sábado, 24 de agosto de 2013

A maquiagem no tempo de Jane Austen - Cuidando da beleza no séc. XIX - parte 3


Um pouco do século XVIII...     

     A partir da década de 1760, os cosméticos foram crescendo tanto em popularidade, que  coiffeuses (penteadeiras ou tocadores) começaram a ser adquiridos em massa e vestiários foram construídos de frente para o norte para a melhor aproveitamento da luz.
Toucador ou penteadeira do século XIX
  As inglesas eram menos propensas a usar cosméticos do que as francesas (elas usavam maquiagem, mas buscavam uma aparência mais natural), mas por volta das décadas de 1770-80, francesas e inglesas usavam quantidades quase idênticas de cosméticos.
   Os principais aspectos da aparência estética do século XVIII,  foram uma pele entre o branco e o pálido, bochechas vermelhas em uma grande forma circular (principalmente para as francesas) ou triângulo invertido, e os lábios vermelhos. 
    Por volta de 1781, as francesas usavam cerca de dois milhões de potes de rouge no ano (!!!). Em contraste, as inglesas geralmente apareciam um pouco naturais, com cosméticos usados ​​com moderação e discrição. O rosto estava pálido, mas não ao extremo, com a opção do rouge aplicado de forma triangular de cabeça para baixo, a partir das maçãs do rosto até quase o queixo. 
   Havia dois principais cosméticos usados ​​pela maioria dos homens e mulheres: blanc e rouge (branco e vermelho).
    A pintura facial branca, era aplicada em todo o rosto e ombros. As maquiagens brancas mais populares usadas ​​no rosto eram feitas de chumbo, que era popular por sua opacidade, apesar do conhecimento do risco de envenenamento. O blanc, também podia ser feito a partir de bismuto ou vinagre. Veias poderiam ser traçadas com lápis azul para destacar a brancura da pele.
  As sobrancelhas eram em meia-lua com extremidades afiladas, e podiam ser escurecidas com sabugueiro, cortiça queimada, ou lampblack (fuligem das lamparinas a óleo).

      Foi a partir dos últimos anos do séc. XVIII,  que o uso pesado de cosméticos caiu com a crescente tendência de um visual mais "natural". Esse tipo de “maquiagem” ainda foi utilizado com moderação, por mulheres mais velhas que tentavam esconder os estragos do tempo e por mulheres de má reputação.     Após alguns anos, foi se observando um endurecimento da pele, causado pelo chumbo tóxico e o efeito dessas “tintas maquilantes” depois de secas. A tinta branca à base de chumbo foi lentamente substituída por óxido de zinco e giz, que era menos opaco e brilhante, mas muito mais saudável.
     Neste momento a pintura da cara branca também foi lentamente substituída por bases coloridas mais semelhantes ao que estamos acostumados. 

Caixinha de rouge - 1797
O século XIX

     No século XIX,  alguns padrões de beleza feminina eram mais fáceis de atingir,  não havia a tal “magreza exagerada”, a sede “fashionista” existente atualmente, as plásticas e sempre é bom lembrar que as boas maneiras e uma boa conduta eram extremamente valorizadas, ao contrário de hoje em que as mulheres querem se expôr cada vez mais, perdendo completamente a noção de BELEZA.
    Embora, as mulheres do século XIX não tinham manicures, cuidavam de suas unhas mantendo um aspecto natural. Elas não usavam sombra nos olhos e pouco delineador. Muitas vezes confeccionavam seus delineadores queimando uma rolha de cortiça e aplicando o resíduo com um pincel molhado.
    Os rouges podiam ser perigosos! Muitas vezes eram de chumbo vermelho (expondo placas de chumbo para ao vapor de vinagre), ou cinábrio, também chamado de vermelhão, produzido por enxofre e mercúrio. Os de origem vegetal podiam ser usados com pouco perigo, mas também com moderação.
   As substâncias vegetais que fornecem tintura vermelha são:  madeira de sândalo, raiz de alkanet, cochonilha, pau-brasil e especialmente o açafrão bastardo, que produz uma cor muito bonita, quando é misturado com uma quantidade suficiente de talco.
     Alguns perfumistas compunham o rouge vegetal, para a qual eles tomavam o vinagre como o excipiente, mas esses vermelhos são susceptíveis de prejudicar a beleza da pele, é mais conveniente misturá-los com a matéria oleosa  e formar pomadas. Para este efeito, podia se empregar bálsamo de Meca, manteiga de cacau, espermacete ou óleo de ben. Às vezes muriato de estanho também era usado, não tão saudável, mas produzindo uma cor vermelha brilhante. 
     O Talco era utilizado para abrandar a cor. Blushes em pó eram os mais comuns, embora a versão em líquido ou creme podia ser encontrada. Às vezes o rouge era vendido em folhas: crepons feitos de tecido de crepe fino mergulhado na maquiagem. Esta era rica em pigmentos e, para um resultado natural, era necessário uma leve aplicação.
    O pó facial era permitido nessa época. Os maos comuns eram feitos de farinha de arroz, embora o talco fino era por vezes usado.
      A face branca foi lentamente substituída por bases coloridas mais semelhantes às atuais. Uma das primeiras preparações foi Pear's Almond Bloom, apresentado pelo seu fabricante "adere firmemente à face, dando uma tonalidade clara e delicada que não pode ser distinguida da natural". (Pelo que observei, era às vezes usado como batom).
"Bloom of Roses", Guerlain

   "Pear's Liquid Blooms of Roses dá um tom mais agradável para o rosto feminino e em tal grau de perfeição...", (La Belle Ansemblée - outubro de 1807).

    Para um olhar cintilante, um pó branco brilhante feito de bismuto finamente moído, foi usado como os iluminadores modernos. Novamente, isso era mais comum para as mulheres maduras.

  De repente, o mundo europeu descobriu as maravilhas do rímel e do delineador. A exploração inglesa da Índia e o contato com outras áreas orientais, como a Turquia, contribuiu para a fama desses cosméticos e a mania egípcia produziu alguns efeitos colaterais bastante surpreendentes. 
     A mistura da fuligem das lamparinas com um pouco de óleo, produzia uma pasta que era aplicada nas sobrancelhas e cílios. A cortiça queimada às vezes era usada também. (Imaginem o cheiro...)
      De todos os cosméticos disponíveis, esses para os olhos eram os mais desaprovados, por causa da dificuldade de aplicação e por dar um resultado bem artificial (indesejado para a época), especialmente quando visto à luz do dia.
    Os lábios podiam ser avermelhados com álcool destilado ou vinagre, 
com emulsões feitas com alkanna (raíz de alkanet) e óxido de ferro, 
Batons feitos com alcanet e óxido de ferro.
ou por  pomadas vermelhas no formato de varas, (talvez o avô do atual batom).
       Apesar de toda a força moralista, é provável que a maioria das mulheres usavam algum tipo de cor dos lábios no período Regencial. 
Lábios pintados com os
ingredientes citados acima
Um cosmético popular foi Rose Salve Lip, 
disponível em qualquer farmácia e principalmente, contendo cera branca, óleo de amêndoa, alkanet (a raiz da Alkanna) para cor e perfumado por rosas. 
Alkanet
    Este tipo daria aos lábios um brilho rosado um pouco transparente, um pouco como os glosses modernos.
     Rigge's Liquid Bloom feito de rosas de damasco, também era muito elogiado: "Este Rouge é tão adequado para a pele que não pode ser distinguido de uma pele natural. Ele é tão delicado como simples água de rosas, e pode ser utilizado também nos lábios, com efeito agradável". Esses artigos elegantes e aprovados são preparados pelo D. Rigge, Wandsworth, e vendido em Londres, somente e apenas em seu Armazém, na New Bond-street, 31. - Propaganda em La Belle Ansemblée, em janeiro de 1808.
Mulher do séc. XIX
     Assim, embora a beleza natural foi muito elogiada, a maioria das mulheres no período Regencial lançava mão de cosméticos para preencher onde a natureza se mostrou deficiente e em muitos casos o que vemos é realmente uma aparência natural.

domingo, 14 de julho de 2013

Os cremes e loções que Jane Austen e suas heroínas usavam - Cuidando da beleza no séc. XIX - parte 2

     Quer saber um creme ótimo pra tirar manchas da pele, acabar com aquela espinha indesejável que não te deixará ir feliz àquele baile tão esperado (quem sabe o de Netherfield), acabar com a acne ou quem sabe aquele que Anne Elliot (J. Austen - "Persuasão") e Charlotte Lucas (J.Austen - "Orgulho e preconceito") começaram a  usar quando viram que a idade estava chegando e algumas imperfeições começaram a aparecer? Pois bem, depois de lerem alguns livros essenciais para saber tudo sobre beleza, chegou a hora do preparo dos produtos. Parece até que estamos vendo as cenas onde a Sra. Bennet (J.A."Orgulho e preconceito") e as filhas e ainda a Sra. Dashwood com Elinor e Marianne (J.A "Razão e Sensibilidade") dividiam a cozinha para preparar algumas loções básicas. Que tal?
Montagem feita com uma captura de imagem
da adaptação de "Orgulho e preconceito" - 2005
      O "Toilet of Flora" de 1811, afirma que um rosto e um rosado natural eram bastante admirados.
Uma senhora não saía sem se proteger do sol com um chapéu, luvas e uma sombrinha. A tez branca e pálida era sinal de se pertencer a uma classe superior. A pele morena estava relacionada à classe trabalhadora.
     Caminhadas diárias foram recomendadas, mas também um vigoroso esforço não era considerado bom. Nos livros de Jane Austen as caminhadas e passeios estão sempre presentes, era de fato uma prática saudável:
...e, além disso, era tão consolador que fosse tão curta a distância entre Randalb e Hartfield, tão fácil de percorrer, o caminho incluso para uma mulher solitária e no caso e nas circunstâncias da Sra. Weston que na estação que já se aproximava não poria obstáculos em que passassem a metade das tardes de cada semana juntas. (Jane Austen –“Emma” – cap. II)

Exageros não eram recomendados  e nem vistos com bons olhos:

“...Elizabeth continuou sua caminhada sozinha, atravessando campo após campo em um ritmo rápido, saltando e pulando sobre poças com energia impaciente. Finalmente, achou-se à vista da casa. Tinha os pés dormentes, as meias enlameadas e um rosto afogueado pelo exercício.
Introduziram-na na saleta, onde todos, com a exceção de Jane, se encontravam reunidos, e onde a sua aparição suscitou grande surpresa. Que ela se tivesse aventurado a percorrer sozinha três milhas, em uma hora tão matinal e por um tempo tão feio, era coisa quase inacreditável para a Sra. Hurst e para a Srta. Bingley.” (Jane Austen – "Orgulho e preconceito" – cap. VII)
    "Para a preservação de uma pele agradável, atenção também com as mudanças freqüentes e repentinas do calor ao frio, pois modificam as secreções normais da pele, irritam sua textura, ferindo sua tonalidade e muitas vezes incomodam com inconvenientes, embora transitórias, erupções. Tudo isso é ainda pior pelas senhoras que têm hábito de se expôr freqüentemente sem capotas, ao ar livre. A cabeça e o rosto não têm defesa contra os ataques do vento e os efeitos são óbvios." (The Mirror of Graces, p. 42).
"Blanc le Perle" - desde o séc. XIX
     No período Regencial não havia distinção entre tônicos, produtos para a limpeza da pele ou hidratantes, eram simplesmente chamados de loções e pomadas. Para atingir os parâmetros de beleza ou correr atrás do prejuízo de uma pele mal cuidada, algumas mulheres usavam cosméticos perigosos feitos de óxido de chumbo e  mercúrio para clarear a pele. Essas loções, quando utilizadas repetidamente, podiam levar à paralisia ou ser letais. Mas infelizmente, eram o  BOTOX da época.

     Para aquelas que preferiam comprar seus produtos de beleza ao invés de fazê-los em casa, restava além da escolha do que seria o melhor, também optar pelos nomes fantásticos que os fabricantes escolhiam para chamar a atenção das senhoras e senhoritas: Olympian Dew, Bloom de Ninon, Milk of Rosas, Gowland’s Lotion e muitos outros.
    Loções extravagantes eram muito populares entre as mulheres da classe alta, embora seja duvidoso que elas tenham  oferecido melhores resultados do que os DIY (caseiros), como pepinos e morangos esmagados.
  Felix Farley Bristol (em 31/08/1781) afirma que  o Olympian Dew, era a melhor coisa para a pele. Ainda nada que a tornasse tão bela. Tirando rugas, sardas, vermelhidão, deformidades, espinhas e deixando-a encantadora.  

    Se o Olympian Dew (Orvalho Olímpico) era um produto bastante benigno, o mesmo não poderia ser dito sobre o “incomparável” Bloom de Ninon:
"O incomparável Bloom Ninon de L'Enclos, superior a qualquer coisa já descoberta para tornar a pele macia, lisa e bonita ao extremo; seus efeitos "maravilhosos" na preferência das mais elegantes neste reino, é particularmente recomendado para as mãos e os braços, dando-lhes uma delicadeza e brancura superior a qualquer coisa vendida para fins semelhantes." ("The Times" 12 de abril de 1805)
      Mas... um alerta no “The Gazette of Health”:
"Ao examinar este inigualável e inestimável cosmético, vamos encontrar que é composto de chumbo branco, emulsão de amêndoa e essência de lavanda. De todas as composições que foram oferecidos ao público como cosméticos, este é o mais perigoso. A repetida aplicação de chumbo para a pele, em vez de animar o rosto, iria certamente aos poucos, paralisando os nervos, tornando-o inanimado. Tais são os efeitos sérios do chumbo no corpo, que até mesmo no uso de uma preparação mais fraca seria danoso, quanto mais deve ser o efeito da aplicação repetida de uma loção fortemente impregnada com ele"?

Mesmo assim, este permaneceu popular pelo séc. XIX adentro.

Gowland’s Locion
     Durante o período Regencial o Gowland’s Locion pode ter sido o mais famoso de todos eles e era tido para curar tudo; essa loção não poderia faltar para uma dama da época. Não era para o uso diário, mas para combater erupções repentinas da pele e queimaduras solares.
    É uma preparação de amêndoa, açúcar, água destilada, moídos juntos e coados, mas a base era feita de mercúrio ou chumbo, e era igualmente, um risco sua aplicação continua. 

Milk of Roses
     Um dos mais eficazes, e um produto que realmente era fiel a algumas de suas promessas. Em 1819 foi chamado de "a estética mais agradável na Europa", e continua-se a dizer que "é altamente recomendado pela  maioria das senhoras distintas”, para limpar, preservar e pele, e torná-la delicada e bonita: remove vermelhidão, queimaduras solares e sardas. Um produto de meados do século XVIII, surpreendentemente, sem substâncias nocivas, como chumbo ou mercúrio.

     A preparação do Milk of Roses (leite de rosas) de Warren consiste em:
  • 2 l de água de rosas
  • 1 colher de chá de óleo de amêndoas doces
  • 12 gotas de óleo de tártaro

     Deve ser colocado tudo em uma garrafa e agitado até que tudo combine. 
Essa loção em amplo uso na indústria até os dias de hoje cuida da pele por suas propriedades curativas. O óleo de tártaro serviu como um conservante.
     Outro ingrediente importante para manter a beleza da pele era o azeite de oliva e é até hoje tido como espetacular. É citado na Bíblia, sendo excelente para curar feridas e atualmente estão sendo elaboradas máscaras faciais com esse ingrediente.
Máscaras faciais elaboradas com azeite de oliva
e que serão brevemente importadas pra o Brasil
      As mulheres do século XVIII tinham uma riqueza de tratamentos de beleza em casa, e muitos deles eram tirados do “Toilet of Flora” do naturalista francês Pierre-Joseph Buc'hoz. Alguns dos tratamentos são interessantes. Vejamos alguns deles:

Loção para o rosto:
     Faça um buraco em um limão e preencha-o com torrões de açúcar. Feche-o muito bem com folha de ouro sobre a casca que foi cortada. Então asse o limão em cinzas quentes. Espremer o suco e lavar a face com um pano umedecido com o mesmo.
Funciona?
Sim! A rolha de ouro aqui não é realmente necessária, mas o suco de limão tem toneladas de ácido cítrico,  e o açúcar é antimicrobiano e esfoliante.

Um tônico admirável para a pele:
     Partes iguais de suco de limão e clara de ovos. Coloque em uma panela de barro vidrado em fogo baixo, e mantenha a mistura mexendo com uma colher de madeira até que tenha adquirido ao aspecto de manteiga cremosa. Na hora de aplicar, adicione algumas gotas de uma essência que você goste. Enxaguar o rosto com água de arroz. 
Funciona?
Sim!!! O ácido cítrico no suco de limão elimina as células mortas da pele, ajudando a desobstruir os poros e tornando a pele  fresca e macia. A clara de ovo tem toneladas de proteínas e age como um adstringente e água de arroz é uma ótima para clarear e amaciar a pele.

Um banho cosmético:
  • Dois quilos de cevada ou feijão,
  • Oito quilos de farelo
  • Um punhado de folhas de borragem

    Ferva estes ingredientes em uma quantidade suficiente de água potável. Nada limpa e amacia a pele como esse banho! 
Funciona?
Sim!!! Cevada e feijão, como aveia, são ótimos anti-inflamatórios e emolientes, e borragem contém toneladas de ácidos graxos, de modo que essa mistura seria realmente ótimo para acalmar e hidratar da pele.

Banho de azeite de oliva:
     A rainha austríaca Sisi, tomava um banho de azeite quente todas as noites para manter sua pele macia e suave - uma prática que é elogiada por spas até hoje. O azeite de oliva contém vitaminas A e E, que são altamente nutritivas, juntamente com uma série de antioxidantes que protegem contra toxinas ambientais. Para fazer seu próprio banho de óleo de oliva, simplesmente coloque um copo cheio de azeite quente, extra-virgem na banheira e encha com água morna.

Roman Balsam:
  • 30 g de amêndoas amargas
  • 30 g de farinha de cevada
  • uma quantidade suficiente de mel

     Bata até formar uma pasta lisa e espalhe uma camada fina sobre a pele durante a noite, lavando pela manhã.

Bálsamo para lábios rachados
  • Duas colheres de chá de mel
  • Algumas gotas de água de lavanda ou qualquer outro perfume agradável  

     Ungir os lábios freqüentemente. Poderá também ser usado nas mãos ressecadas, utilizando antes de ir para a cama e vestindo suas luvas durante toda a noite. Pela manhã, lave com leite e água morna. Em uma ou duas noites estará curada.

Para proteger a pele contra inflamações e infecções:
  • Vinagre 
  • violeta (feito de flores recém-colhidas de violeta)
  • água destilada

     Coloque uma camada de flores de violeta (ou pétalas de rosa) em uma garrafa  e molhe-os com vinagre de cidra. Feche a garrafa e deixe em infusão durante dois dias. Em seguida, passar por uma peneira, pressionando as flores com uma colher de pau. Descarte os resíduos. Coloque um pouco de água destilada e agite para a mistura ficar homogênea.

Tônico facial:
Uma maneira muito simples e eficaz de tonificar a pele:
  • Uma parte de leite
  • Duas partes de água
  • ½ parte de suco de uva


Máscara de mel e morango
  • Mel puro
  • morangos amassados

     O efeito dos ácidos da fruta limpa, esfolia e clareia a tez. Além disso, reforça a resistência da pele ao estresse ambiental e fortalece a sua imunidade.

Água para espinhas no rosto
  • Um punhado de erva Paciência
  • um punhado de erva Pimpinela  
  • água

Ferva junto e utilize todos os dias.
  
Pomada para rugas:
  • 500g de manteiga fresca,
  • 250g de cera de abelha,
  • 120 a 150 g de uvas pretas limpas,
  • cerca de um grama de Alkanet Root
    Coloque no fogo até que a cera esteja totalmente derretida e a cor se torne em um vermelho brilhante; coe e está pronto para o uso.

     Agora todas(os) nós já sabemos o que havia sobre a penteadeira de Elizabeth Bennet, Anne Elliot, Jane Austen e sem dúvida alguma de Caroline Bingley e Mary Crowford. 
      Quem arrisca tentar alguma receita???

domingo, 30 de junho de 2013

Os livros de beleza que Jane Austen e suas heroínas liam- Cuidando da beleza no séc. XIX - parte 1

     É muito interessante ver aquelas lindas moças do início do século XIX... Aqueles vestidos de sonho, lindos penteados, chapéus, casaquetos em veludo, uma época tão charmosa e cheia de romance... Mas e na hora da toilette? Como será que era cuidar da beleza?
     Como as lindas heroínas, as mocinhas da época e a própria Jane se cuidavam para impressionar os rapazes como Bingley, Darcy, Ferrars, Willoughby e por que não o "lendário" Lefroy? Como eram as fragrâncias, os cremes, as loções? E quando aparecia uma indesejável espinha? Havia sombra? Batom? Rímel? Base? Os romances não nos contaram nada disso... Mas a curiosidade conseguiu alguma coisa.
     A partir do final do séc. XVIII, mas precisamente após a Revolução Francesa (que terminou em 1789), as mulheres fizeram de tudo para conseguir parecer o mais natural possível. As vestimentas e penteados se tornaram mais simples e o rosto teria que estar fresco e lindo mas sem aparência de ter usado qualquer maquiagem.
     A maioria dos “produtos de beleza” eram do tipo DIY (do it yourself – faça você mesmo), mas alguns também podiam ser comprados em lojas.
     Eram utilizados ingredientes comuns do dia a dia, tais como azeite de oliva, óleo de rícino, glicerina, creme de tártaro, magnésio e bórax, mas o pior é que não tinham noção que utilizavam também alguns bem perigosos para a saúde, como chumbo, ferro, ferrugem e espermacete.
      O chumbo era usado muitas vezes em pós faciais, que eram essenciais para alcançar a aparência desejada de pele pálida. A oxidação do ferro (ferrugem) era ingrediente de shampoo para escurecer o cabelo). Isso era feito sem nenhum critério de segurança, pois na época nem se tinha o conhecimento dos riscos desses ingredientes para a saúde a curto e longo prazo.
     Essas receitas e dicas, além de serem passadas entre as amigas e de mãe pra filha,  era comum se ler livros e revistas que anunciavam os “mais modernos” conselhos de beleza.
     Entre estes estavam “Godey’s Lady’s Book”, uma revista mensal muito popular em meados século XIX,

“The toilet of Flora” (1779)
(Publicado no ano em que Jane Austen completou 4 anos).
(métodos simples de preparação de banhos, essências, pomadas, pós, perfumes, águas perfumadas e cosméticos de todo tipo, para cuidar, suavizar, clarear e tirar a aparência envelhecida da pele das damas),

“The mirror of the graces” (1811) que com certeza
deve ter sido bem conhecido pelas mocinhas contemporâneas de JA, pois foi publicado em 1811,





o afamado “The Arts of Beauty”(or “Secrets of a Lady's Toilet”) (1858) da polêmica Lola Montez,

uma dançarina, que diziam ser uma aventureira  e vigarista, que depois de causar diversos escândalos na Europa, teria fugido para a América e se tornado escritora. Nesse livro ela se propõe a contar os segredos de beleza das encantadoras mulheres nobres européias:
- "Eu sabia de muitas senhoras elegantes de Paris que utilizavam fatias finas de carne crua em seus rostos todas as noites antes de irem para a cama. Mantinha a pele livre de rugas, ao mesmo tempo que garantia um frescor juvenil e um brilho agradável na pele.”

     No “Family Doctor” (já em 1889)

dizia-se que além de proteger a pele do sol e praticar exercícios moderados, a beleza também precisava de sono adequado:
“...uma senhora mais idosa revelou o segredo de sua pele clara e rosada a um grupo de mulheres jovens: “dormir demais estragar a pele. Vá para a cama cedo, acorde cedo e você vai envelhecer lentamente e manter sua boa aparência a uma idade avançada. Se, no entanto você for obrigada a dormir a altas horas, deverá dormir uma hora, todas as tardes. Antes de ir para a cama, tome um banho quente e permaneça na água por apenas alguns momentos. Em seguida, tome uma xícara de caldo de carne, e um pequeno copo de vinho Málaga. O sono virá em breve, e durará até o tempo natural de despertar, que é cerca de dez horas da manhã(!!!), onde deverá  tomar um banho frio ou utilizar uma esponja de banho, fazer um ligeiro pequeno almoço  de café com leite, e pão sem manteiga...” Imagina-se que essa senhora ouviu estas dicas de beleza de amigas e parentes que viveram no início do século XIX.


dedicou um capítulo inteiro para os segredos de beleza: “...se as mulheres  querem governar, controlar, gerenciar, influenciar e também ter a admiração dos maridos, pais, irmãos, amantes ou mesmo primos, elas devem ser bonitas em todos os momentos.” Aqui estão algumas de suas dicas para isso:
Difícil não rir disso em nossos dias!!!
     Fico pensando... seguindo todos esses infalíveis truques de beleza, como seria o retrato de Elizabeth Bennet (Orgulho e Preconceito - Jane Austen/1813), ou melhor, Elizabeth Darcy aos 60 anos???

     Todos esses livros são vendidos ainda hoje, para curiosos, apreciadores e claro para quem quer se manter belo como no século XIX. Mas cuidado, eu  ficaria com um Renew, Chronos ou até mesmo o velho creme Ponds, não sei porque, mas acho que dá mais resultado...

Fotos: