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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Os livros e o "eReader"

     Há algum tempo soube sobre os "eReaders". São quase do tamanho de um tablet, pouco maiores que um celular (podendo variar um pouco de um modelo para outro). Quando vi  o Kindle na Amazon, achei o preço um tanto salgado, com frete, etc. e também havia o fato de que os livros em português eram escassos. Achei que com certeza não era o momento e havia uma grande chance de logo ser lançado no Brasil.
     Essa semana, procurando por um atlas escolar pra minha filhinha na Livraria Cultura, me surpreendi com três LINDOS modelos do Kobo Touch eReader. 
     O preço também me deixou surpresa: vão de R$249,00 a R$499,00 (se não engano) e podem ser divididos em até 10 vezes sem juros!!! É muito?! Tem mais: as obras de Jane Austen (em português) estão disponíveis:
E "Emma" bilingue:
      Ficou difícil resistir (ainda estou tentando...).
     Ler em qualquer lugar, com o tamanho de letra escolhido, praticidade e comodidade, sem ter que ficar torcendo o livro, marcando páginas, vários livros em um só lugar (armazenam 1000 livros e alguns modelos tem opção pra cartão de memória e podem armazenar 30.000)... Mas...livros...livros...eles me encantam! Bibliotecas me encantam, os novos, os antigos, as capas...o cheiro... Só fã de carteirinha de livrarias. E aí? Dura decisão! Amo ler, mas amo livros. Vamos ver até quando vou resistir...
Foto:
publicdomainpictures.net

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A infância em "Emma" e "Mansfield Park"

"Especial semana das crianças"
    Jane Austen também foi criança um dia. Que novidade! Poderia ser parecida com a garotinha acima ou quem sabe idêntica! É que no fundo, todas as crianças são bem parecidas na ingenuidade, imaginação, pureza, alegria (caso um adulto não corrompa essa natureza), independente da época em que viveram.
      Que tal imaginar as belas moças quando meninas? Já pensaram nisso? Aproveitando que estamos na semana das crianças, vamos resgatar a que vive dentro de nós e... brincar de imaginar...
     Emma Woodhouse foi uma menina feliz, com todo o conforto. Sempre linda, com boas roupas, bons brinquedos e muito amor!
   As irmãs Bertram também tiveram uma infância confortável, apesar de terem sido criadas com certo orgulho. 
      Na bela casa de Mansfield Park, brincadeiras como essa não devem ter faltado...
     Fanny Price desde pequena já se sentia humilhada. Sabia que vivia de favor e que não podia se comparar com as primas; tinha que ter ciência de sua condição. Por essa e por outras, Fanny era uma criança mais madura que as outras de sua idade e tinha sua alegria um tanto apagada.
     Mary Crawford desde pequena já tinha noção de sua beleza, por certo era elogiada pelos pais a todo instante o que criou nela uma grande auto-estima, assim como seu irmão Henry...
...sempre altivo e esperto, já pensando na próxima travessura.

       É interessante imaginar cada personagem...
       Como você imagina os demais quando crianças?

Postagens complementares:

Fotos:
Capturas de tela e
ukhairdresses.com
janeaustenpt.blogs.sapo.pt
thebikerguide.co.uk
newby_hall_and_gardens.com
squidoo.com
fashionbride.wordpress.com
austensmansfield.wordpress.com

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

"Shopping" em Mansfield Park? Os Crawford foram às compras...

Adaptação de "Mansfield Park" (Jane Austen) de 2007.
    Passeando pelo shopping esses dias me deparei com uma loja de roupas que eu não conhecia e juntou a tampa e a panela, quando li o nome: CRAWFORD. 
     Essa loja é especializada em moda masculina e é famosa pela impecável alfaiataria. Pronto: "Sir" Henry Crawford deve ser o dono, só pode ser... com toda aquela elegância que lhe é peculiar... ou no mínimo a loja é de algum parente próximo.
   Olha lá Mary e Henry Crawford  dando umas voltinhas no shopping,
  aproveitando as promoções na boutique da família.
     E como não poderia deixar se ser  isso só poderia ter acontecido em um shopping das redondezas! É claro! Mansfield Park Shopping! Très chic!!!
    Ei, olha ali Fanny Price saindo da "Marisa". (Eu gosto da Marisa, tá).
     Boa leitura e boas compras!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Os espelhos e as reflexões em "Mansfield Park"

    
    A moralidade,  o preconceito, a humildade e o reconhecimento. Isso foi o que eu refleti com "Mansfield Park" de Jane Austen. Mas...e as personagens?

     Julia Bertram não fala muito, é difícil saber de seus pensamentos, mas certamente percebeu que algo estava errado:
   
   Maria Bertram não esperou pelo amor. Para a família Bertram, só o dinheiro valia. Mas tal sentimento lhe custou a honra:

     Mary Crawford tinha total segurança de seu poder de sedução, mas...
     Fanny Price, humilde e resignada, nada esperava:
     E você? O que "Mansfield Park" lhe fez refletir?
Fotos:
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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Jane Austen em francês e alemão

Razão e Sensibilidade em francês
     Passeando pela "livrarias da vida" me deparei com alguns "achados". Foi a primeira vez que peguei (nas mãos)  essas edições das obras em francês e alemão.
   O único de Jane Austen em francês foi "Razão e Sensibilidade":
já em alemão (desculpem, a resolução não ficou boa, sabe como é foto tirada de celular):
ao centro, uma edição bilíngue, inglês e alemão, de "Orgulho e Preconceito", 
e nos extremos, Emma e Mansfield Park, ambas completas alemão. Um charme!!!
Emma, em alemão
Mansfield Park, em alemão



quinta-feira, 7 de junho de 2012

"A personalidade de Fanny Price"

Jane Austen e a personalidade de suas heroínas (parte 7)
          Temperamento “NF”, “Visionários”.
     O INFJ é o “Conselheiro”ou “Confidente”.
   (Expliquei melhor sobre esse tipo de análise aqui).
   É considerada a mais raras das personalidades, somente cerca de 2% da população mundial, na maioria mulheres, é INFJ.
     São pessoas preocupadas, delicadas, complexas e sensíveis. Fazem de tudo para ter a satisfação em ajudar os outros e ter paz. INFJ’s  são maravilhosos ouvintes, muito empáticos e intuitivos. INFJs são reservados e profundamente comprometidos com suas crenças. Estão sempre trabalhando “por trás dos bastidores” em favor das pessoas.
     Um INFJ possui seu comportamento ações e reações baseados na seguinte pirâmide:
     A hierarquia de um INFJ é a seguinte:
Dominante: Introvertido
Auxiliar: Emocional
Terciário: Intuitivo
Inferior: Julgador
     Levando em consideração que cada personalidade tem uma ordem única de cognições mais relevantes. (Se quiser saber mais detalhes sobre essa hierarquia, veja aqui).
     INFJ’s vão além das aparências e coisas superficiais. Têm excelente memória, conhecimento e são sempre bem informados. Gostam de estar em seu mundo interior, com suas metáforas, idéias, perspectivas, histórias e teorias, o que lhe dá um comportamento consciente e sábio. Gostam de escrever e podem se tornar excelentes escritores por serem criativos, artísticos e viverem num mundo de possibilidades ocultas, onde definem e redefinem as prioridades de suas vidas.
      INFJ’s têm o conhecimento das coisas por sua intuição e não sabem muito bem explicar isso, daí o fato de serem tão bons em dar conselhos, geralmente certeiros.
    Geralmente são solitários e introspectivos e profundos, demonstrando seus pensamentos, intenções e sentimentos somente àqueles de muita confiança. Tipicamente difícil de ser incompreendido, pode guardar segredos nunca revelados.
      As pessoas próximas estimam muito um INFJ, enxergando suas qualidades especiais e a importância com que eles tratam as pessoas não deixando que se magoem, pois são muito calorosos. São perfeccionistas e sempre acham que não utilizam todo seu potencial, por vezes se sentem tristes por se culparem em não ser mais útil.
     Têm um forte sistema de valores, amam a família, criam laços fortes e são super protetores, fazendo o melhor que podem.
      Estão em verde, traços relevantes de um INFJ muito evidentes em Fanny Price, segundo a obra "Mansfield Park', de Jane Austen:
Traços positivos:
Intuitivo
Conselheiro
Caloroso
Prestativo
Cooperativo
Empático
Idealista
Pronto a ouvir
Sentimental
Perfeccionista
Amoroso
Guarda segredos
Prezam família e amigos
Compreensivo
Excelente memória
Escreve bem
São inteligentes
Traços artísticos
Dá conselhos com sabedoria
Traços negativos:
Dificuldades em demonstrar sentimentos
Não tem muita compreensão de suas intuições
Têm valores firmados e acredita neles
Pode ser solitário
Não aceita muito atitudes fora de seus padrões e valores
Pode ser inseguro em tomar rápidas decisões
Podem ter expectativas irrealistas dos outros
Podem ser impacientes com as fraquezas dos outros
Podem ser tensos e vir a ter problemas de saúde

       Um INFJ necessita de atividades que o faça relaxar. Talvez fosse por isso que Fanny gostava de cavalgar. Pode ser que esses passeios lhe aliviavam o stress, as tensões e a fazia esquecer tia Norris...

     Se Fanny Price pudesse ter escolhido uma profissão como uma mulher de nosso século, provavelmente teria optado por ser:
Médica
Consultora
Professora infantil
Pedagoga
Psicóloga
Psiquiatra
Dentista
Desenhista
Escritora
Bibliotecária
Recursos humanos
Musicista
Assistente social
Missionária

     Fanny "provavelmente gostava" de usar roupas mais sóbrias, como sua personalidade introspectiva.     
    Marinho, vinho, cinza, verde-musgo e marrom para as cores mais escuras e branco e tons azuis a violáceos para as mais claras, caem bem em pessoas meigas, que gostam de ser reservadas, além de que tons de roxo são os preferidos de pessoas que têm certeza de suas opiniões e convicções, mesmo que não expressadas.

      Os perfumes da família olfativa: floral-frutal, são os que mais combinam com a personalidade de Fanny: Os atuais que provavelmente estariam em seu toucador:
  • Outspoken -  Fergie
  • Ô de orangerie - Lancôme
  • Aqua allegoria – jasminora - Guerlain
  • Mon jasmin noir- Bulgari

   Famosos com a personalidade de Fanny Price (INFJ):
  • Goethe – poeta
  • Martin Van Buren- presidente americano
  • Mel Gibson – ator e cineasta
  • Michael Landon – ator (Little house on the prairie)
  • Nathan – Profeta de Israel
  • Nelson Mandela – presidente da África do Sul
  • Nicole Kidman – atriz
  • Ophah Winfrey – apresentadora de TV
  • Robert Burns – poeta
  • Tom Selleck – ator
Fonte:inspiira.org/mypersonality.info/personalitymax.com
Outros tópicos desta série:
Jane Austen e a personalidade de suas heroínas 1
Jane Austen e a personalidade de suas heroínas 2
A personalidade de Anne Elliot
A personalidade de Jane Bennet
A personalidade de Emma Woodhouse
A personalidade de Marianne Dashwood
A personalidade de Fanny Price
A personalidade de Elinor Dashwood
A personalidade de Catherine Morland
A personalidade de Elizabeth Bennet
Outros tópicos relacionados:
Mr. Darcy e Elizabeth Bennet


quarta-feira, 25 de abril de 2012

A beleza das heroínas de Jane Austen (parte 8)

"A beleza de Fanny Price"
   

"...parecia ter tanto medo de ser notada e elogiada como as outras mulheres têm medo de ser esquecidas." (Mansfield Park - cap. 21)

    Fanny Price é a mais polêmica das heroínas de Jane Austen, muitos até mesmo contestam esse título a ela. 
 Tadinha... Vejo Fanny como uma menina demasiadamente sofrida, tímida, introspectiva, sem coragem pra discordar de nada, (não que ela não tivesse sua maneira de ver a vida) até mesmo um tanto depressiva.
  Muitos leitores se irritam com o comportamento de Fanny e acham que um romance longo como "Mansfield Park" não merece uma heroína sem sal e sem açúcar como ela. Mas afinal: o que Jane Austen nos mostra com Fanny?
    Acredito que no quesito "beleza", Fanny  era  uma moça bonita, mas sua condição em casa dos Bertram, abafava sua beleza, até mesmo a interior. Não tinha muitas vaidades e sua timidez não deixava que ela fosse diferente, aliás, nem a timidez, nem Tia Norris, que fazia com que Fanny sempre lembrasse "onde era seu lugar", deixando claro que ela era inferior aos outros em seu redor. 


— Seu tio acha você muito bonita, Fanny — essa é que é a verdade... qualquer pessoa, menos você, havia de se ressentir por não ter sido achada muito bonita há mais tempo; mas a verdade é que seu tio até agora nunca a tinha admirado — e agora ele a admira. Sua pele está tão bonita! E você ganhou tanto em aspecto! E o seu porte — não, Fanny, não vire o rosto — é apenas um tio. Se você não pode suportar a admiração de um tio, que será de você? Você deve realmente ir se acostumando com a ideia de ser admirada. Deve se habituar a ser uma mulher bonita. 

— Oh! Não fale assim, não fale assim, exclamava Fanny, perturbada por sentimentos que ele não poderia adivinhar... (Edmund e Fanny - Mansfield Park)
Frances O'Connor, como Fanny, MP 1999

     Fanny Price, ao meu ver, é o oposto de Emma Woodhouse: enquanto Emma é rica, bonita, de excelente senso de humor, tem liberdade pra dizer o que quer, é admirada por todos e tem elevada auto-estima, Fanny é pobre, reservada, séria, não tem tempo para pensar em si, mostra muito pouco o que sente, tem medo de tudo o que fala, não tem liberdade no que diz, é humilhada e vítima de preconceitos e por conseguinte, tem sua auto-estima lá em baixo.
Sylvestra Le Touzel, como Fanny em MP 1983
     Jane Austen não nos mostra Fanny como  "Cinderela", a bela moça transformada em criada, Fanny era alguém comum, com atrativos que todos nós temos, uns mais, outros menos. Como é que a "pobrezinha" poderia tentar ser bonita, com as primas Maria e Julia consideradas muito melhores e com Mary Crawford, quase uma diva, admirada pelo primo que ela amava? Era batalha perdida.

     Aliás, esse tipo de "batalha" é bem semelhante em "Esposas e Filhas" (Elizabeth Gaskell), onde Molly observa sem ação, Cynthia, sua irmã (filha de sua madrasta), bela e devastadora de corações ficar noiva de Roger, a quem ela amava. Quieta e resignada, nada faz para que Roger perceba que Cynthia não será uma esposa adequada. Assim como Edmund, Roger no final, reconhece seu amor por Molly.
Molly e Roger
     Acho que qualquer um de nós na situação de vida de Fanny não conseguiria ser diferente. Apesar de tudo, ela sempre se mostra calma e lembra muito Anne Elliot, resignada, preocupada com os outros, de lado, desprezada, mas com belos sentimentos e um bom coração.
     Quanto à aparência física, imagino Fanny com os cabelos escuros como na versão de 1999 (embora não tenha gostado dessa versão; foge da obra verdadeira e é muito apelativa pra Jane Austen). Já a Fanny loira da versão de 2007 é um horror. Pra mim, nada a ver aquele cabelo com cara de descolorido e  a atriz Billie Piper não caiu bem no papel, sem contar que a versão também viaja...não é fiel à obra. 
Billie Piper como Fanny - MP 2007


     Acho que apesar de  ter os cabelos mais claros, a melhor Fanny é a de 1983, achei ela com todo esse aspecto de pessoa que faz tudo pra agradar e não consegue, sem contar que é a versão mais fiel ao livro.
    Bom, contudo, apesar de alguns até se irritarem pelo fato de que Fanny tenha se saído bem no final, acho que ela mereceu ter um final feliz, depois que quase todos, cheios de dinheiro e hipocrisia estavam quase desmoronados , Fanny ainda se conservava ali, com sua "tímida" beleza, que poucos conseguiram ver, além de Edmund Bertram.
fotos: serieuk.blogspot.com
         depoisdotrampo.com.br



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