conselhos de beleza.
     Entre estes estavam “Godey’s Lady’s Book”, uma revista mensal muito popular em meados século XIX,

“The toilet of Flora” (1779)
(Publicado no ano em que Jane Austen completou 4 anos).
(métodos simples de preparação de banhos, essências, pomadas, pós, perfumes, águas perfumadas e cosméticos de todo tipo, para cuidar, suavizar, clarear e tirar a aparência envelhecida da pele das damas),

The mirror of the graces” (1811) que com certeza
deve ter sido bem conhecido pelas mocinhas contemporâneas de JA, pois foi publicado em 1811,





o afamado The Arts of Beauty”(or “Secrets of a Lady's Toilet”) (1858) da polêmica Lola Montez,

uma dançarina, que diziam ser uma aventureira  e vigarista, que depois de causar diversos escândalos na Europa, teria fugido para a América e se tornado escritora. Nesse livro ela se propõe a contar os segredos de beleza das encantadoras mulheres nobres européias:
- "Eu sabia de muitas senhoras elegantes de Paris que utilizavam fatias finas de carne crua em seus rostos todas as noites antes de irem para a cama. Mantinha a pele livre de rugas, ao mesmo tempo que garantia um frescor juvenil e um brilho agradável na pele.”

     No “Family Doctor” (já em 1889)

dizia-se que além de proteger a pele do sol e praticar exercícios moderados, a beleza também precisava de sono adequado:
“...uma senhora mais idosa revelou o segredo de sua pele clara e rosada a um grupo de mulheres jovens: “dormir demais estragar a pele. Vá para a cama cedo, acorde cedo e você vai envelhecer lentamente e manter sua boa aparência a uma idade avançada. Se, no entanto você for obrigada a dormir a altas horas, deverá dormir uma hora, todas as tardes. Antes de ir para a cama, tome um banho quente e permaneça na água por apenas alguns momentos. Em seguida, tome uma xícara de caldo de carne, e um pequeno copo de vinho Málaga. O sono virá em breve, e durará até o tempo natural de despertar, que é cerca de dez horas da manhã(!!!), onde deverá  tomar um banho frio ou utilizar uma esponja de banho, fazer um ligeiro pequeno almoço  de café com leite, e pão sem manteiga...” Imagina-se que essa senhora ouviu estas dicas de beleza de amigas e parentes que viveram no início do século XIX.


dedicou um capítulo inteiro para os segredos de beleza: “...se as mulheres  querem governar, controlar, gerenciar, influenciar e também ter a admiração dos maridos, pais, irmãos, amantes ou mesmo primos, elas devem ser bonitas em todos os momentos.” Aqui estão algumas de suas dicas para isso:
Difícil não rir disso em nossos dias!!!
     Fico pensando... seguindo todos esses infalíveis truques de beleza, como seria o retrato de Elizabeth Bennet (Orgulho e Preconceito - Jane Austen/1813), ou melhor, Elizabeth Darcy aos 60 anos???

     Todos esses livros são vendidos ainda hoje, para curiosos, apreciadores e claro para quem quer se manter belo como no século XIX. Mas cuidado, eu  ficaria com um Renew, Chronos ou até mesmo o velho creme Ponds, não sei porque, mas acho que dá mais resultado...

Fotos: