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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Edward Ferrars...o reencontro depois da desilusão - (Reencontros - parte 2)

     Acho que Jane Austen gostava de suspense. Já notei que em várias partes em seus romances, acontecem aqueles pequenos mal entendidos que dão um tempero a mais na trama. Mais ou menos como acontece em "Persuasão", quando Cap. Wentworth vai até Anne Elliot imaginando que ela irá se casar com o primo Mr. Elliot e cria todo aquele suspense. 
    O reencontro deste post também acontece dentro desses padrões. 
  Em "Razão e sensibilidade", um mal entendido, bem interessante, é claro para uma cultura diferente da nossa, onde as esposas são chamadas por Sra. (Mrs.) NOME DO MARIDO. Aqui no Brasil ficaria algo mais difícil, pois somos bem mais descontraídos (ou largados) com essas normas de apresentações, coisa que não sei se é tão bom; respeito, educação, cultura e tradição são coisas que eu preso muito...  é sou meio antiga mesmo, mais vamos ao que interessa nesse reencontro:

Edward Ferrars e Elinor Dashwood -
"Razão e Sensibilidade" - adaptação de 2007
     
        Pra quem quer entender melhor...
    Elinor soube que Mr. Ferrars (seu amado), havia se casado e ela já imaginava que Edward se casaria mesmo com Lucy Steel , pois um compromisso não era quebrado assim com facilidade, mas o Mr. Ferrars que havia casado e foi citado pelo criado era o irmão de Edward, Robert Ferrars. 
     Outra confusão, quando se pergunta sobre Mrs. Ferrars que Edward imagina ser sua mãe, mas a pergunta era sobre a Sra. Edward Ferrars, no caso (como esclareceu Edward) a Sra. Robert Ferrars. Jogo interessante, mas que fez desse reencontro (desencontro) aquele que Elinor mais esperou em sua vida!

    Edward foi até a casa das Dashwood para se declarar a Elinor e lhe fazer uma proposta de casamento, pois como Lucy Steel havia desfeito o compromisso de noivado para se casar com seu irmão, ele agora estava livre, mas Elinor imaginava que ele já era um homem casado e sua surpresa (e também de sua mãe e irmãs) ao entender o engano foi quase um susto, cheio de emoção, muita emoção! Já pensou que alegria uma coisa assim? Que alívio, isso sim!
Cenas de "Razão e sensibilidade" - 2007


"Mal Elinor havia pensado isto quando a figura de um homem montado a cavalo atraiu o seu olhar para a janela. o cavaleiro parou diante do portão do chalé. Era um cavalheiro, era o coronel Brandon, e a expectativa a fez estremecer. Mas... não era o coronel Brandon! o cavaleiro não tinha a aparência dele, nem a altura... Se fosse possível, ela diria que era Edward. Olhou de novo. o homem acabara de descer do cavalo. Ela não podia estar enganada, era Edward.
Elinor afastou-se da janela e sentou-se, pensando: "Ele veio da casa do sr. Pratt para nos visitar. Vou me manter calma. Tenho que ser dona de mim".
No mesmo instante, ela logo notou que as outras também se davam conta do engano. Viu que a mãe e Marianne empalideciam, que se entreolhavam e trocavam frases sussurradas.
Ela teria dado o mundo para conseguir dizer algo e fazê-las entender que não queria que tratassem Edward com frieza. Foi, porém, incapaz de dizer uma única palavra e, assim, deu às duas completa liberdade de ação.
Nem uma sílaba foi pronunciada em voz alta. As quatro aguardaram em silêncio a entrada do visitante. Os passos de Edward foram ouvidos no caminho de cascalho; no momento seguinte, ele se encontrava no vestíbulo e logo apresentou-se diante delas.
Sua aparência, no momento em que entrou na sala, não era de felicidade. Seu semblante mostrava-se pálido de agitação e ele parecia temer a recepção que teria, como se tivesse consciência de que não merecia a menor consideração por parte de nenhuma delas. No entanto, conformando-se com o que supunha ser a vontade da filha mais velha, por quem desejava de todo coração ser guiada nesse instante, a Sra. Dashwood recebeu Edward com um olhar de complacência forçada, ofereceu-lhe a mão e desejou-lhe felicidades.
Ele enrubesceu e gaguejou uma resposta ininteligível. Os lábios de Elinor haviam se movido ao mesmo tempo que os da mãe e, quando o momento de ação passou, ela desejou também ter trocado um aperto de mão com Edward. Mas já era tarde demais e, com um gesto afetando naturalidade, voltou a sentar-se e começou a falar do clima.
Marianne procurou ficar fora de vista para esconder a sua perturbação. Margaret, compreendendo apenas em parte o que acontecia, julgou melhor adotar uma postura fria, manteve-se calada e foi sentar-se o mais longe possível de Edward.
Quando Elinor cessou de falar sobre a falta de chuvas, um silêncio incômodo tomou conta do aposento. O silêncio foi interrompido pela sra. Dashwood, que se sentiu na obrigação de perguntar se Edward deixara a sra. Ferrars com boa saúde. De modo apressado, ele respondeu que sim.
Mais um instante de silêncio.
Elinor, embora temendo o som da própria voz, decidiu empenhar-se em ser educada e indagou:
- A sra. Ferrars ficou em Longstaple?
- Longstaple? - repetiu Edward, surpreso. - Não, minha mãe ficou na capital.
- Eu estava me referindo à sra. Edward Ferrars - corrigíu Elinor, pegando um trabalho manual de cima da mesa. Ela não se atrevia a fitar o jovem cavalheiro, mas tanto sua mãe quanto Maríanne o olharam. Ele corou, parecendo perplexo, confuso, e depois de um longo momento de hesitação, declarou:
- Talvez a senhorita se refira à esposa de meu irmão... à sra. Robert Ferrars.
- Sra. Robert Ferrars?! - exclamaram Marianne e a sra. Dashwood, em tom de absoluto espanto.
Embora Elinor não conseguisse falar, seu olhar atônito fixou-se em Edward. Ele se levantou da poltrona e caminhou até a janela, aparentemente sem saber o que fazer. Pegou uma tesoura que se encontrava no parapeito da janela e, enquanto estragava a tesoura e sua bainha cortando-a em tiras, disse apressadamente:
- Talvez as senhoras ainda não saibam... Talvez ainda não tenham sido informadas de que meu irmão se casou com a jovem... com a Srta. Lucy Steele.
Suas palavras foram recebidas com indizível espanto por todas, exceto por Elinor, que continuou sentada com a cabeça abaixada sobre o trabalho que tinha nas mãos, em um estado de tal agitação que, se lhe perguntassem, não saberia dizer onde estava.
- Sim - afirmou Edward -, os dois se casaram na semana passada e agora estão em Dawlísh.
Elinor não podia mais permanecer sentada. Saiu quase correndo da sala e, assim que fechou a porta atrás de si, explodiu em lágrimas de alegria, tendo a impressão de que nunca mais pararia de chorar. Edward, que até então olhara em todas as direções, menos na de Elinor, viu-a sair apressada e talvez tenha notado - ou ouvido - sua emoção. Assim que ela se retirou da sala, ele entregou-se a um devaneio do qual nem as observações e as perguntas, nem os chamados afetuosos da Sra. Dashwood foram capazes de arrancá-lo. Por fim, sem falar nada, Edward saiu da casa e caminhou na direção da aldeia, deixando as mulheres atônitas e perplexas com a mudança na situação dele, uma mudança ao mesmo tempo tão maravilhosa e repentina. Era uma perplexidade que elas não tinham como diminuir senão apelando para suas próprias conjecturas. ( Jane Austen - "Razão e sensibilidade" - cap. XII)

      Na adaptação de 1971, o encontro não me pareceu muito admirado por parte de Elinor, algo um pouco "sem emoção"...

     
     A versão de 1981 foi melhor do que a de 1971 em muitos aspectos: Elinor a princípio só parece tensa, mas depois sai correndo para fora da casa como conta o livro.


     Na versão de 1995 Elinor também fica bastante emocionada, mas não sai da cadeira:

       A versão de 2007 foi a que mais gostei, pois entre outras coisas, aparecem todas Dashwoods na sala. Também gostei mais dessa interpretação de Edward Ferrars que como no livro estava bem nervoso. Apesar de Elinor não sair da casa pra conter as lágrimas, a ida dela para a cozinha sem saber o que fazer ou pensar, toda atrapalhada com o avental, foi muito bonita, um reencontro cheio de emoção. 



     Um reencontro digno de um final feliz. Um caso de amor dado por perdido e depois... reencontrado.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

As heroínas de Jane Austen foram à manicure.

     É claro que não foi de verdade, quer dizer, foi mais ou menos... Bem, foi um joguinho, uma brincadeirinha, pois sinceramente nem sou fã de esmaltes, mas quis fazer um passatempo pra quem conhece cada uma das heroínas dos livros de Jane Austen. Não coloquei todas, é claro, mesmo porque é legal equilibrar também as antagonistas, pra se ter melhor a ideia do jeito de ser das heroínas e notar melhor as diferenças, pois são muitas.
   Fiquei imaginando de quem poderiam ser essas mãozinhas...
    A modesta e recatada Fanny Price (Mansfield Park), preferiu usar só uma base.
    Anne Elliot (Persuasão) também não gosta de chamar muito a atenção (nem mesmo do Capitão Wentworth), achou que um rosa antigo seria a cor ideal.
   Elizabeth Bennet (Orgulho e Preconceito) escolheu um rosa champagne  feminino e jovial e aproveitou para ostentar o maravilhoso anel de noivado que recebeu de Mr Darcy.
     Jane Bennet (Orgulho e Preconceito) também quis mostrar seu lindo anel de   futura Mrs. Bingley e combinou usando um tom lilás bem suave.
    Elinor Dashwood (Razão e Sensibilidade) prefere algo básico, então optou por um tom de areia bem suave.
   Catherine Morlan (A abadia de Northanger) gostou dos desenhos nas unhas. Escolheu uma base com "poás"  rosa e amarelo.
    Emma Woodhouse (Emma) quis algo alegre e moderno e pediu um turquesa claro.
    Mary Crawford (Mansfield Park) é uma dama refinada e gosta de exibir suas mãos de "femme fatale" com lindas jóias e o tradicional vermelho "love that red".
   Miss Bingley (Orgulho e Preconceito) gosta de suas unhas mais longas (afinal não move uma palha) e optou pelo lindo cor de uva, combinando com a ametista do anel.
    Marianne Dashwood (Razão e Sensibilidade) também gosta de unhas longas, mas foi de "francesinha", jovem e delicado.
    Lydia Bennet (Orgulho e Preconceito) gosta de inovar. Um cinza claro com estrelinhas azuis é próprio de uma adolescente sonhadora e que vive no "mundo da lua".
  "Kitty" Bennet (Orgulho e Preconceito) achou o máximo saltear coraçõezinhos cor-de-rosa sobre uma base incolor, puro romance adolescente.

    O esmalte como conhecemos hoje em dia só foi comercializado a partir de 1920, sendo assim, as tais heroínas não tinham acesso aos tais vidrinhos coloridos. Já pensou se tivessem???
Fotos:
jewelryexpert.com
auntiestreasures.com
dianavincent.com
buydiamondrings.org
the-engagementrings.com
essrigs.com
wwwemitations.blogspot.com
best-handmade.com
creativenails.ru
kupon.tambo.ru

domingo, 22 de julho de 2012

O guarda-chuva nas obras de Jane Austen

     Depois de perceber que apesar de a Inglaterra ser um país chuvoso e que em muitas passagens nas obras de Jane Austen falou-se sobre chuva ou tempo chuvoso, nunca via ninguém utilizando guarda-chuvas... Não pode ser erro da produção. A coisa parece meio proposital. Todos pareciam ser adolescentes (preferiam ficar encharcados a carregar um guarda-chuva). Cadê aquele famoso charme inglês do guarda-chuva nos braços??? 

     Emma utiliza um modelo, mas é para proteção do sol, coisa que as mulheres já utilizavam desde meados do séc. XVII. 


     Exceção de Fanny que salvo o erro, em uma passagem tem o auxilio de alguém que lhe oferece um guarda-chuva,
     E na versão de 1995 de Persuasão, em que o Cap. Wentworth também usa um:

      






(Se alguém lembrar de outro aparecimento do guarda-chuva, me avise). Será que esse equipamento tão tipicamente inglês era algo desconhecido na época de Jane Austen??? 

      Jane foi até a casa dos Bingley caminhando (de certo que foi a mando da Sra. Bennet), mas não poderia ter levado um guarda-chuva, já que o tempo estava incerto??? Chegou pingando e resfriada. 


     Elinor vai ao encontro de Edward Ferrars com um manto sobre a cabeça pra se esconder da chuva. 
    Edward por sua vez, está sem proteção, todo molhado rachando lenha... 


    Anne Elliot (2007) também aparece se escondendo da chuva quando se encontra com o Capitão Wentworth, que por sua vez também está correndo de tal.
Mr.Elliot também entra depressa pra se proteger...
Tira o chapéu todo molhado e ainda continua com classe...
e os dois saem até encontrar a carruagem (na chuva).

Elizabeth sai correndo na chuva e atravessa uma ponte procurando abrigo...
Chega toda molhada...
e encontra Mr. Darcy, também do mesmo jeito.
    Catherine Morland e John Thorton enfrentam um tempo bem chuvoso durante um passeio "muito agradável" e nem uma carruagem com cobertura  ou guarda-chuva. 
     Marianne sai com Margareth para um passeio em um tempo "esquisito" e ninguém pegou um guarda-chuva. Ficaram todas encharcadas e isso pareceu normal. 

   Willoughby  também estava no mal tempo e encontra Marianne.











 Novamente, Marianne sai pelo tempo chuvoso e frio sem levar o bendito guarda-chuva, procurando Combe Magna. Já sabem no que deu... 












    Ah! E Coronel Brandon da mesma forma, sai como não existisse guarda-chuva. E não existia mesmo!

    Lembrando que algumas cenas na chuva colocadas nas adaptações das obras de Jane Austen não estavam exatamente assim nos livros e foram acrescentadas para criar mais emoção e romantismo (como a cena da primeira proposta de Mr. Darcy à Elizabeth) quem produziu não fugiu à verdade: o equipamento em questão, estava começando as ser comercializado justamente nessa época e era praticamente inacessível, por isso é que as heroínas de Jane Austen aparecem sempre se escondendo em algum lugar ou molhadas. 

   A origem do guarda-chuva é incerta, provavelmente na China, no séc. 11 a.C., sendo também comprovado seu uso em épocas semelhantes no Egito, Grécia e Índia, mas foi no Japão que ele foi difundido com lindos modelos e cores. 

 A princípio os guarda-chuvas não eram propriamente "guarda-chuvas", eram "guarda-sóis", pois eram utilizados para a proteção contra o sol e inicialmente foi projetado com fins religiosos. A própria palavra que deu origem ao nome em inglês "umbrella", veio da palavra de origem latina, umbra, que significa sombra e o modelo foi inspirado na copa de uma árvore, que oferece uma ótima sombra. 

    As mulheres francesas popularizaram o uso do guarda-sol durante o século XVII e XVIII, visto que a moda era uma pele branca como porcelana. Senhoras e senhoritas inglesas podiam ser vista em 1676 com guarda-sóis delicados, com rendas, eixos ósseos, brocados e alças feitas com metais preciosos e jóias. Tornou-se um item popular e imprescindível na moda do séc. XVIII. 

    Em meados do século XVIII, o filantropo Jonas Hanway foi o primeiro a usar um guarda-chuva (como o próprio nome diz) em público na Grã-Bretanha.
   Os primeiros eram feitos de seda oleada com pesadas molduras de madeira que tornava difícil o abrir e fechar quando molhados. 

   Inicialmente foi ridicularizado e tido como um acessório feminino, depois o acessório acabou por incorporar-se ao cotidiano dos britânicos, que até hoje não saem de casa sem carregar um guarda-chuva pendurado no braço e sem dúvida as intempéries do clima inglês garantiram o sucesso do equipamento. 

     Essa nova moda foi popularizada pelas casas de café, onde guarda-chuvas foram mantidos para clientes se abrigarem da chuva ao caminhar para suas carruagens. Foi durante este período que a distinção entre um guarda-sol e um guarda-chuva passou a existir. 

    Em 1930 os guarda-sóis femininos começaram a desaparecer, pois uma pele bronzeada tornou-se moda. 

   Ultimamente, tenho visto várias senhoras e até mesmo as mais moças, com suas "sombrinhas" abertas nos horários em que o sol é mais forte. Ninguém quer se arriscar a ter problemas com os raios ultravioletas e pelo jeito, parece que a moda está voltando, ou pelo menos ninguém mais se importa em ser chamado de antiquado. 
Fontes e fotos:
janeausteninvermont.wordpress.com
janitesonthejames.blogspot.com.br
lulabulle.neufdecoeur.com
myprideandprejudice.com
oakthriftumbrellas.com
historynetshop.com


terça-feira, 12 de junho de 2012

"A personalidade de Elinor Dashwood"

A personalidade das heroínas de Jane Austen (parte 8)
    Temperamento “NT”, “Intelectual”.
 O INTJ é chamado de “Cérebro-mestre” ou “Estrategista”.
  (Expliquei melhor sobre esse tipo de análise aqui).
   Um INTJ é perfeccionista. Muito inteligente, valoriza idéias, planejamento, conhecimento e competência. Estabelece altos padrões para si mesmo, esforçando em atingi-los.
  INTJ’s ,  possuem seu comportamento ações e reações baseados na seguinte pirâmide:
     A hierarquia de um INTJ é a seguinte:
Dominante: Introvertido
Auxiliar: Intuitivo
Terciário: Racional
Inferior: Julgador
   Levando em consideração que cada personalidade tem uma ordem única de cognições mais relevantes. (Se quiser saber mais detalhes sobre essa hierarquia, veja aqui).
  Geralmente focam sua energia em observar o mundo e os outros, procurando possibilidades, absorvendo informações e fazendo associações.     
  São difíceis de  impressionar pois são muito adaptáveis. Raramente um fato, por mais surpreendente, faz com que um INTJ transpareça sua emoção.
   Um INTJ é pensativo e compreende novas idéias rapidamente sempre tentando soluções e ações de forma prática.
   Esse tipo de personalidade tem certa dificuldade em expressar pensamentos e sentimentos, pois isso, suas idéias são muito individualizadas, não podendo ser explicadas de maneira que outros possam compreender.
     Um INTJ é líder natural e é capaz de enxergar a realidade de uma situação, mesmo que indiretamente, muitas vezes prefere permanecer em segundo plano até que haja uma necessidade. Eficazmente, toma conta das coisas para que estas funcionem devidamente. É estrategista, formula planos  e conceitos para qualquer eventualidade. Gasta seu tempo dentro de seus pensamentos, mas se tiver o lado sentimental apurado se preocupa muito com o sentimento alheio, sempre com cautela e respeitando sua intuição, em não oferecer muita intimidade àqueles em que ele não confie.
     O INTJ tem raciocínio a longo prazo e não gosta de qualquer coisa ambígua ou incerta, presa a transparência e a eficiência e seus altos padrões de perfeição. 
     De todos os tipos de personalidade, os INTJ’s são os mais penetrantes no pensamento e na percepção.
  Algumas pessoas podem ter dificuldade em compreender um INTJ, pois não demonstra muito o que lhe passa à mente, quase não faz elogios ou críticas, somente se muito necessário, mas ao contrário do que parece, um INTJ é um indivíduo muito aberto à novas idéias.
     Estão em azul, traços de um INTJ bem comuns em Elinor Dashwood, segundo a obra "Razão e Sensibilidade", de Jane Austen:
Traços positivos:
• Estruturados
• Objetivos
• Introspectivos
• Perfeccionistas
• Analíticos
• Atentos
• Controlados
• Responsáveis
• Autoconfiantes
• Calmos
• Apreciam a leitura
• São bons alunos
• Determinados
• Independentes
• Estratégicos
• Adaptáveis
• Disciplinados
• Decisivos
• Aconselham quando é preciso
• Bons em ouvir
• Muito inteligentes
• Tomam crítica bem
• Honram seus compromissos

Traços negativos:
• Impessoal
• Teórico
• Um tanto intenso
• Indivíduos complexos
• Indivíduos abstratos
• Não demonstram sentimentos
• Não elogiam nem criticam sem necessidade
• Pode se focar demais em detalhes
• Podem parecer intolerantes
• Podem parecer arrogantes
• Podem parecer insensíveis

   Se Elinor Dashwood pudesse ter escolhido uma profissão como uma mulher de nosso século, provavelmente teria optado por ser:

• Administradora de empresas
• Estrategista empresarial
• Gerente
• Programadora
• Dentista
• Engenheira
• Médica
• Psicóloga
• Cientista
• Professora
• Escritora
• Juíza
• Advogada
• Procuradora
• Empresária
   Elinor "provavelmente gostava" de usar roupas sóbrias, pois não se preocupava muito em agradar os outros, desde que fizessem com ela se sentisse bem. Tons e estampas neutras, seriam seus preferidos: 
     Os perfumes da família olfativa: floral cítrico, são os que mais combinam com a personalidade introspectiva, inteligente e sóbria de Elinor. Pessoas como ela escolhem seus perfumes e geralmente são fiéis a ele. 
   Os atuais que provavelmente estariam em seu toucador:
  • Lancôme - Ô de Lancôme
  • O Boticário - Floratta Emotion
  • Moschino - Moschino Glamour
  • Versace - Vanitas
    Famosos com a personalidade de Elinor Dashwood (INTJ): 
• Jane Austen - escritora
• Arnold Schwarzenegger – ator e governador 
• Augusto César – imperador romano
• CS Lewis – autor (As crônicas de Nárnia)
• Chevy Chase – ator
• Martina Navratilova – tenista
• Sir Isaac Newton - astrônomo
• Thomas Jefferson – presidente dos EUA
• Gal. Colin Powell – ex-secretário dos EUA

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A beleza das heroínas de Jane Austen (parte 4)

"A beleza de Elinor Dashwood"
    Pouco Jane Austen nos fala da beleza física de Elinor, mas tudo leva a crer que ela era uma moça muito bonita: ...quase tão linda quanto Elinor...(John Dashwood).
     Penso que Elinor tinha uma beleza tranquila e dócil, de maneiras educadas, delicada e gestos calculados, calma, era de tez clara, talvez tivesse os cabelos louros ou castanhos, comum na população inglesa, mas também gostei da versão de 2008, com Elinor de pele e olhos claros e cabelos mais escuros, a contradição é que no livro, Jane Austen diz que as irmãs Dashwood eram demasiadamente parecidas e Marianne sempre é mostrada como loira, neste caso, 
há certa incoerência.
Hattie Morahan como Elinor Dashwood
R&S 2008
 Dos livros de JA, "Razão e Sensibilidade" é o que acho mais intrigante. A abertura da série de 1981, faz um parecer muito especial:
Abertura de R&S 1981
   As duas irmãs em uma gangorra como se tentassem um equilíbrio. Acredito que essa é a essência dessa obra e da beleza e personalidade das irmãs Dashwood!
   Muitos afirmam que Elinor foi inspirada em Cassandra, irmã de JA e o livro, na amizade que as unia, mas acredito que a relação entre as irmãs Dashwood é muito mais complexa. 
     Nos meus tempos de faculdade, fui encorajada a observar o que via e enxergar um "segundo plano", mais ou menos como "procurar chifre em cabeça de cavalo", pois a Arte, (assim como a Literatura) é uma representação de algo profundo e não só uma pintura, música ou escultura "bonitinhas". É por esse motivo que vejo esse relacionamento entre elas com grande fundo psicológico. Por quê? Ao meu ver, Elinor e Marianne nada mais são do que os lados da razão e emoção que todos nós temos, homens (mais a razão) e mulheres (mais a emoção), neste caso, JA retratou a figura feminina entre duas irmãs/amigas, inseparáveis como esses dois sentimentos dentro de nós.
    Elinor, o caráter "Razão", psicologicamente subentendido, por ser a irmã mais velha (pois  a medida que o tempo passa e amadurecemos, nossos sentimentos se tornam naturalmente mais racionais). Ela é firme, pensa antes de agir, não demonstra seus sentimentos em público, e extremamente madura para a idade de 19 anos. Por essa razão apesar de ter gostado das diferentes interpretações feitas para  Elinor, não achei muito estranho quando Emma Thompson, então com 40 anos fez esse papel. Mais uma vez observando um segundo plano, ela retratou  
fielmente essa maturidade de Elinor.
Emma Thompson como Elinor Dashwood
R&S 1995
    Já vi várias mulheres que dizem gostar mais de Elinor do que de Marianne. Outras ainda, que gostariam de ser como ela, pois era mais consciente, firme e não deixava que a emoção passasse sobre a razão e a fizesse agir de forma errônea, tinha bom senso, o oposto da irmã que numa explosão de sentimentos, não se preocupava com o que estava ao redor e quem a observava.
   Todos nós, que conhecemos o perfil de JA, sabemos que ela era uma mulher muito perspicaz e  extremamente inteligente e ouso afirmar que esse conflito de Elinor e Marianne era presente em seu caráter  constantemente. JA era como Elizabeth Bennet, "não tinha papas na língua", como dizem, mas imaginem no início do séc. XIX, onde a mulher  não tinha crédito e nem vez; a dificuldade em ver certos comportamentos e ter controle sobre as emoções! Isso era desejável, mas nem sempre conseguido. Se formos abrir um parêntesis sobre vários fatos da vida de JA e de suas personagens que nos provam isso...(pretendo fazer um post só sobre  esse assunto). Mas o fato mais relevante nessa obra de JA aqui neste post é esse: as irmãs Dashwood retratam o "Eu e o Ego" que existe dentro de cada um de nós (em poucas palavras: o eu é a nossa essência, o que somos verdadeiramente e o ego, aquilo que somos pela nossa cultura, padrões de comportamento e bom senso). A razão é sempre necessária, pois mostra equilíbrio, mas a emoção existe e se ela não pode ser mostrada, sofremos, (claramente o que nos passa  "Razão e Sensibilidade").
Irene Richards como Elinor Dashwood
R&S 1981
     Contudo, não lhe faltou sentimento, Elinor não deixou de amar, ela sofria por seu amor mas não demonstrava, apesar disso seu sofrimento não foi menor, um homem tido como sem beleza, comum, que Marianne, demasiadamente romântica, jamais aprovou como "alma gêmea" da irmã, apesar de gostar de Edward, mas para Elinor, só o amor bastava e mesmo assim ela conseguiu ser feliz ao lado dele.
 A grande afinidade entre as irmãs Dashwood está nessa procura de equilíbrio emocional dentro de nós:
    Por essa convicção de que Elinor e Marianne são frutos de nossos conflitos internos de emoções, é óbvio que a aparência física no romance se torna secundária, mas vejam que frase enigmática:
...a semelhança física entre Marianne e a irmã impressionava... (R&S ,cap. I) pois é como se fossem uma só, cada uma com um extremo, dificilmente alguém real (embora possível), pode ter um só lado tão aguçado. Quem de nós nunca teve que se controlar diante de uma grande emoção ou ofensa e quem não perdeu as estribeiras ou falou demais?
Joanna David como Elinor Dashwood
R&S 1971
     Para encerrar essa "análise" de beleza (interior e exterior) de Elinor Dashwood, coloco alguns trechos do primeiro capítulo de R&S (para maior compreensão, seria interessante a leitura completa do capítulo) onde JA faz claro essa ambiguidade entre razão e emoção, cada característica é determinada por uma delas, sempre afirmando também as semelhanças, portanto mostrando o equilíbrio procurado (encontrado) dentro de nós mesmos: a amizade e companheirismo de Elinor e Marianne:



     ...Elinor, a filha mais velha cujo conselho fora tão acertado, tinha um poder de compreensão e uma firmeza de julgamento que a haviam tornado, apesar de ter apenas dezenove anos, conselheira da mãe e a qualificavam para contrabalançar, em proveito das quatro... tinha excelente coração - era afetuosa e de sentimentos fortes, mas sabia como controlá-los...via com grande consternação o excesso de sensibilidade da irmã...ambas se encorajavam quer na violência, quer na aflição. A agonia de um desgosto, que as subjugava em princípio, era em seguida renovada por vontade própria, alimentada, recriada uma vez, outra e mais outra...porém se mantinha disposta a lutar e a dar ânimo a si mesma...(R&S, cap.I).
foto R&S 1971: janeausten.com.br
http://janeausten.com.br/2012/03/vestuario-elinor-dashwood-1971

Outros tópicos desta série:
"A beleza das heroínas de Jane Austen":
1- Estética
2- Elizabeth Bennet
3- Jane Bennet
4- Elinor Dashwood
5- Marianne Dashwood
6- Anne Elliot
7- Emma Woodhouse
8- Fanny Price
9- Catherine Morland
10-Mary Bennet