Mostrando postagens com marcador Sense and Sensibility. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sense and Sensibility. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de julho de 2014

"Razão e sensibilidade" - A música como forma de aproximação nas obras de Jane Austen - parte final


"...Marianne tocou ao piano todas as músicas preferidas que costumava tocar para Willoughby, cantou todas as árias em que suas vozes soavam perfeita e alegremente unidas...."

     Em "Razão e Sensibilidade", Jane Austen nos mostra uma heroína talentosa com a música. Marianne era excelente pianista, cujas interpretações eram admiradas por todos. O piano, era para ela um companheiro e nos momentos de desapontamento em que passou com Willoughby foi seu amigo, fazendo da música um grande consolo.



Marianne achava que a música não tinha muita influência sobre Edward...
      - Talvez - confessou Marianne - eu tenha recebido essa notícia com alguma surpresa. Edward é muito querido e eu o amo com ternura. No entanto... há alguma coisa que lhe falta... Sua aparência não é impressionante; ele não tem aquele encanto que eu esperava no homem destinado a ligar-se seriamente a minha irmã. Falta em seus olhos todo aquele espírito, aquele fogo que ao mesmo tempo revela virtude e inteligência. E, além de tudo isto, tenho medo, mamã, que ele não tenha bom gosto. A música parece exercer pouca atração sobre Edward e, se bem que ele admire muito os desenhos de Elinor, não se trata da admiração de uma pessoa que pode entender seu valor. (pág.10)


...e ainda pensava que a música era uma espécie de sintonia entre os casais...
     Eu não poderia ser feliz com um homem cujo gosto não coincidisse com o meu em todos os pontos; ele precisará participar dos meus sentimentos; os mesmos livros e as mesmas músicas deverão encantar a nós dois. (pág.10)


Talvez pelo mesmo motivo (pela falta de interesse do marido) a Lady Middleton abandonara a música depois de casada...
   Nessa noite, como alguém comentasse que Marianne estudara música, ela foi convidada a tocar. O piano foi aberto, todos se prepararam para ficar encantados e Marianne, que cantava muito bem, foi solicitada a tocar e cantar as músicas que Lady Middleton havia trazido para aquela casa ao se casar e cujas partituras tinham permanecido na mesma posição em que as colocara no instrumento, pois a anfitriã celebrara o casamento abandonando a música; no entanto, de acordo com as afirmativas de sua mãe, ela tocava muito bem e, segundo a própria Lady, gostava muito de tocar. (pág.20)



Marianne foi admirada por Sir John e Coronel Brandon por seus dotes musicais...
    A performance de Marianne foi aplaudida com entusiasmo. Sir John expressava sua admiração em altos brados cada vez que uma canção terminava e conversava em voz bem alta durante a execução de cada uma. Lady Middleton o repreendia a todo instante, comentando não entender como a atenção de alguém podia desligar-se da música por um momento que fosse e pedia a Marianne que cantasse determinada canção quando ela acabara de cantá-la. Apenas o coronel Brandon ouvia atento o tempo todo, sem demonstrações exageradas, e oferecia a Marianne o cumprimento da atenção, fazendo com que ela o respeitasse em meio aos outros, que evidenciavam uma vergonhosa falta de bom gosto.(pág.20)



A admiração do Coronel Brandon por Marianne era ainda maior por sua interpretação musical. A sintonia de gostos que ela almejava num casal, ele já estava certo de ter encontrado junto dela...  
     O prazer que ele demonstrava ao ouvir música, se bem que não fosse aquele êxtase encantado que pertencia apenas a ela, tornava-se precioso em contraste com a horrível insensibilidade dos outros, e Marianne era razoável o bastante para reconhecer que um homem com trinta e cinco anos podia ainda ter sentimentos profundos e admirar coisas lindas a ponto de se emocionar.(pág.20)


Marianne se encantou ainda mais quando Willoughby se declarou apaixonado por música...
    Willoughby... aparência de cavalheiro perfeitamente bem-educado ele unia franqueza, vivacidade e, acima de tudo, quando declarou que era apaixonado por música e dança, Marianne endereçou-lhe um olhar de aprovação tão profundo que garantiu para si a atenção dele em todas as demais conversas que decorreram durante a visita.(pág.27)


...e outras afinidades entre Marianne e Willoughby...
     Com grande rapidez descobriram que o gosto pela dança e a música era mútuo, o que fez com que nascesse uma conformidade geral de julgamento em tudo que se relacionasse a essas diversões.(pág.27)

    O convívio deles foi-se tornando aos poucos o prazer mais importante para ela. Liam, conversavam, cantavam juntos; o talento musical de Willoughby era considerável e ele lia com a sensibilidade e emoção que, infelizmente, faltava a Edward.(pág.28)

...a música e o piano unindo ainda mais o jovem casal...
      Muitas observações, então, foram feitas a respeito da chuva pelos dois. Willoughby abriu o piano e pediu a Marianne que fosse sentar-se a ele, o que fez com que diferentes pessoas se desinteressassem do tema, que caiu por terra. Mas não foi fácil para Elinor recuperar-se da agitação que despertara nela.(pág.35)



...o piano trazendo as lembranças de Willoughby...
  A tarde passou naquele mesmo clima de sensibilidade profunda. Marianne tocou ao piano todas as músicas preferidas que costumava tocar para Willoughby, cantou todas as árias em que suas vozes soavam perfeita e alegremente unidas. Houve momentos em que permaneceu imóvel como uma estátua, fitando perdidamente as linhas das músicas que ele havia escrito para ela, até que seu coração ficou tão pesado que seria impossível suportar mais tristeza.

...e continuou nos dias em que se seguiram...
   Esse constante alimentar da dor profunda continuou nos dias seguintes. Marianne passava horas ao piano, chorando e cantando alternadamente, a voz em certos momentos completamente afogada por lágrimas. Também nos livros, como na música, ela provocava um sofrimento intenso e profundo comparando os contrastes entre o passado e o presente. Lia apenas e somente os livros que eles tinham lido juntos.(pág.48)




...a viagem a Londres, trazendo a possibilidade maravilhosa de adquirir novas partituras musicais...
    - Que maravilhas faria uma viagem desta família riquíssima a Londres! - acrescentou Edward. - Que dia feliz para os vendedores de livros, de partituras musicais, para os donos de lojas de artigos para pintores! A srta. Dashwood daria ordem para as lojas lhe enviarem toda novidade que aparecesse em matéria de telas, tintas e pincéis... Não haveria músicas suficientes em Londres para contentar Marianne, conheço bem a grandeza de sua alma, assim como livros!(pág.53)

...o piano nos momentos de irritação de Marianne...
    Lady Middleton propôs às demais que jogassem rubber. Nenhuma se opôs, a não ser Marianne que, com sua habitual falta de respeito às normas gerais da boa educação, exclamou:
- Minha cara Lady, a senhora sabe que tenho um bom motivo para recusar, uma vez que detesto baralho. Prefiro tocar piano; ainda não experimentei o seu desde que ele foi afinado. E, sem maiores cerimônias, ela dirigiu-se ao piano.
    Lady Middleton fez uma expressão que indicava estar agradecendo a Deus por jamais ter sido assim tão rude com alguém.
- Marianne não consegue ficar perto do seu piano sem tocar, a senhora sabe, Lady Middleton... - Elinor tentou suavizar a ofensa. - E eu a entendo perfeitamente, pois trata-se do melhor piano que já ouvi até agora.(pág.81)


...a eterna companhia...  
     Ao piano, Marianne empolgou-se com sua música e seus pensamentos, esquecendo-se de todas as pessoas que se achavam na sala, e o instrumento localizava-se muito perto das duas moças que trabalhavam. Então, a Srta. Dashwood concluiu que, com todo aquele barulho, poderia conversar com Lucy sobre o assunto que tanto a interessava sem que corressem o risco de serem ouvidas na mesa de jogo.(pág.82)


...a música animando os serões e unindo as pessoas...   
   Os acontecimentos da noite não foram importantes. Essa festa, como todas as outras noitadas musicais, reunia muitas pessoas que gostavam de fazer grandes performances, porém a maior parte delas não fazia, de modo algum, nada que pudesse ser de fato denominado performance. Os músicos eram, geralmente em sua própria opinião e na opinião de seus amigos mais chegados, os maiores artistas amadores da Inglaterra.(pág.142)


...dedicar-se à música e à leitura ajudaria esquecer Willoughby...
     ...Tenho a intenção de me levantar sempre antes das seis e dessa hora até o jantar pretendo dividir cada momento entre a música e a leitura. Planejei tudo e estou determinada a seguir um curso de estudo sério. Nossa biblioteca já é bem conhecida por mim para que eu a consulte para algo além de mero entretenimento. Mas existem obras que vale a pena ler, em Barton Park, e há outras, mais modernas, que sei que posso pedir emprestadas ao Cel. Brandon. Lendo apenas seis horas por dia, no decorrer de doze meses ganharei boa parte da instrução que desejo.(pág.196)

...a música lembrava Willoughby...
     Depois do jantar, Marianne sentou-se ao piano para tocar. Mas a partitura sobre a qual seus olhos pousaram foi a de uma ópera que Willoughby lhe comprara e que continha alguns de seus duetos preferidos; na capa, seu nome estava escrito com a letra do jovem cavalheiro. Isso já era demais! Ela balançou a cabeça, colocou a partitura de lado, dedilhou algumas teclas e, em seguida, reclamando de fraqueza nos dedos, fechou a tampa do instrumento - mas não sem antes declarar que no futuro iria praticar bastante.(pág.196)

     Em todas as obras de Jane Austen, não há outra heroína tão dedicada e movida sentimentalmente pela musica quanto Marianne em "Razão e sensibilidade". Ela percorreu com essa arte e com seu instrumento, todo o percurso de suas mais profundas vontades, decepções,  e realizações.

Fotos:
Adaptações de "Razão e sensibilidade" - 1981, 1995, e 2008.

sábado, 30 de novembro de 2013

Willoughby...o reencontro e a decepção - (Reencontros - parte 5)

       
        Sem sombra de dúvida, esse reencontro é um dos mais relevantes das obras de Jane Austen. Imaginar a menina romântica que faz de tudo pra se reencontrar com o rapaz que ama e o que é pior, imagina ser o príncipe encantado, um homem cheio de virtudes, o par perfeito, bem humorado, romântico, conhecedor de poesias e que de repente mostra ter um caráter totalmente avesso e a decepciona grandemente em tão poucos instantes.

  Essa passagem é crucial em "Razão e sensibilidade"! Marianne em um turbilhão de emoções e Elinor tentando fazer a irmã manter o controle, por ela mesma e por tantos que assistiam a cena. Incrível!!!

    Não sei se Jane Austen vivenciou algum tipo de reencontro assim, ou se chegou a saber que alguém tivesse passado por isso, observadora e perspicaz como era, mas o fato é que a descrição das reações de Marianne com o acontecimento são muito precisas para o tipo de personalidade que ela apresenta ter. Ela simplesmente não entende o comportamento de Willoughby, não pode acreditar que ele esteja agindo conscientemente sem que tenha havido algum problema de que ela não tenha tido conhecimento, ou talvez um mal entendido. Quando realmente percebe que ele tem outra companhia, quase perde os sentidos. É uma mistura de desilusão, tristeza, decepção e ainda a conclusão instantânea de que foi enganada em "360 graus". 
     

     (...) Tinham-se acomodado havia não muito tempo quando Elinor viu o sr. Willoughby em pé, a poucos metros delas, em animada conversação com uma jovem muito elegante. Os olhares deles encontraram-se e o cavalheiro cumprimentou-a com um aceno de cabeça, sem fazer nem sequer menção de ir falar com ela ou de se aproximar de Marianne, a quem talvez ainda não tivesse visto. Continuou conversando com a moça e Elinor voltou-se involuntariamente para Marianne, achando quase impossível que ela não visse Willoughby. Exatamente nesse momento Marianne percebeu-o e uma súbita alegria a fez resplandecer; ela teria ido para perto dele no mesmo instante, se a irmã não a segurasse.
- Santo Deus! - exclamou Marianne. - Ele está aqui... está aqui! Oh, por que não olha para mim? Por que não posso ir falar com ele?
- Por favor, peço-lhe, contenha-se! - implorou Elinor. - Não dê a perceber o que você está sentindo, diante de toda essa gente. Talvez ele ainda não a tenha visto.
No entanto, era difícil para Elinor acreditar no que dizia e, naquele momento, manter a compostura não só estava além das forças de Marianne, como também estava além dos desejos dela, que permaneceu sentada a custo; entretanto, a impaciência e agonia que sentia espelhavam-se em seu semblante.
Por fim, Willoughby voltou-se e olhou para as duas; Marianne levantou-se e, pronunciando o nome dele com afeto, estendeu-lhe a mão. O jovem cavalheiro aproximou-se, perguntando pela Sra. Dashwood e desde quando elas se encontravam na capital, dirigindo-se tanto a Elinor quanto a Marianne, como se quisesse evitar os olhos dela e estivesse determinado a não reparar em sua atitude. Elinor perdeu completamente a presença de espírito diante dessa inesperada atitude e viu-se incapaz de pronunciar nem uma palavra sequer. Mas sua irmã expressou tudo que sentia no mesmo momento. Com o rosto corado e a voz repleta de emoção, ela disse:
- Bom Deus! O que significa isto? Não recebeu minhas cartas? Por que não aperta a minha mão? (...)
- Não recebeu meus bilhetes? - perguntou Marianne, presa de grande ansiedade. - Há algum engano, tenho certeza... um terrível engano. O que significa tudo isto? Diga-me, Sr. Willoughby. Pelo amor de Deus, diga-me o que está acontecendo! Ele não respondeu, porém sua expressão modificou-se e novamente espelhou profundo embaraço. Mas como seus olhos encontraram os da jovem com quem estivera conversando, ele obrigou-se a se recuperar, com evidente esforço, e em seguida falou: - Sim, tive o prazer de ser informado de que as senhoritas se encontravam na capital, pelos bilhetes que tão gentilmente me enviou.
Nem mesmo havia terminado de falar, Willoughby fez um rápido cumprimento de cabeça e voltou para junto de sua amiga. Marianne, que se tornara terrivelmente pálida e sentia-se incapaz de continuar em pé, deixou-se cair em sua cadeira.
Elinor, esperando que ela desmaiasse a qualquer momento, procurava escondê-la da vista dos outros e, ao mesmo tempo, tentava reanimá-la com água de lavanda.
- Vá até o Sr. Willoughby, Elinor - pediu Marianne, depois que conseguiu recuperar a voz -, e obrigue-o a vir falar comigo. Diga-lhe que preciso vê-lo... que preciso falar com ele ao menos por um instante... Que não posso ter sossego... que não posso ter paz até que ele explique esse mal-entendido ou seja lá o que for. Por favor, vá agora!
- De que modo eu poderia fazer isso? Não, minha querida Marianne, você precisa esperar. Este não é o lugar adequado para explicações. Espere ao menos até amanhã.
Foi com muita dificuldade que Elinor conseguiu impedir que Marianne fosse falar com ele e tentou persuadi-la a disfarçar a agitação e a esperar, com aparente compostura pelo menos, até que pudesse conversar com o jovem cavalheiro em um ambiente de maior privacidade, o que provavelmente seria de melhor efeito. Era quase impossível consegui-lo, pois Marianne não parava de falar, em voz baixa, de sua infelicidade, de sua tristeza, de sua desgraça.
       Pouco tempo depois, Elinor viu que Willoughby se retirava do salão pela porta que dava para a escadaria.(...) (Jane Austen – “Razão e sensibilidade” – Volume II - cap.VI)


       As versões em vídeo:


    Pra ser realmente bom é claro que o primeiro requisito básico é ser fiel à obra. 
     A versão de "Razão e sensibilidade" de 1971 não me agrada muito. Marianne me parece mais uma garota mimada do que a jovem romântica que Jane Austen nos apresenta no livro. Nessa cena então, nem se fala. Que "barraco"!!! Jamais Marianne teria agido dessa forma há dois séculos atrás! Mesmo imaginando que a surpresa e a desilusão foram grandes naquele momento. Sem contar que a Srta. Grey me lembrou uma das irmãs "Cajazeiras" da antiga novela "O bem amado"; muito "feiozinha" e sem a classe de uma moça da sociedade.

     A versão de 1981 é bem feita, gostei muito dos atores escalados. Marianne se mostra bem surpresa e muito feliz em ver o antigo "namorado", mas não consegue entender a atitude dele. Esse Willoughby loiro é bem convincente também, diferente dos demais. As irmãs Dashwood também são muito bonitas. Gostei da cena.

   
     Na de 1995, Kate Winslet faz uma interpretação excelente para Marianne, mas não gostei muito de Willoughby, ele tem mesmo "cara de falso", não de irresponsável como nos faz compreender o livro; mas contudo, a cena é muito boa.


      Essa versão de 2007 é sem dúvida alguma minha preferida! A cena ao meu ver também é muito boa e bem fiel ao livro. Linda!

     Agora resta imaginar... Não deve ter sido nada fácil, mesmo para uma mulher atual, emancipada, em pleno séc. XXI e há duzentos anos atrás, em uma sociedade onde o casamento era o passaporte para a tranquilidade e felicidade em todos os sentidos? Isso sim é "desilusão amorosa". Ainda fico pensando...Será que Jane Austen passou por isso?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Edward Ferrars...o reencontro depois da desilusão - (Reencontros - parte 2)

     Acho que Jane Austen gostava de suspense. Já notei que em várias partes em seus romances, acontecem aqueles pequenos mal entendidos que dão um tempero a mais na trama. Mais ou menos como acontece em "Persuasão", quando Cap. Wentworth vai até Anne Elliot imaginando que ela irá se casar com o primo Mr. Elliot e cria todo aquele suspense. 
    O reencontro deste post também acontece dentro desses padrões. 
  Em "Razão e sensibilidade", um mal entendido, bem interessante, é claro para uma cultura diferente da nossa, onde as esposas são chamadas por Sra. (Mrs.) NOME DO MARIDO. Aqui no Brasil ficaria algo mais difícil, pois somos bem mais descontraídos (ou largados) com essas normas de apresentações, coisa que não sei se é tão bom; respeito, educação, cultura e tradição são coisas que eu preso muito...  é sou meio antiga mesmo, mais vamos ao que interessa nesse reencontro:

Edward Ferrars e Elinor Dashwood -
"Razão e Sensibilidade" - adaptação de 2007
     
        Pra quem quer entender melhor...
    Elinor soube que Mr. Ferrars (seu amado), havia se casado e ela já imaginava que Edward se casaria mesmo com Lucy Steel , pois um compromisso não era quebrado assim com facilidade, mas o Mr. Ferrars que havia casado e foi citado pelo criado era o irmão de Edward, Robert Ferrars. 
     Outra confusão, quando se pergunta sobre Mrs. Ferrars que Edward imagina ser sua mãe, mas a pergunta era sobre a Sra. Edward Ferrars, no caso (como esclareceu Edward) a Sra. Robert Ferrars. Jogo interessante, mas que fez desse reencontro (desencontro) aquele que Elinor mais esperou em sua vida!

    Edward foi até a casa das Dashwood para se declarar a Elinor e lhe fazer uma proposta de casamento, pois como Lucy Steel havia desfeito o compromisso de noivado para se casar com seu irmão, ele agora estava livre, mas Elinor imaginava que ele já era um homem casado e sua surpresa (e também de sua mãe e irmãs) ao entender o engano foi quase um susto, cheio de emoção, muita emoção! Já pensou que alegria uma coisa assim? Que alívio, isso sim!
Cenas de "Razão e sensibilidade" - 2007


"Mal Elinor havia pensado isto quando a figura de um homem montado a cavalo atraiu o seu olhar para a janela. o cavaleiro parou diante do portão do chalé. Era um cavalheiro, era o coronel Brandon, e a expectativa a fez estremecer. Mas... não era o coronel Brandon! o cavaleiro não tinha a aparência dele, nem a altura... Se fosse possível, ela diria que era Edward. Olhou de novo. o homem acabara de descer do cavalo. Ela não podia estar enganada, era Edward.
Elinor afastou-se da janela e sentou-se, pensando: "Ele veio da casa do sr. Pratt para nos visitar. Vou me manter calma. Tenho que ser dona de mim".
No mesmo instante, ela logo notou que as outras também se davam conta do engano. Viu que a mãe e Marianne empalideciam, que se entreolhavam e trocavam frases sussurradas.
Ela teria dado o mundo para conseguir dizer algo e fazê-las entender que não queria que tratassem Edward com frieza. Foi, porém, incapaz de dizer uma única palavra e, assim, deu às duas completa liberdade de ação.
Nem uma sílaba foi pronunciada em voz alta. As quatro aguardaram em silêncio a entrada do visitante. Os passos de Edward foram ouvidos no caminho de cascalho; no momento seguinte, ele se encontrava no vestíbulo e logo apresentou-se diante delas.
Sua aparência, no momento em que entrou na sala, não era de felicidade. Seu semblante mostrava-se pálido de agitação e ele parecia temer a recepção que teria, como se tivesse consciência de que não merecia a menor consideração por parte de nenhuma delas. No entanto, conformando-se com o que supunha ser a vontade da filha mais velha, por quem desejava de todo coração ser guiada nesse instante, a Sra. Dashwood recebeu Edward com um olhar de complacência forçada, ofereceu-lhe a mão e desejou-lhe felicidades.
Ele enrubesceu e gaguejou uma resposta ininteligível. Os lábios de Elinor haviam se movido ao mesmo tempo que os da mãe e, quando o momento de ação passou, ela desejou também ter trocado um aperto de mão com Edward. Mas já era tarde demais e, com um gesto afetando naturalidade, voltou a sentar-se e começou a falar do clima.
Marianne procurou ficar fora de vista para esconder a sua perturbação. Margaret, compreendendo apenas em parte o que acontecia, julgou melhor adotar uma postura fria, manteve-se calada e foi sentar-se o mais longe possível de Edward.
Quando Elinor cessou de falar sobre a falta de chuvas, um silêncio incômodo tomou conta do aposento. O silêncio foi interrompido pela sra. Dashwood, que se sentiu na obrigação de perguntar se Edward deixara a sra. Ferrars com boa saúde. De modo apressado, ele respondeu que sim.
Mais um instante de silêncio.
Elinor, embora temendo o som da própria voz, decidiu empenhar-se em ser educada e indagou:
- A sra. Ferrars ficou em Longstaple?
- Longstaple? - repetiu Edward, surpreso. - Não, minha mãe ficou na capital.
- Eu estava me referindo à sra. Edward Ferrars - corrigíu Elinor, pegando um trabalho manual de cima da mesa. Ela não se atrevia a fitar o jovem cavalheiro, mas tanto sua mãe quanto Maríanne o olharam. Ele corou, parecendo perplexo, confuso, e depois de um longo momento de hesitação, declarou:
- Talvez a senhorita se refira à esposa de meu irmão... à sra. Robert Ferrars.
- Sra. Robert Ferrars?! - exclamaram Marianne e a sra. Dashwood, em tom de absoluto espanto.
Embora Elinor não conseguisse falar, seu olhar atônito fixou-se em Edward. Ele se levantou da poltrona e caminhou até a janela, aparentemente sem saber o que fazer. Pegou uma tesoura que se encontrava no parapeito da janela e, enquanto estragava a tesoura e sua bainha cortando-a em tiras, disse apressadamente:
- Talvez as senhoras ainda não saibam... Talvez ainda não tenham sido informadas de que meu irmão se casou com a jovem... com a Srta. Lucy Steele.
Suas palavras foram recebidas com indizível espanto por todas, exceto por Elinor, que continuou sentada com a cabeça abaixada sobre o trabalho que tinha nas mãos, em um estado de tal agitação que, se lhe perguntassem, não saberia dizer onde estava.
- Sim - afirmou Edward -, os dois se casaram na semana passada e agora estão em Dawlísh.
Elinor não podia mais permanecer sentada. Saiu quase correndo da sala e, assim que fechou a porta atrás de si, explodiu em lágrimas de alegria, tendo a impressão de que nunca mais pararia de chorar. Edward, que até então olhara em todas as direções, menos na de Elinor, viu-a sair apressada e talvez tenha notado - ou ouvido - sua emoção. Assim que ela se retirou da sala, ele entregou-se a um devaneio do qual nem as observações e as perguntas, nem os chamados afetuosos da Sra. Dashwood foram capazes de arrancá-lo. Por fim, sem falar nada, Edward saiu da casa e caminhou na direção da aldeia, deixando as mulheres atônitas e perplexas com a mudança na situação dele, uma mudança ao mesmo tempo tão maravilhosa e repentina. Era uma perplexidade que elas não tinham como diminuir senão apelando para suas próprias conjecturas. ( Jane Austen - "Razão e sensibilidade" - cap. XII)

      Na adaptação de 1971, o encontro não me pareceu muito admirado por parte de Elinor, algo um pouco "sem emoção"...

     
     A versão de 1981 foi melhor do que a de 1971 em muitos aspectos: Elinor a princípio só parece tensa, mas depois sai correndo para fora da casa como conta o livro.


     Na versão de 1995 Elinor também fica bastante emocionada, mas não sai da cadeira:

       A versão de 2007 foi a que mais gostei, pois entre outras coisas, aparecem todas Dashwoods na sala. Também gostei mais dessa interpretação de Edward Ferrars que como no livro estava bem nervoso. Apesar de Elinor não sair da casa pra conter as lágrimas, a ida dela para a cozinha sem saber o que fazer ou pensar, toda atrapalhada com o avental, foi muito bonita, um reencontro cheio de emoção. 



     Um reencontro digno de um final feliz. Um caso de amor dado por perdido e depois... reencontrado.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Razão e Sensibilidade - brincando com um elenco brasileiro

    

      Depois da brincadeira com a escolha de um elenco brasileiro em "Orgulho e Preconceito", agora é a vez de "Razão e Sensibilidade".
     É bom lembrar que isso é uma escolha pessoal e é bem difícil escolher alguém que "caia exatamente bem" em determinada personagem.
    Tentei escolher aqueles que mais tinham a ver com minha perspectiva de cada um.  Bom, aqui vai...

    
     Mariana Ximenez ganhou o papel de Elinor Dashwood. Achei que ela tem um jeitinho delicado e ao mesmo tempo firme,  um tanto introspectiva, tipo menina ajuizada, ótimo pra uma irmã mais velha.
    
     Sophie Charlotte é Marianne Dashwood. Alguém meiga e romântica, com todo o caráter de Marianne.
    
     Irene Ravache é a Senhora Dashwood. Tem um olhar terno de uma mãe dedicada além de ser bonita como imagino que ela seja.
    
     John Dashwood seria Antônio Calloni. Me pareceu perfeito para irmão das meninas e faz bem o papel de homem submisso. Achei até que ele ficou bem de ruivo.
    
      A esposa Fanny Dashwood ficou com Carla Diaz. Imagino Fanny com olhos pequenos e  de uma beleza mediana.
    
      Mateus Solano é Edward Ferrars. Uma boa pedida para o bom moço indeciso. 
    
      Juliana Didone ficou perfeita para o pepel de Lucy Steele. Não sei bem o que me chamou a atenção para isso, mas achei uma combinção muito boa.
    
     Fiuk pra mim é Willoughby em pessoa. Me desculpem as fãs,  acho ele  com "jeitão de conquistador", mas não tenho nada contra. Acredito que não preciso dizer mais nada por ter escolhido ele para o papel.
    
     Victor Fasano seria Coronel Brandon. Ele tem um ar pacato, além de ter boa aparencia para um "gentleman". Sem dúvida,  conquistaria o coração da romântica Marianne.
     
      A Senhora Jennings é de Vera Holtz. Cara de "mãezona", carinhosa e espontânea. Daria uma excelente Mrs. Jennings.

      Eva Wilma é a "típica" Senhora Ferrars. Ela faz bem essas papéis de autoritária/orgulhosa/prepotente (embora sei que a atriz não seja assim) e tem sempre um "glamour" inconfundível no olhar.
     E vocês? Têm alguém pra competir? 
É só começar a rodar..

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A infância em "Razão e sensibilidade" e "A abadia de Northranger".

"Especial semana das crianças"
     As irmãs Elinor e Marianne sempre foram muito unidas (mesmo antes de Margareth chegar). Em Norland, sempre tiveram todo o conforto; belas roupas, brinquedos, espaço para brincar, amor e amizade para compartilhar.
    O garotinho Willoughby, provavelmente era bonitinho desde pequeno, mas por certo, a ambição já fazia parte de seu caráter que assim como a cultura, também é moldado na infância.
     Catherine Morland teve uma infância onde a liberdade e a imaginação eram as companheiras de todas as horas. Bonecas não lhe agradavam muito, mas as corridas e o balanço...que gostoso...

     E sua infância como foi?
Postagens complementares:
Fotos:
becomingjane.blogspot.com
fashionbride.wordpress.com
bridalpk.com
bridalvillage.ca

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Os espelhos e as reflexões em "Razão e Sensibilidade"

  Em alguns momentos, as reflexões são tão imprescindíveis quanto os espelhos. 
  Muitas vezes as conclusões são definitivas, outras, momentâneas e isso não depende de nós, mas dos acontecimentos. 
       As heroínas, coadjuvantes e antagonistas desta obra e seus "encontros com o espelho":

     Elinor Dashwood, mesmo sabendo que Edward e Lucy Steele estavam noivos ainda tinha uma ponta de esperança, até quem ouviu que Mr. e Mrs Ferrars tinham sido vistos, recém-casados.


    Marianne Dashwood, da mesma forma, percebeu que tinha que mudar sua rota. Willoughby era caso perdido.

       Lucy Steele...quando o amor pelo dinheiro é maior e a herança não existe mais, até onde vai o interesse em se casar?

      Em minha opinião, "Razão e Sensibilidade" além do famoso dueto: Elinor-razão e Marianne-coração  que todo mundo  nota, tem talvez o caráter mais romântico das obras de Jane Austen. 
     Este livro retrata muito (entre outras coisas) o caráter sentimental, as ilusões, o compromisso de um noivado, as decepções amorosas, reconhecer que há sempre uma nova chance para o coração , enfim, a descoberta do sentimento amor em todos os sentidos, até mesmo quando esse é pelo pelo dinheiro. 

     A obra "Razão e Sensibilidade" já fez muitos refletirem sobre vários aspectos do comportamento humano. E você? Já leu? O que fez você refletir? Deixe sua opinião com um comentário?
Fotos:
antiquehelper.com/antiquepeek.com/antiques.rubylane.com/
bellestyles.com/bonhams.com/christies.com/cowanauctions.com/
ebay.com/en.trade2cn.com/eronjohnsonantiques.com/
estatestore.org/faccents.com/fairyrevel.com/fanpop.com/
flickr.com/kidslovegifts.co.nz/leopardantiques.com/
lidealegifts.com/listal.com/liveaaspireauctions.com/
pbs.org/pewtercrafts.en.busytrade.com/prweb.com/
pt.dreamstime.com/rubylane.com/sothebys.com/
swedishantiques.blogspot.com/theauctioncentre.co.uk/
theoldcinema.co.uk/uctioneers.com/
vanityperfumeandshaving.info/victoriarosecottage.com/

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Jane Austen em francês e alemão

Razão e Sensibilidade em francês
     Passeando pela "livrarias da vida" me deparei com alguns "achados". Foi a primeira vez que peguei (nas mãos)  essas edições das obras em francês e alemão.
   O único de Jane Austen em francês foi "Razão e Sensibilidade":
já em alemão (desculpem, a resolução não ficou boa, sabe como é foto tirada de celular):
ao centro, uma edição bilíngue, inglês e alemão, de "Orgulho e Preconceito", 
e nos extremos, Emma e Mansfield Park, ambas completas alemão. Um charme!!!
Emma, em alemão
Mansfield Park, em alemão